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Rainha Elizabeth II e o novo rei Charles III: um rebranding real

Para quem estuda branding, será interessante observar os desdobramentos da morte da monarca
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Tenho um tio que estava em Londres no começo dos anos 80 andando pelos arredores do Hyde Park, quando se deparou com um homem em cima de um caixote bradando e protestando contra a família real para meia dúzia de espectadores em seu entorno. Meu tio perguntou baixinho para uma das pessoas do porquê o rapaz estar posicionados no alto em cima de um caixote, e a resposta foi: “ninguém pode falar mal da Inglaterra pisando em solo inglês… para fazer isso, ele precisa subir em alguma coisa”. WOW! Que respeito à pátria! Que gesto sutil e respeitoso, não?

Pois bem! RIP: faleceu a Rainha da Inglaterra! Mais do que um mero falecimento, mais do que a uma mudança imediata do hino para agora “God Save the King” e mais do que uma revisão visual de selos e de moedas, faleceu uma senhora de 96 anos e que fez história. Elizabeth assumiu o trono aos 25 anos de idade em 1952. Ela ficou no lugar de seu pai, que reinava desde 1936, e foi coroada dia 2 de junho de 1953. Retirar o nome, a imagem e a iconografia da rainha Elizabeth da vida pública levará algum tempo. Uma das mudanças mais rápidas e diretas, em teoria, será alterar algumas palavras do hino nacional de “Deus salve nossa graciosa Rainha” para “Deus salve nosso gracioso Rei”, mas deve levar algum tempo até que o povo se aproprie da nova versão com confiança. O hino atual está em uso desde 1745. Os Correios, no entanto, já já vão trocar seus carimbos, sendo utilizada agora uma imagem de perfil do novo monarca.

Em um dia como esse, na Inglaterra, toda programação de Rádio e TV é suspensa imediatamente para cobrir apenas o falecimento. E deverá permanecer assim até o dia do funeral. Alguns especialistas dizem que o funeral pode levar vários dias para ser organizado e há quem diga que deverá certamente deverá superar os 2,5 bilhões de espectadores que assistiram ao funeral da Princesa Diana, sobretudo em tempos de conexão global. Mas a coroação de seu filho, que agora imediatamente já virou o Rei Charles III, deverá demorar um pouco, pois fazê-lo logo após a morte da mãe pode pegar mal.

Para quem estuda branding, marcas e consumo como eu, será interessante observar o impacto e os desdobramentos da morte da Rainha Elizabeth. Por exemplo, já estão disponíveis para serem comercializados os ingressos para acesso ao funeral. Sim, bora capitalizar e faturar em cima disso. E claro, milhões e milhões de lembrancinhas, imãs de geladeira, canecas, bonequinhas, chás, chaveiros e coleções na Primark ou John Lewis deverão ser produzidos (será que já não estavam?) e deverão explodir de vender. Observemos.

Embora eu considere algo despropositado a existência de uma família real nesse mundo desigual e surreal que vivemos, tenho um enorme respeito à cultura inglesa. Sim, considero uma afronta moral e um certo exagero a suntuosidade e o excesso de luxo da família real inglesa nesse mundo que habitamos, ainda infestado de problemas muito reais. Meghan e Harry acho que concordam comigo e pularam do barco. Mas respeito e admiro a Inglaterra. Estive lá uma vez em 2016. Por mais que tenha achado a “troca da Guarda” chatíssima, Londres é, provavelmente, a cidade mais incrível que já pus meus pés nessa vida. Nada é igual à Londres. A efervescência da Regent Street, uma avenidona larga em curva ali perto da Picadilly Circus, e que fiquei parado, congelado, hipnotizado ali olhando durante uns minutos a potência daquele planejamento arquitetônico urbano. O bairro de East London, suas megas tendências e a vileza da gentrificação diante de nossos olhos de uma forma muito potente. Londres é única, incrível, magnífica.

Acompanhemos de perto. A morte da Rainha deve reverberar na Inglaterra, na Europa como um todo e ir se desdobrando no mundo como um todo. Culturas se modificarão, novos modos de ser nascerão e as placas tectônicas geopolíticas certamente sofrerão boas movimentações. God save the Royal Rebranding!

(Imagem: iStockPhoto)

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