O assunto a ser tratado neste breve artigo diz respeito aos aspectos históricos e conceitos que envolvem a comunicação organizacional para fortalecer o agir comunicativo na realidade atual. A relevância de lembrarmos dessa temática se deve ao fato de abordarmos as formas e bases de entendimento da comunicação na organização, de modo que contribuem para reforçar práticas adotadas ou refutá-las, bem como permite pensar, porque não, em novas formas de aplicação da comunicação no e dos negócios ou, de maneira mais ampla, em qualquer tipo de organização. A partir da literatura, percebemos que se destacam dois grandes períodos como referência dos estudos da comunicação organizacional, e claro, extraídos da investigação da realidade à época: de 1900-1970 e de 1970 até o presente momento. No período entre 1900 a 1970 os diferentes conceitos e teorias desenvolvidos apoiaram-se na Doutrina Retórica Tradicional, na Teoria das Relações Humanas e na Teoria da Gestão Organizacional. Posteriormente, de 1970 em diante as abordagens teóricas centraram-se na Teoria Moderna ou Empírica, na Teoria Naturalista e na Teoria Crítica (SCROFERNEKER, 2001). Partindo-se do contexto pós 1970, sobre essas três teorias para nossas discussões sobre o tema temos que: A teoria moderna ou empírica tem os seus objetivos voltados para a medição e controle. A ênfase está no empirismo quantitativo. A Naturalista busca revelar a organização a partir de uma 'verdade' que está fora dela, na medida em que a realidade organizacional é fruto da construção social, isto é, vai sendo construída historicamente. A teoria crítica tem alguns de seus pressupostos teóricos encontrados no materialismo dialético. A organização é vista sempre como uma arena de conflitos: um campo de batalha – o lócus do conflito de classes. E a realidade organizacional é o reflexo desses 'embates', sendo considerada como um 'instrumento de dominação e opressão'. As teorias, independentemente de gostar mais de uma ou de outra, contribuem para observar fenômenos da comunicação, em especial no contexto empresarial. Então, aqui, não tem certo ou errado, sim perspectivas de considerar a comunicação. O que podemos encontrar no trabalho, por exemplo, ao sugerir um tipo de projeto ou ação a ser desenvolvido na organização podemos deparar com uma cultura que puxa mais para um ou outro entendimento. Outro ponto a ser comentado neste texto é que com a evolução e amadurecimento dos estudos na área da comunicação organizacional, também podemos dizer que se conveniou separar a comunicação das organizações pelo menos de dois tipos para uma aplicação prática, bem como para os estudos: comunicação interna e comunicação externa. A comunicação interna seria aquela ligada à comunicação administrativa, às relações de trabalho, ao jornalismo empresarial e à gestão da comunicação. E a comunicação externa seria aquela que se preocupa com as relações entre organização e ambiente, com forte influência das teorias ligadas às Relações Públicas e à Publicidade. Hoje encontramos também outras classificações, entre elas apontamos aquela que apresenta a comunicação organizacional a partir de 4 tipos: comunicação institucional, comunicação mercadológica, comunicação interna e comunicação administrativa, bem como indicações e incentivos para a necessidade de trabalhar os tipos de comunicação de forma integrada (KUNSCH, 2009). Isso porque nos últimos anos a comunicação tem ganhado cada vez mais espaço à medida que se identificaram características que dignificam sua presença no cenário organizacional. Isto é, a comunicação passa a ter um entendimento mais amplo, ou seja, estratégico; possui perspectivas de investimentos na medida em que a comunicação é percebida como essencial; a sua importância aumenta com o mercado altamente competitivo e por conta da conscientização do consumidor sobre seus direitos; pela necessidade de se comunicar com todos os públicos estratégicos, exigência de uma comunicação integrada. Estudiosos da área compreendem que a comunicação tem tanto uma abordagem forte para atender aspectos organizacionais de divulgação e informação quanto potencial para um agir estratégico. Scroferneker (2000) adverte que há a necessidade de ampliar as discussões, contribuindo para (re)posicionar a comunicação organizacional no espaço das organizações, este com viés mais estratégico. Não é fácil na realidade organizacional desempenhar ações e gerenciar quando necessário a comunicação, tendo em vista que a comunicação não é estática, ela é viva. Demandando um cuidado especial dos profissionais quanto a cultura da organização, bem como sobre o ambiente, aliado a isso com a velocidade que as coisas estão mudando com novas tecnologias e novas formas de se viver em sociedade. Do exposto, extrai-se que existem diferentes visões que acompanham o entendimento das várias faces da organização, um ponto de vista funcionalista, construtivista e crítico para ficarmos apenas nesses três, e cada um possui sua contribuição relevante para área de estudo e também para a prática organizacional e empresarial. Ademais, ressalta-se que as classificações suas conceituações facilitam tanto o entendimento sobre a comunicação em si quanto para a ação na atuação profissional, apesar de terminologias distintas utilizadas, olhar a comunicação de forma integrada e como uma ferramenta estratégica pelas organizações é mais que tendência é fundamental. Referências CURVELLO, J. J. A. . Estudos de Comunicação Organizacional: entre a análise e a prescrição. In: XXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2002, Salvador, 2002. KUNSCH, Margarida M. Krohling. Comunicação organizacional: linguagem, gestão e perspectivas. Vol.II São Paulo: Saraiva, 2009. SCROFERNEKER, Cleusa Maria Andrade . Relações Públicas e Comunicação: pressupostos teóricos e interfaces o campo academico e científicos. 2001. ______. Comunicação estratégica: (in) precisões conceituais e dimensões possíveis no contexto das organizações. Revista Media & Jornalimso , v. 18, p. 1-261, 2018. SOUZA, V. M. V. B. ; CURVELLO, João José A. . Comunicação Organizacional, um campo em crescimento -entrevista a Vânia Mara Vasques Balbino de Souza. COMUNICOLOGIA (BRASÍLIA) , v. 7, p. 349-367, 2014.