Por que é tão difícil tornar-se um administrador pleno?

O que fazer para tornar-se um administrador pleno? Que trajetória seguir?

Esta pergunta perturba a muitos administradores que, assim como eu, passaram alguns anos no banco da faculdade para, ao final, não verem os seus esforços reconhecidos, pelo menos em um primeiro momento. Esta dificuldade e estas dúvidas já não fazem mais parte das incertezas que um dia rondaram as noites de sono de um jovem profissional. Hoje, olhando para trás, torna-se mais clara a resposta a esta pergunta, a qual reside em alguns pontos centrais.

A administração é uma profissão de elevado grau de complexidade, assim como outras que exigem muito conhecimento técnico. Um médico, por exemplo, gasta 06 anos para completar o ciclo básico e, feito isto, ainda dedica-se mais 02 anos à especialização. E com o administrador? O que acontece? A diferença reside no fato de que, ao formar-se, o administrador não irá exercer sua função de maneira plena. Na melhor das hipóteses, irá trabalhar em algum setor de uma empresa, exercendo uma atividade relativamente fragmentada. Com isso, passará muitos anos da sua vida profissional fazendo apenas uma parte de um trabalho, sem conseguir aplicar o conhecimento que adquiriu na faculdade. Como é sabido, o conhecido, para que faça sentido e solidifique-se, deve ser colocado em prática. Sem realizar um trabalho que exija o conhecimento da profissão, o que foi aprendido será esquecido e, com isso, a rotina e a monotonia ocuparão o lugar do interesse pela profissão.

Atualmente, depois de mais de 15 anos de formado e de uma extenuante rotina de capacitação e envolvimento em projetos aplicados, torna-se possível perceber como é difícil a formação de uma sólida base e como é preciso haver profunda dedicação. No meu caso, quase uma rotina de devoção e entrega total. Não quero dizer com isso que a formação dos administradores precise passar por uma prova de fogo tão longa e dura, mas também não posso deixar de observar que, uma curta formação e uma experiência parcial não são, nem de longe, o suficiente para a formação de um profissional de primeira linha. É preciso muito mais do que isto.

Se fosse aconselhar a um jovem administrador hoje, olhando tudo o que já vi e passei, recomendaria algumas coisas, dentre elas:

1- Não menospreze os conteúdos vistos na faculdade, eles serão necessários em outros momentos. Mesmo que não seja você a pessoa que irá implementa-los, você precisará sabê-los para coordenar.

2- Se a empresa na qual você trabalha não é um lugar desafiador e não há perspectiva de melhora, envolva-se em projetos que exijam aplicação do conhecimento. Envolva-se em projetos de pesquisa, de consultoria, de capacitação. Estes são, de verdade, os lugares onde o conhecimento é aplicado.

3- Não se preocupe com a remuneração. Esta deve ser a última prioridade neste momento. Quem está recrutando não está disposto a pagar bem a quem quer aprender. Se você não estiver disposto a trabalhar por pouco (ou por nada), essa equação nunca irá fechar. Como é você a parte mais interessada, abra mão da sua parte.

4- Estude, estude e estude. A rotina de estudar e aprender não deve ser atrelada a um curso ou a uma pós, deve ser uma rotina, incansável e repetitiva. Não espere por um novo curso para começar a aprender algo novo. Pegue os bons livros sobre o tema de interesse e comece agora mesmo, por conta própria, sozinho.

5- Ande com os bons. Ser bem relacionado é fundamental para participar de bons projetos. Via de regra, quem coordena este tipo de projeto é muito bom no que faz e, de certa forma, assediado por alunos e pessoas que querem aprender. Esteja sempre por perto, mostre seu potencial e interesse. Deixe claro que seu objetivo é o aprendizado e não a remuneração.

Bom, é claro que este texto não pretende indicar um único caminho, mas dentre muitos, este é um bom caminho, que pode funcionar muito bem para muitos alunos e estudantes que, de certa forma, não percebem uma luz na longa trajetória da formação profissional convencional, especialmente quando esta acaba misturando-se à falta de oportunidade e de uma rotina extenuante em uma empresa regular e pouco desafiadora.

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