A importância da contabilidade gerencial para as micro e pequenas empresas

As organizações estão sempre em constante desenvolvimento e também mergulhadas em um mundo cada vez mais competitivo, fazendo com que as estratégias sejam obrigadas a estarem em sintonia com os objetivos da empresa, principalmente os objetivos financeiros. Isso mostra o porquê das empresas estarem sempre realizando altos investimentos em questões financeiras e gerenciais, pois buscam sempre a melhor e mais segura maneira para analisar seus pontos patrimoniais e financeiros. Para esse empreendedor obter as melhores informações possíveis, a Contabilidade vem munida das mais amplas ferramentas e conceitos para se conseguir a melhor análise possível. Para aprimorar essa análise e deixá-la a mercê da empresa, nada melhor que a Contabilidade Gerencial, que estará em sintonia com todos os acon-tecimentos de ordem operacional e financeiro da empresa. Além de suas ferramentas, a Con-tabilidade Gerencial trás consigo a chance de conseguir obter a melhor forma de tributação para sua empresa, ou seja, realizar um planejamento tributário tendo como base as ferramentas da Contabilidade Gerencial. Como forte aliada, a Administração Financeira trás conceitos e métodos imprescindíveis para a consumação de uma boa análise patrimonial e financeira, fazendo um vínculo de suma importância com a Contabilidade Gerencial. Assim, verifica-se a importância da Contabilidade Gerencial como ferramenta de apoio e decisão para as questões patrimoniais e financeiras, colaborando para a gestão adequada de micro e pequenas empresas, onde a mesma contribui positivamente para o desenvolvimento do processo decisório

Aprofundar-se em administração de empresas vai muito além de assinar papeis atrás de uma mesa e realizar diversas reuniões semanais com um monte de relatórios. Administrar é saber lidar com técnicas diferenciadas de áreas de estudos que são interligadas com um único intuito: auxiliar o gestor a alcançar o sucesso empresarial. Dentro dessas áreas de estudo, a Contabilidade destaca-se devido à sua forma estrutural e racional de lidar com números e resultados de forma intrínseca e uniforme.

O objetivo primordial da Contabilidade, segundo Franco (1996), é de registrar, classificar, quantificar e demonstrar todas as variações que ocorrem no patrimônio das empresas, tendo como objetivo fornecer informações para que sejam feitas as devidas análises e tomadas de decisões pelos administradores. Assim, pode-se ter como uma breve conclusão que só existe Contabilidade onde existe um patrimônio a ser qualificado, quantificado e estudado, ou seja, tem-se o patrimônio como objeto primordial da Contabilidade.

Sendo assim, dentre todas as técnicas e ferramentas essenciais para a administração, não se pode deixar de lado a contabilidade, como instrumento especialmente concebido para adquirir informações, registrar dados, resumir e interpretar quantitativamente e qualitativamente todos os fenômenos que pactuam na situação patrimonial da empresa. Pode-se notar que seus conceitos e funções se encaixam e auxiliam para uma boa administração, pois a contabilidade auxilia na organização, no controle, no planejamento e na direção que a empresa deve tomar mediante as situações expostas pelas demonstrações contábeis.

Para situar melhor ainda a Contabilidade dentro de uma organização, as empresas passaram a focar numa espécie de Contabilidade interna, mais flexível e que se adaptava aos moldes e necessidades específicas de cada organização. Dessa forma, surgiu a Contabilidade Gerencial.

Conforme Iudícibus (1998), ela pode ser caracterizada, de um modo geral, como um método formal conferido a diversas áreas e procedimentos contábeis analisados e tratados na contabilidade financeira, na contabilidade de custos, na análise financeira, etc., alocados de uma maneira mais detalhada e apresentada de uma forma diferenciada, baseando-se sempre nos contextos empresariais, juntamente com os fenômenos administrativos e econômicos que podem desencadear sérias decisões na organização.

Partindo para um sentindo mais profundo, a Contabilidade gerencial está voltada exclusivamente para a administração interna da empresa, tendo como objetivo encontrar informações que se posicionem de maneira coerente no modelo decisório do administrador.

Vale lembrar que a contabilidade gerencial não exclui as normas e conceitos adotados pela contabilidade geral, pois ela apenas é derivação da contabilidade geral. As partidas dobradas, lançamentos e escriturações devem ser respeitados para que os relatórios não distorçam o verdadeiro patamar financeiro em que se encontra a organização.

