voltar para Produção Acadêmica

Transporte coletivo: como um serviço público de qualidade pode colaborar com a diminuição da poluição do ar de Campo Grande

Problemas que o crescimento e desenvolvimento trazem as populações das cidades de médio porte, como Campo Grande, no que se refere ao serviço de transporte coletivo e à emissão de poluentes no ar. Autores: Amir Ortega, Clodoaldo Rocha, Edenilson Macedo, Marcelo Rodrigues e Odinéia Galeano.

1 Introdução

Sendo um dos fatores que mais contribui ao progresso, o crescimento dos transportes tem efeito positivo e negativo na qualidade de vida da população. Por efeito positivo podemos citar a integração, facilidade e o acesso dos transportes urbanos. Por efeito negativo nota-se a poluição e o desequilíbrio que provoca no meio ambiente, principalmente por causa do uso indiscriminado de combustíveis derivados de petróleo. É neste contexto que se focaliza a intenção deste artigo, no entanto, sem querer ter a pretensão de se impor como solução aos prováveis problemas que dele surgem, mas sobretudo, de realçar sua importância, na medida em que o mesmo torna-se indispensável para a garantia do desenvolvimento urbano. Garantias essas que se realizam por meio de medidas e implementações cabíveis para a solução dos problemas.

2 Transporte e desenvolvimento urbano


Presenciamos em Campo Grande uma síntese do que se passa nas cidades de médio porte, não apenas no Brasil, mais em toda América do Sul. O processo de urbanização que vem ocorrendo na capital do Mato Grosso do Sul já está transformando a realidade de nosso trânsito, o aumento da frota de veículos particulares é maior do que o investimento público em melhoria das vias e é esse problema que a prefeitura municipal precisa evitar, é preciso tirar proveito dos exemplos que as grandes cidades nos dão para implantar aqui um sistema de transporte coletivo que colabore com o desenvolvimento urbano e não, que seja mais um entrave para o crescimento da capital e para o bem estar da população.

2.1 O sistema de transporte coletivo de Campo Grande

Campo Grande implantou em 1991 o Sistema Integrado de Transportes – SIT, que conta com 08 terminais de transbordo "fechados" que o passageiro precisa pagar para ter acesso ao interior. Em 2006 foi contratado o serviço da empresa de consultoria LOGITRANS da cidade de Curitiba-PR a fim de reordenar o sistema, sendo que após a apresentação do estudo realizado, foi iniciado a partir de novembro do mesmo ano o reordenamento proposto, sendo incrementados no sistema de transporte 15 ônibus, que além de criar itinerários nas linhas troncais, reduzindo o tempo de viagem, possibilitaram também diminuir o tempo de espera dos usuários nos terminais envolvidos.

Em janeiro de 2007 inicia-se a integração temporal, através do uso de cartão eletrônico, que além de agilizar a passagem do usuário pela catraca, diminui a circulação de dinheiro nos veículos, muito importante para a questão dos assaltos que ocorrem quase que diariamente. Com este sistema o usuário pode utilizar outra linha, sem pagar nova passagem dentro de um período de uma hora. Em agosto de 2009 foi inaugurado o ponto de integração em frente a escola estadual Hércules Maymone, denominado Avedis Balabanian, atendendo uma região com demanda de 20 mil usuários nos dias úteis. Uma informação relevante sobre o assunto é que cerca de 260 mil pessoas utilizam diariamente o sistema de transporte coletivo de Campo Grande, numa frota superior a 540 veículos, sendo que cerca de 85% destes possuem elevador de acesso aos cadeirantes.

2.2 Planos de melhorias

A princípio, a prefeitura de Campo Grande tem como plano de melhoria, apenas a implantação de corredores de ônibus para melhorar o fluxo do trânsito e reduzir o tempo de espera dos passageiros. Esse sistema, conhecido como BRT (Bus Rapid Transit) teve inicio na cidade de Curitiba-PR e proporciona maior capacidade de transporte de passageiro, redução das emissões de gases poluentes e um serviço mais rápido.

Em 2009, quando a cidade ainda vivia o clima de expectativa sobre as 12 cidades que iriam sediar os jogos para a Copa do Mundo de 2014, foi discutida a possibilidade de implantação do sistema VLT (veículo leve sobre trilho), que é um trem urbano de passageiros que utiliza infra-estrutura e equipamentos mais leves que os tradicionais metrôs.

3 Carro x ônibus

A circulação numa cidade, segundo a ANTP, mostra-se como uma das mais problemáticas funções urbanas do momento atual, nas cidades de médio e grande porte.

Sua complexidade é resultado de uma série de fatores, na maior parte deles, quantificáveis e de alta mobilidade, pois envolvem sempre pessoas, veículos, vias, sinalização, fiscalização, espaço e outras variáveis a elas associadas. Os deslocamentos de pessoas e veículos acontecem ao longo do dia, em determinados horários e motivados quase sempre por interesses econômicos, sociais, culturais, lazer e outros, acarretando, em muitos casos, a baixa qualidade de vida. Assim, o sistema de transporte urbano, se constitui pela utilização de vários meios de transporte, no sentido de atender as infindas necessidades de seus usuários, no uso do seu direito de ir e vir.

A utilização do meio de transporte individual pode ser feita através do uso de veículos próprios (automóvel, caminhonete, caminhão, moto), bicicleta, moto-táxi e táxi. Ressalte-se que parte da população realiza seus deslocamentos a pé, sendo este o meio mais natural e antigo do ser humano.

Campo Grande é, hoje, uma cidade com mais de 700 mil habitantes e possui uma frota aproximada de 200 mil veículos, o que representa uma relação de um veículo para cada grupo de 3,5 habitantes, uma das mais altas taxas do país.

A estrutura viária do município na área central encontra-se um pouco comprometida, em razão dos congestionamentos nos horários de pico, o que evidencia a necessidade de sua reestruturação na área central e sub-central, com forma de se resolver os conflitos.

3.1 A substituição do veículo próprio pelo coletivo

É este dilema que deveria ser tema de debate entre a sociedade campo-grandense, o que o sistema de transporte coletivo deve oferecer para que um trabalhador ou um estudante, por exemplo, se sinta motivado a deixar seu veículo em casa para se deslocar até o local de trabalho ou estudo.

Na opinião do senhor Antonio do Carmo, morador do bairro Jardim Aeroporto, que vai de carro para seu trabalho na região central da cidade, os ônibus deveriam ser mais limpos, circular apenas com sua capacidade de lotação e ter um itinerário que combine com as linhas que deslocam os passageiros dos terminais até o centro, "se eu quiser ir para o serviço de ônibus, vou precisar acordar quase uma hora mais cedo, depois tenho que brigar para conseguir entrar nos ônibus que saem do terminal, que parecem mais latas de sardinhas, sem contar que os ônibus são imundos, mais isso é mais culpa de quem usa, que rabisca, cola chiclete e tal".

Já a senhora Marcia Raquel, moradora do Jardim Seminário, utiliza parcialmente o transporte coletivo, pois segue com seu esposo de carro até o terminal General Osório e de lá segue de ônibus para o serviço, no bairro Nova Lima, "sem condições esperar o ônibus na vila, para cá só tem a linha da UCDB e de man

Comentários

Participe da comunidade, deixe seu comentário:

Deixe sua opinião!  Clique aqui e faça seu login.

    Clodoaldo Rocha

    Acadêmico de Administração, previsão de término do curso em dezembro de 2011.

    Exibir