A emoção acontece muito rápido: 0,25 segundos. Em 0,50 você é capaz de reconhecer qual emoção está sentindo, e em 1 segundo, você toma uma decisão sobre o que fazer. Esse é o tempo médio que leva para reagirmos a algo que nos desperte raiva, alegria ou tristeza, por exemplo.
Despertado esse sentimento, em seguida vem a reação: no caso de Will Smith, que estapeou Chris Rock na cerimônia de entrega do Oscar neste domingo (27), é possível ver que ele vai para o descontrole ao perceber que a esposa havia ficado chateada com um comentário feito por Rock. Que tipo de gatilho foi acionado no ator? Só ele mesmo poderá identificar. Mas o tapa voou pelas redes sociais.
Muitos questionam a piada de mau gosto do ator Chris Rock, e outros, a agressão feita por Smith.
O fato é que a festa do Oscar deste ano, que era para ser a retomada do evento pós-pandemia de uma forma mais leve, acabou virando assunto no mundo por causa de uma agressão.
A agressão física é o extremo de uma reação quando você não consegue controlar a emoção. Smith deixou a amígdala cerebral falar mais alto. A amígdala está localizado no cérebro, no qual primam as emoções básicas, tais como a raiva ou o medo e também o instinto de sobrevivência. Básicas, sem dúvida, para a evolução de qualquer espécie.
A amígdala, essa estrutura em forma de amêndoa, é própria de todos os vertebrados e se localiza na profundidade dos lóbulos temporais, fazendo parte do sistema límbico e processando tudo relacionado a nossas reações emocionais. E aí tem uma série de fatores que podem colaborar para que esses 0,25 segundos não sejam calados. Até fatores hormonais podem afetar a reação de uma pessoa, além de coisas do dia a dia como dormir mal e comer mal, e nesses casos a reação negativa e a intensidade pode ser muito maior. Ninguém sabe como foi a véspera da entrega do Oscar para Smith, que acabou ganhando o prêmio de Melhor Ator. Claro que isso não justificaria, mas é sempre bom sabermos o contexto.
Smith foi sequestrado pela amígdala cerebral e o sentimento negativo falou mais alto. A piada feita por Rock fazia referência a uma doença que a esposa de Smith, Jada, tem e que provoca a calvície. A emoção básica nesse caso venceu. Primeiro vem toda essa explosão que está dentro do nosso sistema límbico, e na sequência, só depois, nós usamos o córtex pré-frontal, que é o nosso lado racional para reagir. É quando a pessoa pode respirar e pensar: “não vou falar ou não vou fazer isso agora, porque se eu fizer ou falar vai ser ruim posso me arrepender depois”. Isso é a evolução da espécie. Will Smith se arrependeu depois de ter sido vencido por sua amígdala, pediu desculpas à Academia e ao público. Rock disse que não vai processá-lo, e a racionalidade colocou os dois astros de Hollywood de volta aos seus devidos lugares. Mas com certeza esse Oscar sempre será lembrado pelo dia em que Will Smith perdeu o controle. E um ponto adicional é que ele mostra inteligência emocional quando volta e pede desculpas.
Quando reconhecemos o erro e nos desculpamos, já é um primeiro passo. Pior seria se ele achasse natural e colocasse a culpa no outro, concorda?
Diante de situações de emoções extremas como essa, como podemos escapar ao controle das amígdalas? Minha primeira dica é: duvide do seu julgamento. Com raiva e de cabeça quente, ninguém tem clareza para tomar boas decisões.
Além disso, se conheça. Se você souber quanto tempo a raiva vai durar, você pode se retirar para tomar um ar até o sangue esfriar.








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