Para poder fazer com que a organização atinja seus objetivos através de suas técnicas e ferramentas com mais clareza, a Contabilidade Gerencial necessita de outras disciplinas de conhecimentos não circunscritos à contabilidade. Ela aproveita conceitos e habilidades trazidas da administração de produção, economia e, principalmente, administração financeira, campo da qual toda a contabilidade da empresa se situa.

Assim, pode-se concluir que todos os procedimentos, conceitos, técnicas, informações ou relatórios contábeis feitos com o intuito de resolver problemas empresariais, analisar desempenhos, justificar variáveis financeiras internas e servirem de base para tomadas de decisões, recairão sobre a contabilidade gerencial.

Um contador gerencial, para Iudícibus (1998), deve ser um componente com uma visão muito ampla, além dos conhecimentos e das técnicas que podem ser alcançados com métodos quantitativos. Deve estar atento aos conceitos e atualidades da microeconomia e, acima de tudo, deve saber como os administradores veem e se sentem ao analisar conteúdos dos relatórios contábeis. Apesar de cada administrador ter suas características próprias, a maioria não aprecia analisar demonstrativos contábeis, como balancetes com trinta páginas para tomar decisões, ou então visualizar um demonstrativo de despesas operacionais na forma débito-crédito, e assim por diante. Se não puderem ser substituídas adequadamente, deverão pelo menos ser mostradas de forma simples e clara, para não gerar incoerências no raciocínio administrativo.

Vale lembrar, que para o responsável pelos processos gerenciais, o método das partidas dobradas é de suma importância para que os relatórios tenham uma sincronia e sejam eficazes em sua amostragem, trazendo confiança e credibilidade para os demonstrativos gerenciais.

Esse método, para Franco (1996), tem como princípio o fato de que não existe um devedor sem credor e vice-versa, ou seja, para cada débito haverá um crédito de igual valor. É esse princípio que faz com que a equação entre ativo e passivo do Balanço Patrimonial chegue a uma igualdade no fim de determinada apuração.

Assim, por exemplo, se uma empresa adquirir um veículo à vista, tem-se a causa (dinheiro) e o efeito (veículo que passamos a ter). Não se trata de duas coisas, mas sim de um fato só, evidenciado em sua dupla forma de observar. Isso gera um registro onde, no exemplo, a conta de veículos passa a receber um débito, e a conta caixa passa a receber um crédito, da seguinte forma:

Débito – Veículos – valor X

Crédito – a Caixa – valor X

Assim, tem-se um registro duplo de mesmo valor X, igualando os valores de crédito e debito.

Com o método das partidas dobradas, é possível analisar os relatórios gerenciais de forma mais analítica e uniforme.

Quando se usa o método das partidas dobradas, a controladoria da empresa consegue gerar, conforme Sá (2008), balancetes de verificação que possibilitarão ao empresário analisar corretamente como estão as movimentações de cada conta contábil, seja ela do ativo, passivo, ou até mesmo contas de Resultado. O balancete de verificação, originado das partidas dobradas, será o apoio principal para a realização da apuração de alguns Tributos e, por fim, para a apuração do lucro ou prejuízo obtido pela empresa no período analisado. Portanto, pode-se dizer que um dos principais objetivos da Contabilidade Gerencial, que é apuração das variações do Patrimônio empresarial, é realizado de forma intrínseca e analítica graças ao método das partidas dobradas.

Para melhorar o desempenho interno da contabilidade gerencial, os relatórios contábeis podem sofrer modificações e serem adaptados conforme o porte e a necessidade dos administradores da entidade. Dentre essas demonstrações, estão: Balanço Patrimonial (BP); o Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE), e o Demonstrativo de fluxos de Caixa (DFC).

Outro ponto importante a ser levantado pela Contabilidade Gerencial é o fato de que essas ferramentas utilizadas por ela podem auxiliar até mesmo no planejamento tributário de uma organização, reduzindo a carga tributária da empresa e, com isso, alavancando seus lucros.

Um profissional que entenda das técnicas contábeis dentro da empresa se tornou imprescindível para a saúde operacional e financeira da organização. Ele será o responsável por unir as informações trazidas da Controladoria interna e da Contabilidade Fiscal e cruzar com as possibilidades de planejamentos tributários que a empresa tem direito, com o intuito de assim conseguir a melhor forma de tributação para que a organização pague o menor tributo possível dentro das legislações vigentes e conseguir, dessa forma, ganhar fôlego para o mercado competitivo.

Quando se estuda Contabilidade Gerencial, é difícil não “tropeçar” nos conceitos da Administração Financeira, já que as duas disciplinas caminham juntos na Controladoria de uma organização.

