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Pessoas que confiam demais no próprio instinto costumam errar mais como líderes

Ramon Santillana
Ramon Santillana
27 jan 2026 às 10:59
Última atualização: 26 jan 2026
3 min leitura
27 jan 2026 às 10:59
3 min leitura
Última atualização: 26 jan 2026
Pessoas que confiam demais no próprio instinto costumam errar mais como líderes

Créditos: Adobe Stock

Confiar cegamente no instinto pode parecer liderança forte. Questioná-lo exige mais maturidade.

Em cargos de liderança, confiar no instinto é frequentemente tratado como virtude. Decidir rápido, sentir o ambiente, “ler a sala”. Em alguns momentos, isso funciona. Em muitos outros, vira armadilha.

O instinto não é neutro. Ele carrega experiências passadas, medos não resolvidos, sucessos que deram certo por acaso e fracassos que deixaram marcas. Quando o líder decide apenas pelo que sente, sem examinar esse filtro, ele tende a repetir padrões — inclusive os ruins.

Líderes eficazes não ignoram o instinto. Eles o questionam.

Quando o instinto vira piloto automático

Sob pressão, o cérebro busca atalhos. Decide com base no que já conhece, não no que o contexto exige. É aí que o instinto assume o volante.

O problema é que situações parecidas raramente são iguais. Uma equipe nova não responde como a anterior. Um conflito atual não tem as mesmas causas de um conflito antigo. Um erro recorrente pode ter origem diferente da última vez.

Quando o líder age no automático, ele aplica soluções antigas a problemas novos. A decisão parece firme, mas é desatualizada.

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Comportamento, impacto, resultado

O comportamento é decidir rápido demais com base em sensação. O impacto é emocional: sensação de injustiça, incompreensão e perda de confiança. O resultado aparece em resistência velada e baixa adesão às decisões.

As pessoas executam, mas não se comprometem. Fazem o mínimo necessário para não entrar em atrito. O líder interpreta isso como falta de maturidade, quando muitas vezes é falta de escuta.

Esse desalinhamento não gera conflito imediato. Ele se acumula.

A virada pouco discutida

Existe uma virada importante na liderança quando alguém entende que instinto não é sabedoria. É matéria-prima. Precisa ser refinado.

Daniel Goleman aponta que autoconsciência envolve reconhecer quando uma reação vem de hábito emocional, não de leitura real da situação. No trabalho, isso significa pausar antes de agir.

A virada acontece quando o líder aprende a perguntar: estou reagindo ao que está acontecendo agora ou ao que já vivi antes. Essa pergunta simples evita decisões atravessadas.

Como líderes maduros usam o instinto

Líderes emocionalmente maduros usam o instinto como sinal, não como sentença. Se algo incomoda, eles investigam. Buscam dados, conversam, observam padrões antes de decidir.

Eles também diferenciam urgência emocional de urgência real. Nem todo desconforto pede ação imediata. Às vezes pede mais contexto.

Outro ponto importante é aceitar que o instinto pode estar errado. Isso não enfraquece autoridade. Fortalece. Porque reduz decisões defensivas e aumenta precisão.

O efeito no time

Quando o líder não decide apenas pelo instinto, o time percebe. As pessoas sentem que são consideradas, não apenas julgadas. A comunicação melhora. A resistência diminui.

O ambiente se torna mais previsível. Não porque tudo é explicado, mas porque as decisões seguem critério visível, não humor ou impulso.

Isso aumenta confiança e reduz a necessidade de microgestão.

O que fica no longo prazo

Confiar cegamente no instinto pode parecer liderança forte. Questioná-lo exige mais maturidade.

No fim, líderes eficazes não são os que sentem mais rápido. São os que pensam melhor sobre o que sentem antes de transformar emoção em decisão. E, em ambientes complexos, essa diferença costuma definir quem constrói equipes sólidas e quem apenas apaga incêndios.

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    Ramon Santillana

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    Redator do Administradores.com, cobre as áreas de Liderança, Desenvolvimento de Carreira, Aprendizagem Corporativa e outros temas relacionados à Educação para Negócios.

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