Profissionais e empresas éticas
Profissionais e empresas éticas

Profissionais e empresas éticas

A ética tanto de profissionais quanto de empresas vem sofrendo abalos gigantes nos últimos tempos. Resgatar boas práticas é responsabilidade de funcionários e empresas

Nosso país passa por uma era de escândalos que nos remete a pensar no profissional ético. As empresas estão na busca por esses profissionais que devem estar aliados aos valores e cultura da empresa. Mas, e quais valores e cultura têm a empresa que vou trabalhar? Existe a velha máxima que não deixa de ser verdadeira: “se existe o corrupto, existe o corruptor”. Não temos alternativa, enquanto país, enquanto empresa, senão buscar profissionais éticos.

As entrevistas de emprego têm se tornado cada vez mais direcionadas para descobrir profissionais que ao menos transmitam segurança nas respostas evidenciando sua imagem social de honestidade e de ética. Mas a empresa não tem como ter certeza do caráter do candidato e tampouco que ele seguirá os valores da empresa. Por isso as entrevistas têm buscado muito mais detalhes da vida pessoal do entrevistado.

É importante que o entrevistado se posicione de maneira objetiva e com justificativas aceitáveis para as questões. Não adianta ser uma pessoa na entrevista e suas redes sociais abalarem esta imagem que você está tentando passar. Hoje as empresas buscam informações em diversas fontes e sua coerência, ou incoerência, é decisiva.

Embora as empresas tenham muitos cuidados, não estão livres de golpes e falcatruas. Aqui a importância da liderança se faz ainda mais necessária. Metas inatingíveis, por exemplo, pode levar, muitas vezes, funcionários a desrespeitarem as normas da empresa na busca por uma vantagem competitiva. O comportamento antiético na disputa por promoções e cargos mais elevados certamente, se não detectado, poderá trazer prejuízos de imagem e até financeiros para a empresa. Ter em seus cargos de gestão empregados comprometidos com um passado não recomendável desestimula e agride os demais funcionários.

Os escândalos recentes em grandes organizações nacionais e multinacionais que eram (ou ainda são) ícones não só denigrem a imagem mas afetam diretamente o quadro de funcionários que trabalha honestamente e busca ascensão profissional. O comportamento de maus líderes interfere em carreiras honestas de funcionários honestos. Por isso, muitas empresas já têm canais para que denúncias de comportamentos possam ser feitas. Nestes casos, o anonimato deve ser preservado para dar liberdade às denúncias. Obviamente a empresa deve ter cuidados e filtros para não se torne um “denuncismo”, muitas vezes apenas para prejudicar alguém de quem não se gosta.

O psicólogo e escritor americano Daniel Goleman relaciona o trabalho com sete ingredientes chave que são fundamentais para quem busca colocação ou ascensão profissional. O trabalho está relacionado com a vida das pessoas e, muitas vezes, se dá mais valor ao mesmo quando não se tem ou quando se perde-o. Por isso, respeitando e aplicando esses ingredientes, automaticamente estaremos sendo éticos e provavelmente a empresa reconhecerá. Veja quais são os sete ingredientes:

  1. Confiança - O senso de controle e domínio do próprio corpo, da mente, comportamento e visão do mundo. Confiar na probabilidade de vencer naquilo que empreender. Confiança não significa arrogância;
  2. Curiosidade – O senso de que descobrir coisas é positivo e dá prazer. Perguntar por que as coisas são feitas daquela maneira pode desencadear uma nova ideia de melhoria naquela atividade;
  3. Intencionalidade – O desejo e capacidade de causar impacto e explorar isso com persistência. Esse ingrediente está relacionado com a competência e habilidade de ser eficiente e eficaz;
  4. Autocontrole – A capacidade de controlar e modular as próprias ações de forma apropriada ao posto ou cargo ocupado na organização. É necessário respeitar o seu controle interno. Não é possível a velha máxima: “eu sou assim”;
  5. Relacionamento – Entrosar-se com outros é uma capacidade que precisa ser amplamente desenvolvida. É preciso ser entendido e entender os outros.
  6. Capacidade de comunicar-se – O desejo e capacidade de trocar verbalmente ideias, sentimentos e conceitos com outros está relacionado ao senso de confiança nos outros e de prazer no entrosamento com eles. A comunicação, embora tenha nos últimos anos se tornado muito virtual, não deve dispensar o contato direto. É imprescindível a interação típica com as pessoas;
  7. Cooperação – A capacidade de equilibrar as próprias necessidades com as dos outros nas atividades de grupo. Saber trabalhar em equipe, embora pareça óbvio, ainda é uma dificuldade para muitos.

Conciliar o que a empresa espera do funcionário e o que o funcionário espera da empresa não é uma tarefa fácil. A valorização da ética e o desejo de contribuir com a formação de bons profissionais é um caminho que as empresas devem percorrer. Um funcionário não pode ir angustiado ao trabalho porque não se identifica com a empresa. Seu rendimento será muito aquém daquele esperado pela empresa.

Os anseios e as expectativas dos profissionais mudam por vários motivos. Hoje, talvez o mais inconstante desses motivos seja a idade. Geração “X”, geração “Y” ou qualquer outra geração (seja qual for a denominação) têm características básicas que as áreas de recursos humanos das empresas devem estudar. Há excelentes empresas capazes de entender e atender às diferentes expectativas profissionais. Por isso, conhecer as empresas onde vai distribuir currículos é um passo importante para evitar um pesadelo. Sem critério de escolha, a chance de sucesso é muito menor.

Nestes casos, pesquisas como a Great Place to Work (GPTW), que relaciona as melhores empresas para se trabalhar, pode ser um caminho a ser perseguido. A pesquisa certamente ajuda empresas e candidatos a buscarem um ambiente melhor de trabalho. As organizações que são classificadas neste tipo de pesquisa normalmente celebram os resultados, uma vez que além da boa imagem distribuída pelo país e exterior, também viram objeto de desejo dos melhores profissionais. Essas organizações costumam manter programas voltados para qualificar e manter funcionários, utilizando as melhores práticas de mercado.

Por fim, para ser um profissional de qualidade e ser decisivo na superação dos diversos desafios que a carreira impõe, mostrar que a empresa precisa do seu talento é a melhor e mais segura forma de garantir o emprego. E a ética vale para todas as idades.

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