Dentro de uma universidade federal é possível enxergar um universo de realidades diferentes, é o lugar onde podemos encontrar de início uma diversidade de valores familiares gigante, mas por fim, é onde todos saem com a racionalidade crítica aguçada e com a coragem de agir apagada. Vejo que a interpretação crítica é parte fundamental na formação de estudantes, pois é dela que temos o surgimento de cidadãs e cidadãos capazes de enxergar o sistema e sua regra de jogo, bem como criticá-lo, aceitá-lo e se propor a mudá-lo. Mudá-lo, quero que foquemos nesse artigo nessa curta palavra. Quando jovens, especialmente na adolescência, tendemos a criar uma posição crítica conforme a realidade que nos é apresentada, erroneamente, muitos direcionam essa visão de mudança a “rebeldia sem causa”. Digo erroneamente, pois o resto de nossas vidas provavelmente vamos passar reclamando das condições reais que não nos favorecem. Em uma visão estratégica é um erro descartar a fase de identificação de problemas, pelo menos é assim que tratamos no mundo dos negócios. Uma boa análise SWOT passa pelo ponto de procurarmos o que devemos resolver. Portanto, é um verdadeiro desperdício descartar as críticas levantadas por adolescentes, apenas pelo fato deles não terem a devida habilidade em sua comunicação. A discriminação do comportamento de mudança adolescente não vem apenas com o erro de interpretação dos espécimes mais velhos, vem acompanhado de um erro estratégico do próprio jovem. Nessa fase temos pouco conhecimento sobre os tipos de poderes de influência, já deixo aqui, a recomendação de pesquisa sobre a diferença entre o soft-power e hard-power. Na primeira etapa de amadurecimento costumamos ser menos racionais, e seguir por soluções mais instintivas, coisa que contrariam e muito nossa natureza como sapiens sapiens. Soluções instintivas são aquelas ligadas ao uso da força para aniquilação do problema, é o chamado hard-power. Em parâmetros geopolíticos podemos colocar atos de terrorismo como uma estratégia de Hard-power, já que usam o medo e a força para promover as mudanças pretendidas. Conforme vamos avançando na etapa de amadurecimento começamos a enxergar que a resolução por meio da força é eficiente apenas em alguns casos extremos. – Aqui faço uma pausa para lembrar que ainda velhos temos espécimes agindo como jovens, são os chamados imbecis ou babacas, característicos por nos surpreender com sua falta de maturidade. Voltando a explicação das soluções adotadas por exemplares dos sapiens mais experientes, podemos notar que as soluções partem de atitudes menos agressivas e mais estratégicas. Para mim, o ápice desse tipo de resolução foi a chama “não-violência” pregada por Gandhi na independência da Índia. Gandhi, um advogado Hindu com formação em Oxford, percebeu que a reação violenta ao domínio inglês era prejudicial ao próprio movimento de emancipação. Já que no tabuleiro situacional da época as leis eram regidas pelos britânicos. A violência era tudo que o império precisava para deslegitimar e reprimir os atos. A “grande alma” como era chamado Gandhi, propôs boicotes coletivos, promoveu fogueiras com as roupas fabricadas na Inglaterra, mas nunca usou do Hard-power. Gandhi era um mestre da estratégia, era um mestre do chamado soft-power. Não pegou em uma arma e libertou uma nação do maior império ocidental em poderio bélico na época. Voltando a terceira e quarta linha do nosso raciocínio podemos perceber que os jovens universitários brasileiros são expostos a excelentes identificadores de problema do sistema, mas nossa educação falha ao nos ensinar a como mudá-lo. É a partir daqui que vamos analisar a importância da educação empreendedora, a decadência da militância política e a importância do sentimento de se empoderar. Como ainda sou estudante, felizmente tenho que voltar aos mesmo afazeres, mas prometo continuar nosso progresso semana que vem. Até breve 🙂