Administração de Conflitos A administração de conflitos é uma atribuição natural da liderança, isso significa que as pessoas esperam do líder a resolução dos problemas. Um líder que não trata os conflitos de maneira assertiva, que acredita que eles podem se resolver sozinhos, permite que sua equipe experimente momentos de insatisfação, desmotivação e insegurança. Um fato quando se estudam os conflitos nas organizações é que a contenda está presente em todos os agrupamentos humanos, é impossível evitá-la e, muitas vezes, não é pertinente empregar energia e tempo em uma tarefa potencialmente inviável como esta. Os conflitos podem ser gerados por situações de estresse, medo das mudanças, falhas na comunicação, diferenças de personalidades, pequenas discussões sobre a melhor forma de realizar um processo e até grandes divergências sobre a estratégia da organização, entre outros. Pesquisas realizadas por psicólogos, que deram origem às teorias dos Traços de Personalidade identificaram alguns traços de personalidade inerentes aos líderes, que ocupam posto de comando, as principais são: tolerância ao estresse, autoconfiança, bom relacionamento interpessoal e capacidade de aprendizado. Além disso a educação, personalidade, circunstâncias, crises, erros e acertos. Tudo isso conta na formação de um líder. Mas, talvez, nenhum fator seja tão importante quanto as relações humanas. Afinal, o modo de se relacionar com os liderados pode ser determinante para o sucesso ou não de uma liderança. Teorias sobre liderança Há séculos que ciência tenta desvendar os mistérios da liderança, psicólogos, sociólogos e neurologistas tendam entender a capacidade que algumas pessoas tem em guiar as outras, seria um talento natural? Resultado árduo de aprendizado? Para Max Weber, o líder é dotado de uma personalidade extraordinária, carismático, com qualidades incomuns, visionário, entusiasta, empático que os diferenciava dos demais, como por exemplo os heróis de guerra, profetas e feiticeiros. Para Sigmund Freud, com uma visão mais humanista, avalia o papel do líder nas relações humanas, ocupando um local importante no inconsciente de seus membros, para um bom funcionamento do grupo liderado. No século XIX, a liderança era vista com uma qualidade natural, que jamais poderia ser aprendida. Segundo essa visão, a liderança era transmitida de geração em geração, por laços de sangue, comum nas famílias aristocratas, sendo assim os líderes raramente eram encontrados nas camadas mais baixas da sociedade. Com o tempo, a crença que só existem líderes natos ficou para trás, e a ideia de que sim, é possível aprender a ser líder ganhou força e hoje em dia é amplamente disseminado, em manuais, cursos e treinamentos, que tentam forjar um líder de sucesso. Vários autores contemporâneos abordam as atitudes de um bom líder. Para Peter Northouse, em seu livro Leadership: Theory and Practice, para ter sucesso no papel de líder é preciso aprimorar as capacidades de resolver problemas, de julgamento social e de conhecimento, juntas essas habilidades formam o coração da liderança efetiva. O professor George Kohlrieser, da escola de negócios suíça International Institute for Management Development – IMD, uma das mais importantes do mundo, criou um guia com cinco tipos de liderança: Liderança coercitiva – marcado por controle e comando; Liderança confiante – marcado pela habilidade do líder em inspirar pessoas; Liderança afiliativa – coloca as pessoas em primeiro lugar e evita conflitos; Liderança democrática – é o viés seguido pelo chefe que considera a opinião de todos e espera um consenso para tomar decisões e a Liderança de ritmo – é o clássico modo do líder que pressiona o time por meio da definição de metas duras. David Ulrich, professor de Management na Ross School of Business da University of Michigan e autor de o Código da Liderança, enumera quatro atitudes que considera fundamentais para os líderes de sucesso: proficiência pessoal (ser capaz de controlar o próprio estresse e de conhecer-se), estratégia (planejar o futuro e compartilhar sua visão com os demais), execução (fazer as mudanças acontecerem), gerenciar talentos (cuidar dos empregados, comunicar-se com eles e orientá-los), desenvolver o capital humano (construir talentos que, no futuro, beneficiem a organização). Medidas para uma boa gestão de conflitos A professora Marta Cristina Wachowicz, em seu livro Conflito e negociação nas empresas, enumera algumas medidas para uma boa gestão de conflitos nas organizações, entre elas estão: Análise profunda da situação de conflito; Promoção da tolerância, o exercício da tolerância é fundamental para que não haja juízo de valor; Atenção para as mudanças, se há conflito é porque existe o descontentamento, e esse sentimento pode indicar uma oportunidade de mudança; Estimular a dialética, sem que um pensamento se sobreponha aos demais. Atualmente, existem diversas técnicas e ferramentas que podem ajudar os líderes na gestão dos conflitos. A proposta do Karin Khouri, apresentada no livro 'Vire a Página – Estratégias para Resolver Conflitos'. Trata de uma ferramenta chamada DEARC, que pode ser aplicada por qualquer pessoa e em qualquer situação, independente do nível de conhecimento que se tenha acerca do comportamento humano. A sigla DEARC reúne quatro etapas imprescindíveis para a resolução positiva de um conflito. O D representa a primeira etapa e significa Descreva; ela reforça a necessidade de sermos hábeis ao falar sobre o conflito. A letra E significa Expresse e aborda a necessidade de mencionar o impacto que o conflito exerceu sobre você e sobre a relação que existe entre as pessoas. A letra A representa o Acordo e é alimentado pela seguinte premissa: bons acordos trazem bons resultados. A letra R aborda os Resultados que podem ser obtidos com o cumprimento do acordo e com a resolução do conflito. A etapa final, representada pela letra C, significa Congruência e funciona como uma camada de verniz que permeia todas as etapas anteriores. O líder dentro ou fora das crises correm o risco de errar, e todos têm direito de cometer erros. Mas quem está no comando só pode se enganar até certo ponto. Os grandes erros estão ligados ao descontrole emocional e a atitudes muito radicais. São comuns quando a pessoa observa apenas a crise e o momento, deixando de ter uma visão sistêmica. Artur Diniz, autor do livro Líder do Futuro – a transformação em líder coach, afirma que é importante analisar a decisão, onde ela irá impactar e quais oportunidades ela poderá trazer, e se mesmo assim um erro for cometido, vale colocar em prática o que diz George Kohlrieser: “Os melhores líderes aprendem muito mais com seus erros do que com seus acertos, desde, é claro, que os erros não se repitam e que a pessoa realmente aprenda a lição.”