Dono claro não reduz participação. Ele dá direção. E direção é o que transforma esforço coletivo em resultado concreto Muitos projetos começam bem. Objetivo definido, time competente, energia alta. Com o tempo, porém, algo se perde. As decisões ficam difusas, os prazos escorregam, os conflitos não são resolvidos e o projeto passa a avançar no esforço, não na direção. Quando isso acontece, quase sempre existe um problema central: ninguém é dono de verdade. Projetos falham com frequência não por falta de talento ou recursos, mas por ambiguidade de responsabilidade, porque decisões ficam espalhadas e ninguém se sente autorizado a fechar escolhas difíceis. Colaboração sem dono claro gera participação, mas não gera avanço consistente. Quando todo mundo participa, mas ninguém responde É comum ouvir frases como 'o projeto é do time' ou 'a decisão é coletiva'. A intenção é boa, mas o efeito pode ser paralisante. Quando algo trava, ninguém sabe quem deve destravar. Quando surge conflito, ninguém se sente responsável por mediar. Quando o prazo aperta, cada um faz sua parte, mas o todo não fecha. Nesse cenário, o projeto vira uma soma de esforços individuais sem coordenação real. O trabalho acontece, mas o resultado não aparece com a força esperada. A frustração cresce porque todos estão se esforçando, mas ninguém sente que o projeto está sob controle. Dono não é chefe, é responsável pelo fechamento Existe uma confusão comum entre ser dono e mandar. Dono não é quem decide tudo sozinho. É quem garante que decisões aconteçam. É quem escuta, pondera, escolhe e sustenta. É quem assume o custo de priorizar e dizer não quando necessário. Sem esse papel claro, o projeto fica educado demais. Tudo é discutido, pouco é fechado. O risco político de decidir é diluído, mas o risco operacional aumenta. A ambiguidade desgasta o time mais do que o erro Trabalhar sem dono claro é emocionalmente cansativo. As pessoas gastam energia tentando entender quem decide o quê, quando algo está realmente aprovado e o que pode mudar amanhã. Esse esforço invisível corrói motivação. Curiosamente, errar com dono dói menos do que avançar sem dono. Quando alguém assume a responsabilidade, o erro vira aprendizado. Quando ninguém assume, o erro vira culpa difusa e retrabalho silencioso. O impacto direto nos Negócios Projetos sem dono tendem a custar mais e entregar menos. Prazos estouram porque ninguém corta escopo. Qualidade oscila porque não há critério final. O cliente percebe inconsistência, mesmo sem saber explicar por quê. Além disso, a empresa cria um padrão perigoso: projetos só andam quando alguém 'adota' informalmente. Isso gera sobrecarga em poucas pessoas e reforça dependência de boa vontade, não de desenho organizacional. Como dar dono sem matar colaboração Dar dono não significa calar o time. Significa organizar a colaboração. O primeiro passo é nomear explicitamente quem fecha decisões. Não 'quem executa', mas quem decide quando há impasse. O segundo passo é definir o escopo da autoridade. Em que tipos de decisão essa pessoa manda? O que precisa escalar? Sem esse contorno, o dono vira figura simbólica. O terceiro passo é tornar o fechamento visível. Decisões precisam ser comunicadas com clareza para que o time saiba o que está valendo. Decisão invisível é quase tão ruim quanto decisão inexistente. O papel da liderança em sustentar donos reais Liderança precisa proteger quem assume o papel de dono. Isso inclui apoiar decisões impopulares, bancar critérios e evitar reabrir escolhas toda vez que alguém discorda. Se o dono decide e a liderança desautoriza depois, o sistema aprende a não assumir responsabilidade. Uma pergunta útil ajuda a diagnosticar o problema: quando esse projeto travar, quem é a pessoa que todos esperam que resolva? Se ninguém souber responder, o projeto já está em risco. A diferença que muda tudo Projetos bem-sucedidos não têm menos debate. Têm mais fechamento. E fechamento exige alguém que carregue a responsabilidade final, não emocional, mas decisória. No fim, colaboração sem dono parece democrática, mas costuma ser ineficiente. Dono claro não reduz participação. Ele dá direção. E direção é o que transforma esforço coletivo em resultado concreto. Empresas que aprendem isso deixam de desperdiçar energia em projetos eternos e começam a entregar com mais ritmo, menos desgaste e muito mais clareza sobre quem responde pelo quê.