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Terceirização ou Desenvolvimento Próprio

Atualmente as empresas estão inseridas em um cenário extremamente dinâmico e mutável, a globalização e a internet fazem com que as transformações sejam mundiais, atingindo todos os mercados e com uma celeridade nunca antes vista. Com a economia globalizada, concorrente não é apenas o vizinho ao lado, mas sim, todos daquele setor a nível global, basta lembrar das vendas virtuais. Ganhar competitividade é fundamental para manter-se no mercado, e, a terceirização de algumas atividades pode ser encarada como uma vantagem competitiva, pois a empresa passará a dedicar-se com mais afinco a sua atividade fim ao incumbir a um terceiro atividades meio. Dos ensinamentos de Bergamaschi (2004) depreende-se que o fenômeno da terceirização é bastante antigo. Já nos séculos XVIII e XIX tal procedimento era observado na Inglaterra, França e Austrália. Naquele primeiro país, especialistas em metais eram terceirizados; o gerenciamento de prisões,manutenção de estradas, coleta de impostos, taxas e lixo também eram funções terceirizadas. Na França pode-se citar como exemplo o direito de construir e operar estradas de ferro e na Austrália o sistema de correios. Neste trabalho abordarei sobre a terceirização dos sistemas de informação, pois a prestação de serviços terceirizados é uma das modalidades que tem mais aumentado na área de tecnologia da informática, tornando-se um importante fator de competitividade para as empresas. A palavra outsourcing é conhecida no mercado como sinônimo de terceirização. O (...) “outsourcing das áreas de tecnologia transforma-se numa ferramenta indispensável para aumentar simultaneamente, produtividade e rentabilidade e proporcionar maior vantagem competitiva” (RUIZ, 2007), o que exige que as empresas tenham um foco de negócio muito bem definido. É comum, nos dias de hoje, as empresas terceirizarem tudo que não se refira ao seu core-business, e, isso inclui, quase sempre o setor de tecnologia, como uma alternativa para reduzir custos com tecnologia de informação e a concentração nas atividades e competências principais.

Terceirização do sistema
Rotineiramente, no mundo dos negócios, uma organização recorre à outra quando não possui determinada especialização ou habilidade em seu quadro, ou as vezes até possui,mas por diversas razões opta em contratar uma empresa especializada; é a terceirização.

Segundo o dicionário Aurélio on line, terceirização "é a contratação de terceiros, por parte de uma empresa, para a realização de atividades que não lhe são essenciais, a fim de racionalizar seus custos, economizar recursos e desburocratizar sua administração". Uma definição mais doutrinária nos é dado por Giosa (1997, apud XAVIER), onde terceirização é "um processo de gestão pelo qual se repassam algumas atividades para terceiros, com os quais se estabelece uma relação de parceria, ficando a empresa concentrada apenas em tarefas essencialmente ligadas ao negócio que atua".

Embora as origens da terceirização remontem aos séculos XVIII e XIX na Inglaterra, França e Austrália, é durante a Primeira Guerra Mundial e nos EUA que ela (terceirização) eclode, pois (...) "as indústrias se concentraram no desenvolvimento da produção de armamentos e passaram a delegar atividades relacionadas a embalagens, ferramentas, componentes, tintas e vernizes a empresas prestadoras de serviços" (BARBI).

No Brasil, o fenômeno da terceirização ganha ênfase a partir da década de 60, impulsionado pela indústria automobilística que passa a adquirir peças e componentes de diversos fornecedores.

No que se refere à tecnologia da informação, muitas empresas têm buscado a terceirização de seus serviços. Tecnologia da informação, ou simplesmente T.I., diz respeito à criação e suporte de sistemas de informação baseados em computadores, incluindo redes, softwares e hardware. Sob a visão da T.I. (...) "terceirizar é confiar a responsabilidade pelas operações de Sistemas de Informações da empresa, no todo ou em parte, a outra companhia" (FERREIRA). A Índia é hoje líder mundial na prestação de serviços terceirizados de tecnologia da informação.

