Gerações de brasileiros nasceram e foram criados aprendendo que Samba, Carnaval e Futebol estão enraizado na identidade nacional. Livros foram escritos, teses foram publicadas, músicas, filmes e documentários retratam que a nossa cultura está entrelaçada com a ginga, com a dança, com a alegria e com o jogo nas vielas de terra batida e bolas feitas de meia. Quando a Fifa abriu a Copa do Mundo de 2014, sem glorificar o nosso samba, sem enaltecer os nosso compositores, nossos cantores, sem retratar dignamente a nossa cultura e a nossa beleza, ficamos incomodados, talvez até perplexos, mas a vida segue em frente. Decidimos abrir as nossas ruas, acolher os visitantes, mostrar aos turistas que somos o povo do abraço caloroso, do sorriso doce, da alegria contagiante, mostramos e assumimos aos olhos mundo que temos muitos problemas, mas que a nossa alma sabe conviver com a adversidade, que encontramos força para superar grandes obstáculos. Ressaltamos que mazelas como a desigualdade social, a corrupção, os baixos índices de educação, saúde e segurança pública, nos entristecem e corroem o nosso presente. Mas lutamos diariamente, contando com a garra do nosso povo e com a fé no nosso Deus brasileiro. No dia 08 de julho de 2014, o Brasil se vestiu de verde e amarelo, cantarolamos a mais bela melodia que representa a nossa nação: o hino brasileiro. Os torcedores observavam o adversário do dia com cautela e respeito, queríamos ganhar, poderia ser de 1×0, poderia ser de 2×1, poderíamos até empatar antes da prorrogação. Mas a verdade é que perder não estava nas nossas estatísticas reais, porque sonhávamos com as seis estrelas brilhando nos corações brasileiros. Porém, lá no fundo, lá no interior da nossa alma, sabíamos que nas competições e nos jogos existem ganhadores e perdedores, e que uma combinação de sorte, tática, talento e esforço iria fazer a rede balançar em algum dos lados. Os alemães com sua cordialidade e simpatia nos trataram com respeito, foram humildes, se quisessem a goleada poderia ter balançado a rede mais do que sete vezes. Outrossim, o povo sofrido dos trópicos, que acorda cedo, trabalha duro, ganha pouco, vive uma batalha diária, luta ardentemente, sobrevive e encara a guerra da superação com tamanha coragem, viu seu sonho e sua esperança desmoronar. A nossa identidade, a marca do nosso país foi dilacerada a cada gol. A dor, a indignação e a incredulidade abraçaram 200 milhões de torcedores. Lógico que poderíamos perder, mas teria que ser com bravura, com garra, com raça. A apatia e o fracasso que dominou os jogadores não condizem com os corajosos brasileiros que constroem o país diariamente. As lágrimas que caiam dos olhares das crianças traduziam uma pergunta que gritava no nosso inconsciente coletivo: Se não somos o país do futebol, QUEM SOMOS NÓS?