Porque a taxa do CDI é muito próxima da taxa Selic?

Este artigo demonstra o porquê essas taxas são muito próximas nas operações no mercado financeiro

Inicialmente, faz-se necessário explorar os conceitos de taxa CDI e taxa Selic, para melhor embasamento e entendimento das funcionalidades dessas taxas no mercado financeiro.

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é um título emitido por um banco que precisa de recursos financeiros, o qual é vendido para outro banco que se torna o seu credor. O banco credor recebe este certificado que serve para garantir que o banco devedor irá pagar a dívida mais os juros. O cálculo dos juros pago pelo banco devedor é obtido através do acúmulo de todas as taxas CDI diárias divulgadas pela CETIP (Central de Título Privados) durante o período do empréstimo, assim, este empréstimo é pós-fixado. Estes certificados só podem ser negociados no mercado interbancário, ou seja, de banco para banco. Esta é a taxa referencial para o cálculo de juros de muitas operações bancárias do dia a dia das pessoas e empresas, tais como: empréstimos de capital de giro, capital rotativo, além de balizador de remuneração de alguns fundos de aplicação realizados diretamente nos bancos.

A taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é oriunda da especulação diária sobre a próxima meta Selic (entenda a diferença da taxa Selic e da meta Selic neste artigo http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/meta-selic-x-taxa-selic/87305/) que será definida pelo Copom (a cada 45 dias). Essa especulação do mercado financeiro se dá pelos acontecimentos diários na economia brasileira e mundial, o que reforça os impactos da globalização nas políticas macroeconômicas de todos os países.

Devido o Acordo de Basiléia, que tem como objetivo criar exigências mínimas de capital, que devem ser respeitadas pelos bancos, como precaução contra o risco de crédito e crise sistêmica no mercado financeiro; os bancos precisam fechar seus “caixas” diários com valores que atendam as exigências mínimas de capital, garantindo a liquidez do sistema. Quando o fechamento do caixa de um banco é deficitário, este está autorizado a emprestar dinheiro de outro banco, através do CDI, que irá gerar uma taxa de juros a ser paga no próximo dia, se por ventura o banco devedor não tiver saldo para pagar a dívida no dia, este irá rolar a dívida até saldar o que deve.

Como muitos dos bancos operam no mercado primário (os chamados dealers - instituições financeiras credenciadas pelo Tesouro Nacional e Banco Central do Brasil, com o objetivo de promover o desenvolvimento dos mercados primários e secundários de títulos públicos), estes são os maiores detentores dos títulos públicos, que por sua vez, são negociados no mercado secundário. Os dealers encontrando uma diferença entre as duas taxas (CDI e Selic), podem auferir ganhos em operações sem riscos, a chamada arbitragem.

Se a taxa Selic for maior que o CDI, um banco pode obter empréstimos via CDI de outros bancos, e aplicar na taxa Selic, gerando assim um ganho financeiro. Contudo, quando outros bancos percebem a discrepância dessas duas taxas, tendem a fazer o mesmo, e com isso os juros do CDI irão aumentar, devido à procura por este produto, e irá se aproximar da Selic, inibindo ganhos expressivos. É por isso que as taxas CDI e Selic são próximas em seus fechamentos diários no mercado financeiro.

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