A terceirização em T.I. pode ser classificada em bodyshop e por projeto. Na primeira a mão de obra é gerida por quem contrata e a remuneração é feita de acordo com as horas trabalhadas. Na segunda, com objetivo, gastos e prazos anteriormente estabelecidos, (...) "sendo que o custo é normalmente pago de acordo com um cronograma de desembolso atrelado às entregas de produtos" (FERREIRA).

De acordo com Klepper e Jones (1998, apud BERGAMASCHI, 2004) a primeira empresa a terceirizar seu sistema de T.I. foi a General Eletric em 1954. Os autores ainda relatam que a terceirização avançou muito na década de 60, surgindo nos anos 70 a terceirização de programadores. Já nos anos 80, observa-se que a T.I. assume relevante papel nas empresas, pois é vista como elemento de competitividade organizacional. Por fim, durante toda a década de 90 e início dos anos 2000 nota-se a crescente terceirização dos sistemas de T.I. e sua grande utilidade para as empresas.

No Brasil, em 1992, a Schell foi a primeira empresa a terceirizar por completo seu serviço de processamento de dados. Pondera Vidal (1993, apud XAVIER) que o que motiva uma empresa a terceirizar seus centros de T.I. são: (...) "custos, preocupações alheias ao foco principal, exigência de renovação constante de tecnologia, e outros motivos relativos à inovação tecnológica".

Validade ou não do sistema
Conforme é sabido, grande parte das empresas terceiriza seu sistema de informações, seja para reduzir custos operacionais, seja para melhorar em eficiência e qualidade, pois uma equipe terceirizada consegue desenvolver estratégias,manipular novas tecnologias e avaliar com freqüência o desempenho das práticas e das pessoas, assegurando, desta feita, agilidade ao contratante. Eis o primeiro argumento que permite comprovar a validade do sistema.

Por outro lado, se a empresa optar por desenvolver seu próprio sistema de informação, poderá desviar parte de sua atenção de seu objetivo principal, e, terá também uma preocupação a mais, porque irá buscar sempre o que há de mais moderno em T.I., ao passo que quando se contrata uma instituição especializada no assunto, tem-se (a princípio) a segurança de que o que está sendo ofertado é o melhor e mais moderno disponível no mercado.

Não obstante, para o sistema ser válido, devem ser observadas as necessidades a curto, médio e longo prazo, bem como os custos e o retorno que a empresa terá. Também, para a validade do sistema é fundamental que a organização se preocupe, a priori, com (...) "a existência de um Planejamento Estratégico da Informação ou PDI, a adoção de uma política de informação, a definição de padrões a serem adotados na empresa e a confiança na contratada, baseada na análise de dados concretos" (FERREIRA).

Ainda, para a validade do sistema, é indispensável ter em consideração os riscos, não apenas o custo, mas, principalmente a idoneidade do serviço que se está contratando, o que se comprova por meio de competência técnica e experiência anteriores em projetos similares, boa reputação no mercado (...) "garantias financeiras, avaliação do perfil da empresa no cumprimento de suas obrigações trabalhistas, histórico, entre outros definidos no Termo de Referência ou RFI" (FERREIRA).

Benefícios ou malefícios trazidos para a organização
A prestação de serviços de outsourcing é uma das vertentes que mais tem aumentado na área de T.I.. O conceito vem evoluindo com o passar do tempo, de maneira que, contemporânea, este, é considerado de suma importância na competitividade entre as empresas.

Os benefícios que a terceirização do sistema de T.I. traz podem referir-se a fatores externos e internos. Externamente tem-se a criação de novas empresas, mais arrecadações fiscais e a geração de emprego e distribuição de renda. Internamente dizem respeito à competitividade organizacional, ao custo e ao desempenho em T.I.. No primeiro caso tem-se o aumento nos lucros, devido ao aumento da eficiência (redução dos custos) e a focalização com ganho de especialização e de eficiência, concentrando-se naquilo que a empresa faz de melhor (core-competence).Já no segundo, o corte no excesso de pessoa

Comentários

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    Douglas Possetti

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