A capacidade feminina é questionada em todos os espaços, há muito tempo, devido à cultura patriarcal que cultivamos em nossa sociedade. A todo instante a mulher precisa reafirmar suas habilidades, principalmente quando esta possui “características mais femininas”, as quais não são comumente associadas à inteligência, responsabilidade e competência. Tanto que é frequente uma mulher ouvir que faz algo como um homem apenas por realizar isso com habilidade e maestria.
Essas concepções não se eximem do cenário musical, aliás os estereótipos são bastante reforçados nesse meio. Não é ao acaso que as mulheres são mais bem aceitas no Pop, gênero associado à figura feminina e também regado por estigmas ao corpo e “beleza”. Enquanto no Rap e Rock as mulheres ainda estão emergindo, principalmente nos últimos anos, como artistas independentes. Dependendo do gênero musical em que a mulher está inserida, as cobranças e dificuldades serão diferentes.
O Pop, Rap e Rock
Quando falamos de invisibilização, o Pop traz essa carga à aparência das mulheres, ao corpo, às vestimentas, ao cabelo e à maquiagem. Nesse aspecto, dois bons exemplos são Madonna e Alicia Keys. A primeira, considerada Rainha do Pop, apesar de já ter marcado década com seus sucessos, atualmente não é mais chamada aos festivais e premiações, apesar de continuar lançando novos trabalhos, os seus fãs atribuem isso à idade da cantora, que passa dos 50. Já a segunda, em 2016, se tornou foco de críticas por decidir não utilizar mais maquiagem, devido a esse posicionamento, alguns grupos chegaram a sabotar a cantora em redes sociais.
No Rap as mulheres têm ganhado destaque nos últimos anos, principalmente as artistas independentes, mas o cenário ainda é predominantemente masculino. Esse gênero musical é conhecido por muitos como o ritmo dos “gangsta”, no qual os homens falam sobre o que quiserem e em muitas músicas rebaixam as mulheres. É na contramão desse discurso que os versos femininos ganham espaço, músicas que empoderam mulheres e enaltecem sua força têm impulsionado as rappers.
Já no rock, apesar de algumas mulheres terem conquistado fama nas décadas de 80 e 90, o sexismo estava presente e prejudicava o desenvolvimento delas dentro do mercado musical.
Sempre foi domínio masculino, um mundo de homens. E de repente as garotas estavam com uma guitarra. Foi uma reação natural dos homens: ‘Não, você não pode tocar‘. Para mim, de forma lógica, não fazia sentido. Não era que elas não podiam dominar o instrumento, elas não tinham permissão socialmente falando, justamente porque o rock é sexual. (JOAN JETT, em entrevista à revista ―Rolling Stone Brasil‖ em março de 2012)
Dados relevantes
Segundo dados apresentados, em 2019, pela ONG WIM (Women in Music) 30% do setor musical no mundo é composto por mulheres, incluindo também a parte técnica dessa esfera. O que deixa a disparidade entre gêneros ainda mais evidente nesse espaço é o fato de que apenas 10% das mulheres que trabalham com música são convidadas a participar de festivais, segundo pesquisa realizada pelo Spotify, pois geralmente esses eventos são gerenciados por homens, que são condicionados a pensar que o trabalho masculino tem maior qualidade.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Pesquisa e Organização de Dados e Informações sobre o Mercado Musical da Semana Internacional de Música – SIM (2019), 84% das mulheres que participam do mercado musical já sofreram discriminação por causa do gênero no seu ambiente de trabalho. Além disso, 49% das mulheres acreditam que o assedio sexual é uma das principais dificuldades enfrentadas nesse meio.
Como melhorar a situação?
Para romper a estrutura que invisibiliza as mulheres nos diversos gêneros musicais e nos bastidores desse universo, é essencial apoiar o trabalho delas, consumir e divulgar. Plataformas de streaming como Spotify, Deezer, Tidal e outras disponibilizam acesso à musica de artistas independentes as quais você pode ouvir e compartilhar. Além de poder também acompanhar nas redes sociais para mostrar apoio e incentivar o trabalho das mulheres que estão trilhando sua carreira no mercado musical.
Acompanhar uma artista fortalece o seu desempenho, faz com que ela não se entregue aos desafios que encontra no caminho, repleto de estereótipos e preconceitos, que precisa trilhar até obter o reconhecimento da sua arte.
Referências:
DATA SIM. Mulheres na indústria da música no Brasil: obstáculos, oportunidades e perspectivas. 2019








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