O capitalismo do jeito que conhecemos está decaindo (e este livro propõe um novo pacto global)

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Esta leitura é uma reflexão urgente sobre como empresas, governos e indivíduos podem reconstruir a economia para gerar progresso real, humano e sustentável
A economia global vive um paradoxo difícil de ignorar. Nunca produzimos tanta riqueza, mas a desigualdade cresce, a confiança nas instituições diminui e o planeta paga um preço cada vez mais alto. Lucros recordes coexistem com salários estagnados, crises ambientais e um sentimento generalizado de que o sistema já não funciona para a maioria. Algo está estruturalmente errado e insistir nas mesmas regras não parece uma solução viável.
É nesse contexto que “Capitalismo Stakeholder”, de Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, em parceria com Peter Vanham, entra no debate. O livro parte de uma constatação incômoda: o capitalismo focado exclusivamente no acionista não consegue responder aos desafios do século XXI. Em seu lugar, os autores defendem um modelo mais amplo, no qual empresas assumem responsabilidade não apenas por lucros, mas também por pessoas, comunidades e pelo planeta.
Por que o modelo atual chegou ao limite
O ponto de partida do livro é uma análise direta dos problemas que se acumulam há décadas. A desigualdade de renda avança, enquanto produtividade e salários reais perdem força. Grandes corporações concentram poder de mercado em níveis históricos, levantando dúvidas sobre inovação, concorrência e distribuição de valor. Ao mesmo tempo, a exploração excessiva dos recursos naturais compromete o futuro econômico e social.
Schwab argumenta que esses desequilíbrios não são acidentes, mas consequências de um sistema que priorizou retornos financeiros de curto prazo, ignorando impactos sociais e ambientais. O resultado é um capitalismo eficiente em gerar lucro, mas frágil em gerar legitimidade, confiança e prosperidade compartilhada. Sem correções profundas, o risco não é apenas econômico, mas também político e social.
O que significa, na prática, o capitalismo stakeholder
Diferente de discursos abstratos, o livro detalha o que significa adotar uma abordagem stakeholder. Trata-se de reconhecer que empresas operam dentro de um ecossistema complexo, envolvendo colaboradores, clientes, fornecedores, comunidades, governos e o meio ambiente. Criar valor sustentável exige equilibrar esses interesses, e não sacrificar todos em nome de um único grupo.
Os autores defendem um novo contrato social, baseado em responsabilidade compartilhada. Governos precisam modernizar regulações e instituições globais. Empresas devem repensar métricas de sucesso, indo além do lucro trimestral.
A sociedade civil e os indivíduos também têm papel ativo, cobrando transparência, ética e impacto positivo. O livro apresenta exemplos e boas práticas de diferentes regiões do mundo, mostrando que essa transição já começou. Ainda que de forma desigual.
Um chamado à liderança em escala global
Mais do que um diagnóstico, Capitalismo Stakeholder é um convite à ação coletiva. Schwab e Vanham deixam claro que não existe solução isolada: os desafios são sistêmicos e exigem respostas coordenadas. Revisar instituições globais, fortalecer cooperação internacional e alinhar incentivos econômicos a objetivos sociais e ambientais não é idealismo, é pragmatismo diante da complexidade atual.
O livro se dirige especialmente a líderes empresariais, formuladores de políticas públicas e profissionais interessados em economia e governança. Sua mensagem central é clara: ou o capitalismo evolui para incluir mais pessoas e preservar o planeta, ou perderá sua legitimidade. Em um mundo marcado por crises simultâneas, repensar o papel das empresas deixou de ser opcional.









