Relacionamento com a comunidade: por quê?

Por que as empresas devem investir nas comunidades do entorno? Como podem desenvolver essa relação?

Dentre as boas práticas de gestão empresarial de stakeholders, o relacionamento com a comunidade do entorno tem papel importante nas estratégias de mercado. Para além da simples política de ‘boa vizinhança’, afinar-se ao desenvolvimento dessas comunidades faz parte do crescimento sustentável de uma empresa. É o que pensa também o Instituto Ethos, referência em Responsabilidade Social Empresarial no Brasil:

A comunidade em que a empresa está inserida fornece-lhe infraestrutura e o capital social representado por seus empregados e parceiros, contribuindo decisivamente para a viabilização de seus negócios. O investimento pela empresa em ações que tragam benefícios para a comunidade é uma contrapartida justa, além de reverter em ganhos para o ambiente interno e na percepção que os clientes têm da própria empresa. O respeito aos costumes e culturas locais e o empenho na educação e na disseminação de valores sociais devem fazer parte de uma política de envolvimento comunitário da empresa, resultado da compreensão de seu papel de agente de melhorias sociais. (ETHOS, 2007).

Esse relacionamento garante o desenvolvimento sustentável, além de aumentar o valor agregado a imagem da empresa junto ao governo, trabalhadores, concorrentes, clientes, parceiros e fornecedores. Se considerarmos que boa parte dos trabalhadores de uma empresa geralmente são moradores das áreas adjacentes, o impacto da empatia gerada com a comunidade tem grande reflexo na motivação e integração desses funcionários.

As empresas podem gerar ações que contemplem trabalho voluntário corporativo dentro dessas comunidades; criar comitês comunitários, onde questões relevantes sejam discutidas; realizar palestras sobre saúde e meio ambiente nas comunidades; promover oficinas de capacitação para geração de renda ou até mesmo formação empreendedora para os microempresários locais. Há muitos pontos nos quais investir, basta apenas perceber qual deles poderá gerar melhores impactos e contemplarem, preferencialmente, uma atuação a longo prazo com objetivos claros.

A atuação social da empresa pode ser potencializada pela adoção de estratégias que valorizem a qualidade dos projetos sociais beneficiados, a multiplicação de experiências bem sucedidas, a criação de redes de atendimento e o fortalecimento das políticas públicas da área social. O aporte de recursos pode ser direcionado para a resolução de problemas sociais específicos para os quais se voltam entidades comunitárias e ONGs. A empresa também pode desenvolver projetos próprios, mobilizar suas competências para o fortalecimento da ação social e envolver seus funcionários e parceiros na execução e apoio a projetos sociais da comunidade. (ETHOS, 2007).

Vale lembrar que essas ações, não fazem da empresa uma substituta do governo, mas ela inclusive pode ser um agente de mobilização em conjunto com a comunidade. A ação coletiva fortalece a cobrança de melhorias aos governos locais, somando forças para uma transformação da região.

Froes Neto (2004) propõe alguns parâmetros objetivando a mensuração das relações empresa-comunidade, a saber:

A) Quanto ao tipo e natureza da relação, se direta, através de projetos sociais, ou indireta, por meio de doações e apoios
B) Quanto ao foco da relação, se está centrada em problemas sociais prioritários, ou em secundários
C) Quanto ao alvo das ações, se focalizado e direcionado para comunidades e populações-alvo, ou dispersa para comunidades e segmentos populacionais
D) Quanto à natureza das ações, se são ações de inserção ou de fomento ao desenvolvimento social ou de voluntariado
E) Quanto ao escopo da relação, se restrita a um único órgão ou entidade, ou se mais ampla, envolvendo diversos parceiros
F) Quanto ao impacto das ações, se contribui para a melhoria da qualidade de vida da população ou se, além disso, também contribui para o desenvolvimento sustentável da comunidade local ou regional

O que podemos perceber é que a empresa não pode existir sem atentar para essa prática de relacionamento. É como pedir uma ‘licença para operar’. Assim, o importante da relação empresa-comunidade é a manutenção datransparência do diálogo, o respeito à cultura local e a cooperação mútua.

Como está o relacionamento da sua empresa com a comunidade do entorno?

Referências

Instituto Ethos. Temas e Indicadores. Disponível em: <http://www3.ethos.org.br/>. Acesso em: 25 de setembro. 2015.

NETO, Francisco P. de Melo; FROES, César. Gestão da responsabilidade social corporativa: o caso brasileiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004.

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