Café com ADM
#
Amador Aguiar: a gloriosa e trágica história do ex-presidente do Bradesco
Amador Aguiar: a gloriosa e trágica história do ex-presidente do Bradesco

Amador Aguiar: a gloriosa e trágica história do ex-presidente do Bradesco

Do banco da praça até a presidência da maior instituição financeira privada da América Latina, Aguiar construiu um patrimônio de R$ 800 milhões

Amador Aguiar é um mito do empresário brasileiro, aquilo que se espera do próprio país no cenário internacional: um humilde trabalhador braçal com pouco estudo que emerge das massas e, através do trabalho estóico e disciplinado, conquista o seu império e fortuna. Sem trambiques nem malandragens, fez de uma pequena agência bancária de Marília (SP) a maior instituição financeira privada da América Latina, o Bradesco, que atualmente conta com um total de ativos superior a US$ 369 bilhões e 85 mil funcionários.

Aguiar teve uma educação escolar precária. Aos 13 anos abandonou os estudos para ajudar o pai, João Antônio Aguiar, na lavoura de café de uma fazenda em Sertãozinho (SP). Três anos depois, fugiu para o município de Bebedouro (SP), atitude atribuída ao comportamento violento de seu pai. Chegou a dormir em um banco de praça e passou fome até conseguir trabalho em uma tipografia na cidade. No novo emprego, teve o dedo indicador da mão direita amputado em uma máquina impressora.

Seu primeiro contato com o mundo das instituições bancárias foi como contínuo no Banco Noroeste. Em dois anos, já ocupava o cargo de gerente: segundo o próprio Aguiar, a asma o impedia de dormir tranquilamente à noite, e, durante o tempo em que ficava acordado, estudava tudo o que podia sobre operações bancárias.

Sua história no Bradesco começou quando foi contratado como diretor-gerente, em 1943, da Casa Bancária Almeida e recebeu 10% das ações, que não tinham grande valor na época. Só em 1963 ele viria a se tornar o presidente do banco, substituindo José da Cunha Jr. Ele ocupou o cargo até 1984, passou dois anos afastado e reassumiu até 1990, pouco antes da sua morte.

Durante o caso da era agrária e o amanhecer dos pequenos negócios no Brasil, o Bradesco se destacou por atender aos empresários urbanos, enquanto os bancos maiores ofereciam linhas de crédito aos grandes fazendeiros. Com o advento da informática, o Bradesco foi o primeiro banco da América Latina a adquirir um computador para agilizar o processamento diário dos dados e possibilitar o acesso a extratos diários dos clientes – operação inédita até então para um banco. Também foi o primeiro a adotar cartões de crédito, em 1968.

A Fundação Bradesco, instituição dedicada a prestar ensino de qualidade para jovens de baixa renda, foi uma das maiores sacadas do empresário. Aguiar entendia a necessidade de formar jovens capacitados para atuarem dentro das agências e construírem uma carreira no Bradesco. A primeira escola da rede foi aberta em 1962; hoje são 40 escolas em todo o Brasil e mais de 112 mil alunos matriculados.

Após a morte do banqueiro, em janeiro de 1991, começaram as brigas judiciais no seio familiar, que se estendem até hoje. Da fortuna original de R$ 860 milhões, só sobraram R$ 150 milhões que as três filhas, a viúva e os 11 netos disputam.

No começo dos anos 2000, os netos do banqueiro venceram uma das pelejas. Mas em 2010, a Justiça decidiu que o testamento feito por Aguiar um mês antes de sua morte, destinando toda a herança para a sua última esposa Cleide Campaner, quarenta anos mais jovem, era legítimo. Os demais herdeiros alegavam que o banqueiro não estava em perfeita sanidade mental quando assinou os papéis. Durante o processo, a imagem de Amador Aguiar como o mais bem sucedido self-made man do Brasil foi reduzida à de um idoso louco, incapaz de discernir suas próprias ações.

Linha do tempo

1904 – No dia 11 de fevereiro, em Ribeirão Preto (SP), nasce Amador Aguiar
1925 – Começa a trabalhar como contínuo no Banco Noroeste, em Birigüi (SP)
1943 – É contratado pelo recém-fundado Banco Brasileiro de Descontos
1963 – Assume a presidência do Bradesco
1990 – Se afasta das atividades e recebe o título de "Presidente Emérito da Organização Bradesco"
1991 – Após meses de tratamento contra a asma, morre aos 86 anos

ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.