Para os empresários da panificação e confeitaria, que têm negócios focados no mercado doméstico, o dólar estabilizado em torno de R$ 1,70 é vantajoso e até motivo de tranquilidade. Já para os colegas do setor calçadista, onde boa parte da produção está voltada ao mercado externo, a taxa cambial da moeda norte-americana continua sendo fator de preocupação e adequações nos rumos dos negócios. Nos últimos três anos, o dólar variou entre aproximadamente R$ 1,70 e R$ 2,20. As taxas mais elevadas ocorreram nos períodos em que o mundo sofreu os efeitos da crise financeira internacional, de 2008 a 2009.“O dólar a R$ 1,70 está bom demais”, afirma animado Alexandre Pereira, presidente da Associação da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip). O principal motivo da avaliação otimista está no preço igualmente estável do trigo. A indústria de panificação consome cerca de 11 milhões de toneladas do cereal por ano. Metade desse volume é importada da Argentina. “O dólar com esse valor gera desenvolvimento sustentável em nossa cadeia produtiva”, ressalta Alexandre.Baixa no volume de negóciosNo setor calçadista o impacto do dólar estabilizado em torno de R$ 1,70 é desfavorável, segundo empresários. Força as indústrias, principalmente as do sul do Brasil, que antes exportavam em média entre 20% a 30% de sua produção, a investirem mais no mercado interno. “O câmbio está difícil para nós. O volume de negócios no mercado exterior baixou bastante nos últimos anos”, queixa-se Isaque Weber, gerente de exportações da Werner Calçados, do município de Três Coroas (RS). A Werner produz calçados femininos e comercializa seus produtos para mais de 40 países.“Há três anos, chegamos a exportar quase metade da produção. Agora vendemos 35% para o mercado externo e 65% para o interno”, informa o gerente. Ele acredita que o dólar permanecerá entre R$ 1,65 e R$ 1,70, apesar de achar que a taxa ideal deveria ficar entre R$ 1,80 e R$ 1,85. “Não significa que iremos desistir do mercado mundial. Vamos tentar conquistar novos parceiros”, diz.Para Isaque, vender no mercado interno é mais seguro e tem menos custos na logística. “Exportar requer gastos com despachantes e burocracia. Além disso, o consumo de calçados no País aumentou 5,3% entre 2009 e 2010”, observa, ao justificar um foco interno maior. No ano passado, a estimativa de consumo per capta da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) ficou em 3,9 pares. Em 2007, foi 3,5, em 2008, 3,6, e em 2009, 3,7 .