Em um passado não muito distante, era muito comum eleger líderes de acordo com sua habilidade técnica e tempo de departamento. Entretanto, com mercados cada vez mais competitivos e economicamente instáveis, foi preciso redefinir o papel do gestor dentro da empresa. 'Riscos sempre foram uma constante em qualquer negócio, originados especialmente nas pressões exercidas por fatores externos, seja governo, sociedade, clientes, concorrência', diz Vânia Alencar, gerente da Luandre, consultoria de Recursos Humanos. 'Mas a crise faz com que o mundo corporativo busque ainda mais efetividade na gestão, com ferramentas para proteger-se contra ameaças usando inovação e criatividade', completa. A habilidade de chefiar vai muito além da qualificação em si. 'Independente da área, hoje o gestor é mais cobrado para liderar efetivamente pessoas, estimulando-as e influenciando-as para que atinjam resultados', opina Marcelle Oliveira, também gerente da consultoria. Devido à cobrança mais intensa, vive-se o momento de analisar os líderes da empresa e rever processos. Para fazer isso, é possível identificar sinais que indicam a necessidade de mudanças na gestão da empresa: Complacência A queda no entusiasmo torna o líder menos disposto a discussões construtivas e a expor suas opiniões, por isso, ele se torna mais leniente. Conformismo Perder a capacidade de se aventurar no desconhecido. Falta de motivação. A estagnação também impede que o gestor reveja comportamentos, repense estratégias e conheça novas táticas. Individualismo Quando percebe que o gestor se preocupar apenas ou prioritariamente com o próprio sucesso, normalmente a equipe deixe de vê-lo como um líder a ser seguido. Desta forma, a liderança perde um de seus méritos mais importantes: o de inspirar os colaboradores. Cobranças excessivas A busca constante de resultados pode implicar em um desequilíbrio entre o fator pessoal e os números da planilha. 'Não podemos perder o foco nas pessoas e no clima organizacional', aponta Marcelle. Felizmente, o caminho para reverter a situação não é complicado. Em primeiro lugar, os questionamentos devem partir do próprio líder. 'Ele deve se perguntar a todo o momento se está engajando seu time, se os funcionários são atraídos ou rejeitam sua presença e se ele está buscando atualizações e reciclagem em seu estilo de trabalhar', orienta Vânia. Resgatar a criatividade também fica mais fácil se o líder estimula o capital intelectual de seu grupo, dando recursos e oferecendo autonomia aos funcionários. Isso, às vezes, implica na busca de alternativas à chamada gestão vertical, focada na hierarquia corporativa. 'É o caminho oferecido pela gestão participativa, que ganha espaço nas empresas e leva em consideração as vozes de todos da equipe', conta Marcelle. Já a gestão horizontal, outro termo em alta, defende que funcionários tenham autonomia para definir horários e metas e espaço para expor opiniões em um ambiente livre de constrangimentos ou ressentimentos. 'A vantagem é um processo inteligente e criativo, mas, se mal conduzido, pode gerar problemas de indisciplina e falta de orientação', pontua Marcelle. Com atenção, treinamento e análises periódicas, é possível manter a motivação do líder, da equipe e principalmente dos resultados – mesmo em tempos difíceis.