Brasil, o país do futuro... Até quando esperar?

Nos idos dos anos 80, a economia do país enfrentaria uma grave recessão. Queda dos investimentos, baixas taxas de crescimento do PIB, estagnação da renda per capita, elevado déficit público e aumento das dívidas interna e externa. Era a “Década Perdida”. Em 1984, nossa inflação atingiria impressionantes 224%, o maior índice já registrado no Brasil

A primeira vez em que se ouviu a expressão ‘Brasil, o país do futuro’, foi em 1941 quando, um assustado e conceituado escritor, de origem austríaca, refugiando-se das bárbaries cometidas durante a 2ª Guerra Mundial na Europa, se instala no Rio de Janeiro e sob a perspectiva de um estrangeiro, diz que um país como o Brasil, repleto de potencialidades deveria ser visto com um olhar no horizonte e que seu passado ou seu presente não seriam tão relevantes quanto seu futuro.

Sweig, em sua primeira visita ao Brasil (1940) escreveu, da Bahia, ao seu cunhado:

"Você não pode imaginar o que significa ver este país que ainda não foi estragado por turistas e tão interessante - hoje estive nas cabanas dos pobres que vivem aqui com praticamente nada (as bananas e mandiocas estão crescendo em volta) e as crianças se desenvolvem como se estivessem no Paraíso -, a casa inteira, desde o chão, lhes custou seis dólares e, por isso, são proprietários para sempre. É uma boa lição ver como se pode viver simplesmente e, comparativamente, feliz - uma lição para todos nós que perdemos tudo e não somos felizes o bastante agora, ao pensar como viver então".

Apesar da entusiasta e reflexiva projeção acerca de nosso país, Stefan Sweig, não viveria mais que um ano após a perpetuação de seu conceito. Não se frustraria com aquilo que seria almejado por muitos de nós, até os dias de hoje: Ser, de fato, e um dia, o país do futuro. Em 1942, suicidou-se com sua esposa frente à forte depressão que sofrera em virtude do avanço da 2ª Grande Guerra e da entrada da América no confronto.

Vivíamos uma grande explosão populacional. Na década de 40 a média de filhos por mãe (TFT - Taxa de Fecundidade Total) era de 6,1 e nos anos 60 chegaria a 6,8. A população urbana saltava de 30% nos anos 40 para mais de 40% nos anos 50. A população aumentava, se dirigia rumo aos centros urbanos que se constituiam e, ali viveriam mais. Sim, a expectativa de vida, no país como um todo, saltava de 41,5 para 51,6 anos, como veremos adiante.

Aumentava também, a largos passos, a desigualdade social, alimentada pelos índices entre sul/sudeste e norte/nordeste. Enquanto no mesmo período a expectativa de vida aumentara de 43,5 para 57,5 anos no Sudeste, para o Nordeste iria de 36,7 a 41,7 anos de vida. As diferenças entre o Nordeste e o Sul, que chegaram à 19 anos na expectativa de vida, nas décadas de 60 e 70, seriam reduzidas para 5 anos mas, somente em 2005.

É, o ritmo dos passos já não era tão célere mas, apesar disso, o futuro parecia estar sendo preparado.

Durante a ditadura militar o país viveria uma situação economicamente paradoxal: O Milagre Econômico Brasileiro. Um crescimento econômico nunca antes visto, concomitante à índices inflacionários extremamente elevados. O PIB variava entre 7% e 13% ao ano. Estatais nos segmentos de petroquímica, siderurgia e energia foram criadas e favoreciam o desenvolvimento da infraestrutura do país. Por outro lado a inflação oscilava entre 39,5% (1965) a 20,5% (1973).

Isso não era muito para os patamares da época, basta sabermos que em 1964, no ano do Golpe Militar, tivemos uma inflação superior a 87% e com crescimento de 3% do PIB. Vale, em tempo, ressaltar que entre 64 e 73 tivemos triplicada a dívida externa brasileira. Nos idos dos anos 80, a economia do país enfrentaria uma grave recessão. Queda dos investimentos, baixas taxas de crescimento do PIB, estagnação da renda per capita, elevado déficit público e aumento das dívidas interna e externa. Era a “Década Perdida”. Em 1984, nossa inflação atingiria impressionantes 224%, o maior índice já registrado no Brasil.

Nos anos 90, se deu início à Reforma do Estado e à liberalização comercial e financeira. Era a chegada da globalização. Quebras de paradigmas, problemas políticos internos, traumas financeiros após inúmeros planos econômicos mal sucedidos, uma economia frágil compunham um cenário de instabilidade que se refletiria em números e insatisfação popular. Cai, por impeachment, o primeiro presidente eleito por voto direto popular após a ditadura militar. Tempos difíceis.

Na virada do século XXI, a média de filhos por mãe (TFT) é de apenas 2,4 e com projeção do IBGE de que este índice seja de 1,51 em 2030. Somos, em 2015, 205 milhões de brasileiros. Seremos 223 milhões em 2030.

Ainda de acordo com o IBGE, a população de 0 a 39 anos em 2015 que é de 67% do total, será em 2030 equivalente à 54%. A tendência no Brasil, assim como no mundo, é de que nós nos tornemos mais velhos e com a diminuição das taxas de natalidade farão com que os jovens tenham, gradativamente, cada vez menor peso nos números absolutos.

Nossa economia também não nos inspira ser, mesmo 73 anos depois, o ‘país do futuro.

Ao final de 2014, tínhamos uma inflação oficial de 6,41%, com a taxa de desemprego em 6,8% (um pouco abaixo de 2013, quando foi de 7,1% da População economicamente ativa). O PIB fechou em 0,1%. A estimativa para 2015, é de que a média mundial seja de 3,9%, enquanto o Brasil previa crescimento de 1,2%. No ‘desandar da carruagem’, após revisões de críticos, especialistas e do próprio Governo, caso se confirme o resultado de uma queda de 1,7% no PIB, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%.

Em 2015, nossa população de pessoas acima de 60 anos, chega a aproximados 12%. Em 2030 este número terá um incremento de 50% de crescimento, chegando a 18% da população total. De 40 a 59 anos, são 24% do total, esta faixa também crescerá, em menor ritmo, saltando para 28% em 2030. De 20 a 39 anos, nossa população representa 33%. Esta faixa etária sofrerá redução percentual de 10%, enquanto de 0 a 19 anos, nossos jovens somam a marca de 31% da população, nossos jovens representarão somente 24% da população em 2030.

As décadas se passaram, crescemos, encolhemos, vivenciamos tanto fervor político e econômico e envelhecemos, sem que um país mais justo e respeitoso fosse preparado para nossos idosos. Desde o sucateamento da Previdência Social às políticas sociais que não contemplam ‘a melhor idade’, que em 2030 terá em números absolutos mais de 40 milhões de pessoas acima dos 60 anos, contra 25 milhões atuais.

É. Envelheceremos e não vimos, ou veremos, nosso tão sonhado ‘país do futuro’.

Desculpe Sweig mas, não deu!

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