A tola mediocridade de ficar “em cima do muro”
A tola mediocridade de ficar “em cima do muro”

A tola mediocridade de ficar “em cima do muro”

Alguns indivíduos não têm posicionamento, sofrendo com a covardia e fraqueza de suas ações por fugirem dos confrontos através de uma vida omissa e tipicamente negligente

O halloween surgiu no longínquo festival da colheita celta, em um ambiente cheio de misticismos e crenças onde as pessoas baseavam-se nas estações do ano para comemorarem o ciclo da vida. Neste terreno espiritualmente macabro, muitos cidadãos acreditavam que a noite era dominada por criaturas fantasmagóricas que assombravam e solapavam o lugar, como uma espécie de nuvem negra que pairava sob a atmosfera para torná-la malignamente trevosa e endiabradamente temerosa.

Com a sábia intenção de apagar essa escuridão e afastar essas bestas torrenciais do alcance de seus pés, os integrantes do ninho celta criavam meios inteligentes para clarificar o vale em que habitavam para reforçarem a luz e enfraquecerem as trevas. Além disso, tinham o costume bizarro de se vestirem como zumbis para “imitarem” essas entidades do mal, trajando roupas para confundirem esses monstros e persuadi-los a pensarem que eles eram “do time”. Como se não bastassem todas essas maluquices, esse grupo ascético se reunia disciplinadamente para oferecer comidas, bebidas e até mesmo, sacrifícios humanos para essas paranormalidades, impulsionados logicamente, pelo medo e pavor que tinham desses seres enigmaticamente desconhecidos.

Contudo, o mais interessante do festival não são essas alegóricas e estranhas movimentações, e sim a magnífica história da cabeça de abóbora. Ficou curioso? Então passemos para o segundo estágio: contam que um sujeito chamado Jack ao morrer não pôde entrar nem no céu, nem no inferno, sofrendo a penalidade de vagar eternamente no meio do percurso (como uma alma penada). O céu foi fechado para ele porque o mesmo tinha uma vida de pecados constantes e maldosos e o inferno não o recebeu pelo motivo da “rincha” que existia entre ele e o próprio cabeça do tártaro: o diabo.

Mas aonde fica a abóbora nessa fábula? Ocorre que ao se desligar do inferno – em uma de suas passagens pelo lugar – Jack foi surpreendido pela ação maldosa do demônio, que lhe atirou um pedaço de carvão envolto ao fogo. A vítima, que estava devorando um suculento nabo, apanhou o objeto fervente e o enfiou dentro do referido legume, criando uma luminária que reluzia um clarão e fazia o estimado personagem herdar um amuleto que o acompanharia até o fim dos tempos.

A tradicional abóbora que conhecemos atualmente é fruto dessa lendária e estrambólica narrativa. Obviamente, os “alimentos foram trocados” - o nabo foi carinhosamente substituído pelo legume de cor alaranjada -, todavia a origem vêm categoricamente do algoz do capeta (Jack), que é homenageado todos os anos do dia 31 de outubro ao dia 01 de novembro. Logo, todas às vezes em que esse objeto reluzente se evidenciar na presente data, não se esqueça: é uma sublime alusão ao medieval conto do referido renegado – o homem que pairou eternamente entre a cintilância e a turvação.

Semelhantemente a essa mitológica e entusiasmante crônica, a vida de uma pessoa que é morna (nem quente e nem fria) tende a estagnar no universo lúgubre do nada, tendo em conta que é somente AGINDO que uma criatura alcança sua IDENTIDADE. Seguramente, essa virtude apenas pode ser gerada por meio de uma escolha, o que derruba automaticamente uma atitude pífia de evasão, relapso ou suprimento que algum ser queira mediocremente praticar.

As desvantagens de ficar “em cima do muro”

Em primeiro lugar, quem age com intenção de abraçar o mundo e agradar a todos não ostenta uma conduta verdadeira, tendo em vista que age pelos seus interesses e não pelas suas convicções. Em outras palavras, por medo de ver o dedo acusativo do próximo apontado para a sua face, esse sujeito simplesmente ceifa o que apraz o seu par e executa, mesmo que isso custe quebrar seus princípios e linhas morais. Por conseguinte, todos perdem, tanto o executor (que vende sua alma em prol de motivos torpes) quanto o receptor (que recebe uma informação falsa e hipócrita), que pensam ingenuamente e pateticamente que são amigos.