Para Braga (1989), as funções financeira e contábil utilizam a mesma terminologia, causando certa confusão para alguns gestores e administradores. Porém, é possível distinguir uma de outra quando colocadas dentro de seus conceitos e métodos, mostrando que é dever haver uma concordância entre ambas, onde a função financeira se desenvolverá à margem da Contabilidade Gerencial.

A missão da Contabilidade Gerencial, conforme Braga (1989) encerra-se com a preparação das demonstrações gerenciais, que serão divulgadas conforme a necessidade da empresa para a tomada de decisões operacionais e financeiras. Embora alguns demonstrativos gerenciais sejam preparados à margem do processo contábil habitual, seu conteúdo deve ser alinhado com os valores globais conceituados pela Contabilidade.

A Contabilidade Gerencial preocupa-se com a informação contábil útil à administração. Os administradores financeiros, segundo Braga (1989) utilizam-se dos dados gerenciais para planejamento, avaliação e controle adequado da organização, por meio de um Sistema de Informação Contábil.

Segundo Braga (1989), a função financeira compreende um conjunto de atividades relacionadas com a gestão dos fundos movimentados por todas as áreas da empresa. Essa mesma função é a responsável pela retenção de recursos e pela alocação de uma estratégia voltada para a otimização do uso desses fundos. A função financeira tem um papel de suma importância para o desenvolvimento das atividades operacionais, contribuindo de forma significativa para o sucesso da organização.

Assim, conforme Braga (1989), o objetivo primordial de cada empresa é o de maximizar os lucros e a riqueza de seus proprietários. Essa riqueza é evidenciada através da administração financeira, onde a mesma utilizará as ferramentas necessárias juntamente das técnicas contábeis e gerenciais para que se faça com que todo o lucro obtido pela empresa chegue rapidamente à disponibilidade da organização.

Conforme Braga (1989), as demonstrações contábeis gerenciais, tais como Balanço Patrimonial, Demonstrativo de Resultado e Fluxo de Caixa constituem importante veículo de comunicação entre a empresa e os donos, gerentes e público em geral. Essas demonstrações permitem avaliar a posição econômico-financeira da empresa a partir de comparações entre períodos. Porém, isto dificilmente pode ser feito quando se vê apenas as demonstrações gerenciais de forma bruta, ou seja, sem realizar uma leitura direta desses dados através de instrumentos técnicos de análises que transformam os dados retidos pela Contabilidade Gerencial em índices e informações adequadas para realizar o julgamento financeiro para a tomada de decisão pelos proprietários.

Com essa pesquisa, foi possível notar que a Controladoria interna da organização vai muito além de planilhas, papeis e análises de fluxo de caixa. É necessário saber exatamente cada operação da empresa que possa acarretar em vendas, custos, despesas, aportes, empréstimos, etc., sabendo, além disso, apropriar da maneira correta esses dados e saber quantificá-los e qualificá-los da forma certa, a fim de conseguir os valores mais próximos possíveis da realidade empresarial. Afinal, serão esses dados que farão com que os analistas da empresa possam chegar a uma conclusão significativa para a organização.

Com as normas e procedimentos atuantes, o setor da controladoria consegue manter o objetivo de controles padronizados para que as movimentações financeiras sejam formalizadas. Por meio das Demonstrações Gerenciais, que serão realizadas conforme for necessário, é possível verificar de forma nítida as inconsistências, gargalos, pontos fortes e, principalmente, o andamento do Patrimônio Líquido. A inter-relação e o cruzamento das demonstrações, como a Demonstração de Resultado e o Balanço Patrimonial, mostrarão fortes evidências do que realmente está acontecendo na organização e como isso está refletindo no fluxo de caixa.

Conclui-se, assim, que a Contabilidade Gerencial é uma ferramenta de apoio de suma importância para qualquer administrador, sendo necessária a sua aplicação dentro de qualquer organização. A empresa que adotar suas características como base para as suas situações de controladoria interna, como assuntos contábeis, financeiros e tributários, obterá uma grande quantidade de informações úteis voltadas exclusivamente ao apoio no processo de tomada de decisão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRAGA, H.R. Fundamentos e técnicas de Administração Financeira.1.ed. São Paulo: Atlas, 1989. 416p.

FRANCO, H. Contabilidade Geral. 23.ed. São Paulo: Atlas, 1996.407p.

IUDÍCIBUS,S. Contabilidade Gerencial. 6.ed. São Paulo: Atlas, 1998.334p.

SÁ, A.L. Fundamentos da Contabilidade Geral.3.ed. Curitiba: Juruá, 2008.316p.

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