Resenha: Variação linguística, norma culta e ensino da língua materna

Variação linguística, norma culta e ensino da língua materna é um texto de Ataliba Teixeira Castilho, que discute de maneira clara e objetiva, os aspectos referentes à variação linguística, expondo o conceito de norma e o preconceito existente sobre ela.

RESENHA
CASTILHO, A. T. Variação linguística, normal culta e ensino da língua materna. In: São Paulo (Estado) – Secretaria da Educação, coordenadoria de estudos e normas pedagógicas. Subsídios à proposta curricular de língua portuguesa para o 1º e 2º grau: coletânea de texto. São Paulo: SE/CENP, 1988, p. 53-59. Michelle Cristina Ferreira
Variação linguística, norma culta e ensino da língua materna é um texto de Ataliba Teixeira Castilho, que discute de maneira clara e objetiva, os aspectos referentes à variação linguística, expondo o conceito de norma e o preconceito existente sobre ela. Além disso, o autor também apresenta a ideologia da norma e a construção da norma culta do português brasileiro. E por fim, comenta sobre o ensino da variação linguística e da norma culta, concluindo que os professores de português ainda mantêm o ensino centrado na norma padrão. Ao descrever os conceitos de norma, o autor explica as diferenças entre o conceito amplo e o conceito restrito. No seu sentido amplo, a norma pode ser compreendida como um fator de coesão social, sendo esta a representação do dialeto de cada região. Na segunda concepção, “corresponde aos usos e atitudes de determinado segmento da sociedade” (CASTILHO, 1988, p.53), desse modo, a norma é considerada como culta, sendo sua linguagem praticada pela classe prestigiosa. Logo, é exposto pelo autor, a existência de preconceito em relação à norma prescritiva, visto que, a norma culta é considerada a linguagem padrão e é transmitida pela escola como sendo a modalidade correta a ser praticada. Todavia, Castilho defende que, não há uma norma correta ou errada, mas sim, variantes de prestigio e desprestígio, cada qual, dependendo do meio em que o falante está inserido. Dessa maneira, linguistas como Cunha e Cintra (2007, p.4) acreditam que, “todas as variedades linguísticas são estruturadas, e correspondem a sistemas e subsistemas adequados ás necessidades de seus usuários”. Contudo, Castilho explica que, o prestigio social é instável, porque o que é prestigioso em uma determinada época pode tornar-se obsoleto em outra, assim, a linguagem também possui seu período de decadência. Outro ponto levantado, é que, muitos acreditam que o português culto é o escrito, o que não é correto, pois há um português culto falado e um culto escrito, sendo que, o escrito é mais conservador que o falado. Além disso, existe um engano ao identificar a norma como um conjunto de regras rígidas, visto que, a variação linguistica afeta também a norma, e assim, para cada situação, há modalidades de linguagem estipuladas.

É valido dizer que, segundo o autor, este preconceito existente deve-se ao fato de que, a Gramática Normativa se fundamenta em critérios incoerentes e a mesma é uma disciplina que antecedeu a Linguistica. Isto ocorre, porque há a mistura de argumentos próprios da língua e argumentos da natureza estética, política e historicista. Portanto, caso se faça um estudo sobre os conceitos de norma presentes em nossas gramáticas, serão encontradas algumas definições que fogem de certos conceitos extralinguísticos. Posteriormente, de forma clara e objetiva, o autor descreve alguns fatos que marcaram a constituição da norma culta do português no Brasil. Um destes marcos aconteceu durante o período colonial, que se tomou por modelo, o idioma da metrópole como norma idiomática, com isso, os escritores nacionais escreviam suas obras com o objetivo de agradar ao público português, devido aos altos índices de analfabetismo da população brasileira. Somente no Romantismo, que se houve a confirmação da linguagem brasileira, com a criação da Academia Brasileira de Letras. Todavia, foi através do rompimento de Graça Aranha com a Academia de Letras, que foi compreendido a necessidade da elaboração de um dicionário com vocábulos e expressões que representassem o cotidiano brasileiro, aproximando assim a língua falada da língua escrita. Finalmente, o autor encerra, questionando o ensino da variação linguística e da norma culta, ressaltando que a educação sempre favoreceu as classes médias e altas, por possuírem o domínio da norma culta. Logo, ele expõe a necessidade que as escolas possuem de renovarem o ensino, pois, é preciso considerar o quanto é brusco a imposição do padrão linguístico frente às variedades desprestigiadas do português. Neste sentido, o linguista Marcos Bagno (2004, p.11) diz que “toda língua comporta variações de duas ordens: em função do falante (ou, em termos de comunicação, do emissor) e em função do ouvinte (ou do receptor, e também das circunstâncias em que se produz a fala)”. Em suma, concluímos que o presente trabalho, expõe claramente a resistência existente nas escolas em relação ao ensino das variedades linguísticas. Isto é evidente, porque até tomarmos ciência da presente obra, compreendíamos que somente a norma culta era a norma correta. Infelizmente estamos alienados a certos ensinamentos que desprezam as outras variantes da língua, e ignoram a cultura e o dialeto de cada região. Logo, passamos a compreender que a valorização de todas as variantes, consiste em preservar os traços culturais e as origens individuais. O linguista Sérgio Nogueira, na sua página no G1, publicou recentemente, que é preciso respeitar a tradição gramatical, estando sempre atento aos novos conceitos. Em seguida, brilhantemente ele expôs que “se a língua é viva, ela evolui, ela se transforma. Radicalizar é

perigoso. E é impossível “engessar” qualquer língua.” Portanto, não é preciso ignorar o que aprendemos, mas devemos aceitar que tudo se renova inclusive a linguistica, sendo fundamental ter a consciência de que para determinada situação, há uma variante adequada a ser utilizada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
NOGUEIRA, Sergio. O ‘certo’ e o ‘errado’ andam lado a lado na língua portuguesa. Disponível em: http://g1.globo.com/platb/portugues/2012/08/29/o-certo-e-o-errado-andam- lado-a-lado-na-lingua-portuguesa/>. Acesso em: 04 nov. 2012.

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