Em segundo lugar, um ser humano adulto, no pleno gozo de suas faculdades mentais, não pode ter medo de emitir uma simples opinião ou de externar uma racionalização de impacto só porque ela é contrária aos desejos do contingente social enraizado, dado que se acovardar diante de um caso específico apenas dará força para os antidemocráticos e arrogantes de plantão moldarem e potencializarem seu reino individualista e ditatorial a custa de seus escravizados “súditos”. Em outros termos, é a coragem que amedronta o espírito das trevas e o faz romper com as injustiças, porfias e inimizades praticadas, devolvendo ao mundo a paz e serenidade que ele merece ludicamente desfrutar.

Em terceiro lugar, se um cidadão está evoluindo seu intelecto e resolve guardar essa alienação tola no meio do processo (sendo politicamente correto), tudo o que essa mentalidade absorveu de conhecimento e sabedoria será preso/acorrentado em uma ínfima caixinha de metal, expirando eternamente no lodo pútrido da máxima ignorância. Pois pense comigo: se a busca suprema de um nobre coração é encontrar a verdade em todas as instâncias que regem o seu núcleo, traçar um caminho inverso é regredir ao invés de avançar, declinando nas areias sórdidas de uma decisão esdrúxula e tipicamente insensata.

Em quarto lugar, essa frouxidão faz seres humanos aceitarem pacificamente pessoas intolerantes as ideias inversas, isto é, faz os mesmos acatarem as falácias ignóbeis de gurus tiranos que rejeitam argumentos antagônicos e reflexões opoentes, dando margem vasta para esses estúpidos ditadores plantarem suas estratagemas manipuladoras para alienarem astutamente suas marionetes descerebradas. Ora, quem tem poder para excluir a liberdade intelectual do outro? Há alguém apto a ter tamanha soberania em um reino de seres absolutamente análogos? Certamente que não! E sendo extremamente benevolente e complacente, afirmo categoricamente que quem aceita essa anarquia infernal é no mínimo um “bobão”, pois joga fora a maior dádiva que o universo lhe deu, a saber: o inoxidável livre-arbítrio.

Em quinto lugar, um indivíduo que age para adular seus pares, aceitar preceitos úteis e inúteis como se fossem a mesma coisa e, principalmente, não se comprometer com nenhum organismo conflitante é tão somente um cadáver vivo, visto que perdeu a força cósmica do seu lúdico brio interior, ou seja, sua capacidade singular e originalíssima de julgar os fatos como eles verdadeiramente são.

Em sexto lugar, em um ambiente de pensamentos semelhantes ao extremo, ninguém está aprendendo nada. E a razão é extremamente simples: a criatividade simplesmente não existe, pois foi tirada propositalmente de circulação. Logicamente, o plano que comanda esse homeopático habitat é a repetição e ela funciona mais ou menos da seguinte forma: uma ideia é estrategicamente lançada e o grupo se ajunta imediatamente para imitá-la, como uma espécie de lavagem cerebral em série em que todos copiam uns aos outros prazerosamente e exaustivamente em prol do sempar objetivo lançado inicialmente pelo supervalorizado “líder” (que é o artífice energúmeno desse tóxico tabuleiro e sobrevém meramente para envenenar a todos).

Em sétimo lugar, a maior frustração humana é ter uma existência pautada em falsas transmissões, onde um sujeito traça um comportamento onde as mentiras enganam (inacreditavelmente) a ele mesmo, desperdiçando assim, a divina oportunidade de ter uma vida de liberdade e total independência: seja manifestando seus sentimentos e sensações, ou tendo mais alegria e menos aborrecimento no cotidiano, ou amando mais a natureza e os animais, ou aproveitando os lazeres e as brechas que impulsionam consideravelmente a felicidade, ou sendo uma pessoa que se orgulha de dizer a verdade sem receios de sofrer retaliações ou conspirações, ou se conectando mais com o próximo para compreender seus anseios e aspirações, enfim possuindo uma alma desacorrentada e prestes a alçar voo para que seus sonhos possam tocar os céus, bem como suas infinitas e sublimes constelações.

Decerto, ao vislumbrarmos essas sete incontestáveis visões, percebemos taxativamente que quem adota esses comportamentos idiotados traja um coração extremamente fraco, desesperançoso e anticriativo, o que torna sua personalidade um amontoado de materializações que não correspondem com as suas intrínsecas crenças pessoais - uma alma de mentira -. Usando letras diferentes, esse indivíduo caminha em círculos e jamais encontrará o fim da legítima trilha, porquanto volta seus olhares sempre na mesma direção: o que faz sua interpretação ser comprometida por nuvens e rastros embaraçados criados pelas inerentes insipiências de sua confusa e estulta aura.

