Café com ADM
#

Gestão das relações humanas na organização

Componentes básicos como a percepção de mundo, paradigmas, aprendizagem, comunicação, emoções e relacionamento vêm encontrando, cada vez mais, espaço dentro das organizações. Faz-se necessária uma nova concepção a respeito do ser humano, percebendo suas capacidades, subjetividade, consciência crítica e necessidades de auto-realização. Entretanto, uma percepção neste nível, acerca do ser humano, acontece a duras penas. Tal fato se deve em razão de o homem manter um modelo mental ou idéias profundamente enraizadas, que determinam padrões de comportamento com relação ao modo de encarar o mundo. Em muitos casos, a gestão de Recursos Humanos numa organização, ainda utiliza paradigmas antigos. Um exemplo clássico desta forma de se administrar é a separação física dos ambientes e o isolamento gerado pela divisão de trabalho. Os tempos mudaram e as necessidades também. Contudo, a persistência nestes modelos mantêm-se firmes. É certo que encontramos neles a esperada produtividade capitalista, porém, há que se rever mudanças. Não obstante, já podemos enxergar o alvorecer de novo paradigma. Surge uma nova mentalidade nas pessoas, ressaltada nas transformações pessoais, tornando-as mais fortalecidas, levando-as a refletir sobre seus reais desejos e aspirações. As pessoas têm o potencial para administrar as suas vidas, individual e conjuntamente. O que falta são as condições propícias para a geração destas oportunidades, tais como ambientes favorecedores, que respeitem e estimulem o crescimento de seus colaboradores. Lideranças que se importem verdadeiramente, e com conhecimento, os recursos humanos que compõem a organização. O ser humano precisa caminhar na direção de seu próprio desenvolvimento. Para alcançar a maturidade as pessoas precisam buscar primeiramente a alteração do estado de dependência para o de independência e, em seguida para interdependência. Desta forma, torna-se viável o crescimento pessoal e profissional. A organização beneficia-se como um todo, devolvendo aos seus colaboradores esta boa atmosfera de oportunidades e de qualidade de vida. É um movimento dialético. Vivemos uma época em que enxergamos sistemas em vez de partes; interconexões, que entrelaçam o mundo numa unidade e isto nos coloca em maior consciência a respeito de nossa interligação com as outras pessoas e as coisas. A interdependência é mola mestra para a realização de muitas tarefas organizacionais. A força obtida da união de várias pessoas traz constantes benefícios. Fortalecimento da auto-estima, do companheirismo, do respeito, da comunicação, da aprendizagem, das competências, dos resultados, dentre outras questões. Com este novo paradigma que cresce em terreno fértil, avista-se a responsabilidade do gestor de recursos humanos. Ele compreende que, para manter este rico processo em funcionamento, demanda uma gestão de aprendizagem. Organizações de aprendizagem formam pessoas que desenvolvem a sua maestria pessoal em conjunto com a realidade, e que aprendem a expor e reestruturar modelos mentais, de maneira colaborativa. As mudanças são o oxigênio da sobrevivência. Percebemos isso em nossas constantes transformações bio-psico-sociais, e, em crescente demonstração: as organizacionais. Aprender em todos os níveis numa organização vem ganhando força à medida que se percebe que a liderança não deve existir num pedestal de conhecimento e poder, ou do poder do conhecimento. Neste contexto, o líder que serve aos outros acerta e erra, buscando sempre aprender, garantindo um aprendizado contínuo, por meio de desenvolvimento de habilidades e atitudes. Para acompanhar as mudanças constantes é preciso existir um nível flexível e habitual de aprendizagem. É possível gerar mudanças na forma de se construir o conhecimento, levando as pessoas a uma reestruturação de seu modelo psíquico. Para que as mudanças encontrem terreno fértil nas mentes humanas é necessário que, antes, ocorram mudanças nos próprios modelos de se pensar. Isto gera autonomia e maior poder de reflexão nas pessoas. Vivemos em constante aprendizagem. Não percebemos isto em virtude das pequenas diferenças que ocorrem em cada nova aquisição. Aprender novos paradigmas, a partir das construções subjetivas e individuais que cada pessoa possui é um caminho que pressupõe liberdade para o aprender, além de estímulo existente, pura e simplesmente no cotidiano de uma organização. Paradigma, conforme descreve o dicionário: é um modelo, um padrão ou protótipo. Serve como instrumento de auxílio quanto à tentativa de descrição da realidade subjetiva do mundo em que vivemos. Uma forma de organizar as infinitas impressões que recebemos desde o nascimento, e que nos acompanham até a morte. Portanto, paradigmas são importantes. Todavia, aprender a modificar-se para gerar e adaptar-se a novos paradigmas é fundamental. Em suma, o nosso modelo mental se forma e se fixa em paradigmas, facilitando os processos de trabalho atividades em geral. Contudo, as mudanças, constantes e inerentes ao ser humano, demandam novos paradigmas no lugar de outros, que acabam se tornando insuficientes e obsoletos. Na vida organizacional, onde o relacionamento humano não encontra espaço necessário para o desenvolvimento de potencialidades, bom fluxo de comunicação, respeito e estímulo à aprendizagem, e formação de unidade na diversidade que cada pessoa possui, muitos obstáculos são gerados. O gestor de Recursos Humanos deve, prioritariamente, alcançar esta compreensão. Ele deve rever, primeiramente, a si próprio. Observar o seu modelo mental de aprendizagem e de se situar nos paradigmas. Deve, ainda, buscar a integração humana, fomentando a relação de mão-dupla na comunicação e na aprendizagem. Desenvolver a consciência sobre as questões subjetivas (emoções, sensações etc), entrelaçadas às objetivas (sistemas, resultados etc) do ser humano, causando uma percepção mais integrada destas partes que caminham, há tempos, desunidas, causando todo tipo de mal-estar nas pessoas. É preciso gerar confiança e autonomia nas pessoas. Quando percebemos este tipo de política e de atitudes dentro da organização, somos convidados a participar mais. Desta forma há motivação conspirando a favor do nosso desenvolvimento. A liderança que compreende este tipo de gestão, e faz dela uma bandeira a ser hasteada diariamente na vida dos recursos humanos, possibilita a evolução da unidade organizacional, com independência e interdependência. Isto é possível de ser aprendido. É preciso se despojar do egoísmo e crescer. Partilhar o saber e as emoções da comunidade que forma uma organização. Alguém tem que dar o primeiro passo. O gestor de Recursos Humanos, consciente da complexidade nas relações humanas, bem como das ferramentas hora existentes, alia-se aos companheiros de trabalho, e facilita o acesso às potencialidades que cada um deve descobrir internamente, reflexiva e voluntariamente. Este trabalho que se assemelha ao de um sábio, requer constante avaliação e interparticipação, haja vista que, quem entra nesta esfera espiral ascendente, não quer outra coisa senão o crescimento.
ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.