Tirando os carunchos do feijão
Tirando os carunchos do feijão

Tirando os carunchos do feijão

Há um oceano de oportunidades, e outro de problemas. Você escolhe em qual deles navegar

Lembro-me de que quando minha avó, dona Zifa, ia cozinhar feijão, ela colocava todos os feijões do pacote espalhados numa mesa, e dizia para separarmos os melhores, jogando fora todos os que não estivessem bons, além de eliminar algumas sujeiras que vinham juntos, como alguns carunchos, que eram uns bichinhos esquisitos em meio aos feijões.

Depois de cozidos os feijões, ficavam uma delícia com farinha de milho, um prato que no Sul chamamos de virado de feijão.

Tenho visto que na nossa vida é a mesma coisa. Nós escolhemos o que queremos viver. O problema é que a maioria das pessoas não tira um tempo para analisar e fazer as escolhas certas. Elas não espalham os feijões sobre a mesa para tirar os carunchos.

O Brasil tem e sempre teve, um oceano de oportunidades, e ao mesmo tempo, outro de dificuldades. A diferença está em escolhermos em qual oceano que queremos navegar.

Há, por exemplo, milhões de desempregados atualmente. A maioria escolhe reclamar, ou esperar que o governo ou alguém solucione seu problema.

Por sorte, uma boa parte faz escolhas diferentes, como ir à um supermercado, comprar dez latinhas de refrigerantes a dois reais cada, e ir à uma partida de futebol amador, num estádio qualquer, e vendê-las por cinco reais, faturando então trinta reais de lucro. Depois, volta ao mercado, compra mais dez latinhas, e adiciona dez paçocas a cinquenta centavos cada, para no outro dia, ir à outro evento, e vender o refrigerante a cinco reais, e a paçoca a um real cada, lucrando mais do que no primeiro dia.

Certa vez, orientei um rapaz que me procurou para que eu o ajudasse a arranjar um emprego. No meio da conversa, perguntei se tinha alguma habilidade especial. Ele me disse que sabia fazer bolos e alguns outros doces, pois havia aprendido com sua falecida mãe. Inquiri o porquê não fazia bolos em pote para vender, além de outros docinhos, até que arranjasse um emprego fixo.

Duas semanas depois ele apareceu em meu escritório com uma caixa cheia de bolos e doces. Muito feliz fui até ele para comprar. Assim que escolhi e fui pagar, ele me disse: “professor, esse é um presente meu para o senhor, não precisa me pagar. Só nesta semana ganhei duas vezes mais do que ganhava o mês inteiro".

Outro menino que conheci numa ótica, me perguntou se poderia vender meus livros para ter uma renda extra. Topei na hora, pois já tinha essa modalidade de parceria com outras pessoas. Em pouco tempo, ele estava ganhando um salário comercial extra vendendo livros.

Isso significa que podemos fazer escolhas na maioria das vezes. Podemos escolher ficar desempregados reclamando, ou empreendermos em algo para manter nosso sustento e dignidade. E, também, que não precisamos sair de um trabalho para ganharmos mais. Podemos dedicar o mesmo empenho de um empreendedor, dentro da empresa na qual estamos trabalhando neste exato momento, nos oferecendo para ajudar alguém com cargo superior, pedindo mais trabalho ao nosso chefe. Afinal, toda liderança adora pessoas que querem navegar no oceano das oportunidades.

Enfim, há quem decida nadar nas dificuldades, enquanto outros navegam no oceano de oportunidades que sempre existiu concomitantemente com o outro.

As pessoas que decidiram não fazer nada além de lamentar a vida dura e infeliz que têm, geralmente, gastam os poucos recursos que possuem com algo que não traz a elas resultados melhores. Muitas gastam com cigarros, cervejas, jogos, ou até em cursos que prometem deixar você rico em um mês. Elas não percebem que, assim como em todo pacote de feijão, há carunchos que precisam ser retirados para que o feijão fique saboroso, e isso leva tempo, na vida também se leva bem mais do que um mês para fazer sucesso, e fumar, beber, jogar e reclamar, combinam bem mais com fracasso.

Eu me recordo que ainda criança, saía com meu amigo Luciano, vender alface em um carrinho de mão. Fazíamos aquilo para ter algum dinheiro para comprar doces. Enquanto a maioria dos nossos amigos pediam para que alguém comprasse e desse doces a eles na cantina da escola, nós já empreendíamos para comprar doces por nosso próprio esforço.

É por isso que eu afirmo que sempre houve, há, e haverá um oceano de oportunidades e outro de dificuldades.

Infelizmente, muita gente vai cozinhando a sujeira e os carunchos junto, e algumas pessoas fazem até pior: jogam os feijões bons fora, e ficam com o resto, lamentando a vida toda.

E como é que você escolhe em qual dos oceanos navegar? Basicamente, depende de você jogar os feijões sobre a mesa, e escolher os melhores para cozinhar, tirando a sujeira e os carunchos que o impedem de enxergar as oportunidades.

Forte abraço, fique com Deus, sucesso e felicidades sempre.

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