A alegria de ter uma posição ousada e valente

Aprendi com o filósofo Soren Kierkegaard a importância de fazermos nossas escolhas com o coração na mão, procurando agir com intuição e desengano regularmente. Essa reflexão é preciosíssima porque somos exatamente aquilo que escolhemos ser, de sorte que o nosso futuro será montado com base no presente que detalhadamente arquitetamos.

O irônico disso tudo é que se um ente não têm sua virtude edificada sob uma rocha impenetrável e irremovível, ficará largamente exposto aos poderes ilusórios que existem em nosso planeta, sendo ludibriado por forças que tentarão seduzi-lo e arrastá-lo para o fundo do abismo por meio de objetos sedutores e astutamente persuasivos. Trocando as palavras, se uma criatura ostenta uma fé pequena, ela não poderá jamais impor suas concepções e valores, sendo sobrepujada facilmente por não crer nas racionalizações brotadas em seu peculiar íntimo intelectual.

Indubitavelmente, não é nada fácil ser uma entidade de decisões veementes nesse universo autocentrado e egocêntrico em que vivemos. As pessoas da nossa era se esqueceram completamente que o que enobrece uma essência é a pratica do amor ao próximo e as sublimes orbes da sinceridade. Lamentavelmente, grande parte dos integrantes do nosso multifacetado vale vivem apenas para os próprios desejos e volições (egoísmo), cruzando os braços ferozmente para os problemas graves que a sociedade humana enfrenta e fechando implacavelmente seus âmagos para a caridade sem interesses sorrateiramente envolvidos. Por isso, o genial líder Mahatma Gandhi acertadamente disse: “Se ages contra a justiça e eu te deixo agir, então a injustiça é minha.”

A vista dessas inquestionáveis verdades, grandes inteligências são constituídas de entendimentos que querem o bem para si e para os seus semelhantes, compartilhando conhecimentos e informações sem nenhum tipo de restrição ou barganha, batalhando exaustivamente para a dignidade humana ocupar o posto máximo dos tabuleiros existentes e lutando incansavelmente para que os princípios da honra e da idoneidade permeiem sempre o topo dos referidos cenários montados.

Não podemos nos esquecer ainda, de uma fatídica veracidade pouco ministrada pelos poderes estabelecidos: a imaginação é maior força da personalidade humana, dado que tudo o que construímos ao longo da nossa existência provém dos nossos pensamentos que se materializam em ações e nos fazem ser bons ou maus, generosos ou individualistas, otimistas ou pessimistas, virtuosos ou libertinos. De uma forma mais simples: o homem é detalhadamente e esmiuçadamente aquilo que ele crê. Por conseguinte, se suas ideias forem positivas ele será uma criatura extraordinária, propagadora de numerosas esferas morais e éticas, mas se forem negativas, não passará de uma entidade vil e mesquinha, adornada de fétidas e perniciosas ramificações.

Desta forma, é imprescindível fomentar pensamentos virtuosos continuamente e solidamente nas entranhas mais profundas da alma, trocando a indiferença pelo altruísmo, a auto-realização pela caridade, a demagogia pela autenticidade e o coleguismo pela amizade, buscando conceber que os corações se embriaguem com a taça da servidão suprema para se fortalecerem ao mesmo tempo em que contribuem para a otimização variegada do universo.

Essa mudança de conduta renderá frutos raros e especiais para todos aqueles que assim se permitirem viver, generalizando uma casta formosa de atributos que destruirão oásis negros e dilacerarão alegorias tenebrosas por intermédio de dinâmicas intrépidas e tipicamente versáteis. Como bem disse Jesus Cristo: grandes homens são como o sal da terra, eles dão sabor aos alimentos para que o mundo não se torne uma planície destemperada e neutramente sem paladar, figurando uma mesa saborosa pela arte peculiar de distribuírem pratos ludicamente diversificados e pela magia lunar de compartilharem ideias singularmente inspiradas.

E quando essa aventura estrambolicamente entusiasmante acabar, todos poderão prazerosamente saber que ser um “banana” é algo frívolo, microscópico e somente mentes apequenadas aceitam tamanha imbecilidade. Diferente titanicamente de ser irreverente, que permitirá seu executor transformar o ambiente e torna-lo absolutamente propício ao intelecto grandioso e as suas excelsas e inefáveis subdivisões.

Que possamos então, ter essa sagacidade para que tenhamos mais amor as nossas percepções pessoais, rompendo o padrão embasbacado do senso comum para que a galáxia tenha mais disparidade e excentricidade – entregando para os seus habitantes muito mais do que simples vantagens e regalos, mas uma genuína porta para a multíplice criatividade individual.

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