Na busca de estratégias diferenciadas, muitas vezes até de marketing, as empresas têm encontrado formas diferentes de praticar a filantropia. A maioria das empresas, que praticam a filantropia, ainda realizam as ações de uma maneira qualquer. Fazem doações eximindo-se do controle e da aplicação desses investimentos.
Esta, dá para se dizer que é a filantropia pura, tradicional que tem na doação a sua ação social dominante. As empresas, de uma maneira geral, como agentes doadores, escolhem as entidades para fazerem suas doações transferindo-lhes os recursos para suas empreitadas sociais. Em um de seus livros Francisco Paulo de Melo Neto, diz que a filantropia tradicional tem na doação a sua principal modalidade e os alvos das ações filantrópicas são entidades sociais beneficentes.
Desta forma a filantropia baseada na assistência cria uma dependência em quem é auxiliado, pois traz um conforto momentâneo, porém pode gerar uma perda de autoestima a médio prazo nos auxiliados. Mesmo o assistencialismo bem-intencionado, que acontece com a maioria das empresas doadoras, precisa ser substituído pela nova filantropia. Também é possível perceber em algumas empresas que praticam a filantropia tradicional, que esta é como se fosse um “pagamento de pecados”. Ou seja, a empresa tem alguma “culpa” em determinada área e faz doações como se fosse comprar seu perdão.
Ainda, na filantropia tradicional as ações são espaçadas e muitas vezes não têm continuidade o que torna uma abordagem indireta, pois as doações são invariavelmente para entidades beneficentes.
Mas o que é a nova filantropia? É uma ação de investimento em projetos sociais, feita pelas empresas com um processo de gerenciamento contínuo. Esse processo de gerenciamento, a escolha dos alvos e o trabalho em conjunto é o que diferencia a nova filantropia da filantropia tradicional. A nova filantropia sai do viés caritativo para o desafio da inclusão social.
Esse novo conceito de filantropia prevê resultados voltados para a inovação, mudanças de paradigmas, impacto social e retorno do capital investido. Trata-se de investimentos voltados para o alcance de mudanças sociais efetivas cujo objetivo não é fazer doação, mas auxiliar na criação de programas e projetos sociais visando a inclusão de pessoas em busca de melhores oportunidades.
Empresas que praticam esse novo tipo de filantropia evoluiram de empresas filantrópicas para assumir o papel de agentes do desenvolvimento com estratégias e ações de investimentos sociais. Assim o exercício da filantropia cede lugar ao exercício da Responsabilidade Social.
Neste modelo, o planejamento é um ponto marcante do processo de gerenciamento das ações sociais, pois sem ele, corre-se o risco de ter ações dispersas, isoladas e com isso não atingindo os resultados esperados. Ainda, neste modelo, os alvos são os problemas sociais e segmentos populacionais em situação de risco social e as ações são permanentes baseadas num compromisso social. Este é um novo desafio da gestão moderna. A ação social cede lugar a um processo de transformação social cujos resultados encaminham uma sociedade mais justa.
Também é preciso dizer que este novo modelo normalmente é aplicado por grandes organizações, uma vez que requer um investimento mais alto, o que não invalida ações locais por pequenas e médias empresas. Parcerias são fundamentais neste novo tipo de filantropia.
Este novo modelo, não invalida a filantropia tradicional. Por isso, as doações como estratégias sociais das empresas que optam por selecionar criteriosamente as entidades filantrópicas e que tem seu desempenho monitorado, são ainda muito importantes no contexto em que vivemos. Essas empresas que criteriosamente selecionam as entidades beneficentes e auxiliam a gerenciar a aplicação destes recursos, podem sim, ser intituladas de empresas socialmente responsáveis.
Portanto, focalizar nas áreas de doação, ter ações integradas e convergentes, ter o gerenciamento como fator forte e dominante são práticas desafiadoras que as empresas devem perseguir para que os recursos tenham uma melhor aplicação.








Bruno Perin
Tami Saito

Alessandro Almeida
Aline Rizzo
Marco Antonio Spinelli
Janguiê Diniz

Raquel Torres
Armando Lourenzo









