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O intraempreendedorismo contemporâneo

As grandes organizações estão passando por uma fase crítica em que seus postulados e paradigmas estão sendo questionados numa freqüência proporcional ao aumento da competitividade da indústria e da globalização, fenômenos que se destacam em meio à profusão de mudanças que o mundo corporativo sofre.

Introdução

O intraempreendedorismo vem da palavra francesa intrapreneur, que significa empreendedor interno/corporativo.

O intraempreendedorismo foi difundido há duas décadas, mas as empresas não estavam preparadas para liberar seus funcionários para criar, errar e oferecer-lhes oportunidade para financiar inovação, além do mais não queriam arcar com os erros que inevitavelmente acontecem no percurso.

Antigamente o foco principal dos empresários era os resultados operacionais, onde os mesmos dedicavam suas energias em atividades operacionais, não tendo tempo para observar o ambiente externo e seus clientes.

O intraempreendedorismo representa uma configuração organizacional emergente, adaptada para atuar em ambientes de elevada competição e dinamicidade, como elemento de sustentação de vantagens competitivas. É um sistema inovador para acelerar a quebra de paradigmas dentro das empresas, através do uso melhor dos seus talentos empreendedores, oferecendo uma maneira para reagir aos desafios empresariais do mundo contemporâneo.

A grande concorrência global existente hoje vem a comprovar que se as empresas não se prepararem para a inovação, perderão mercado, assim o desafio então é identificar talentos, fomentar a criatividade, dando-lhes a oportunidade que as idéias se concretizem.

O trabalho científico a seguir propõe um modelo novo de organização que propicie condições para seus colaboradores explorarem suas competências empreendedoras e assim aumentar a competitividade das organizações com base na inovação e criação de valor. Qualquer organização que deseja ser bem-sucedida em longo prazo depende muito das suas vantagens competitivas em seus produtos ou processos produtivos.

A metodologia utilizada foi à pesquisa de artigos e referências bibliográficas para o modelo apresentado – Cultura intraempreendedora das organizações.

a atual realidade das organizações

As grandes organizações estão passando por uma fase crítica em que seus processos e paradigmas questionados numa freqüência proporcional ao aumento da competitividade da indústria e da globalização, fenômenos que se destacam em meio à profusão de mudanças que o mundo corporativo vem sofrendo na última década. Chiavenato (1999)

Slack (1997) apresenta um modelo de vantagem competitiva baseada em cinco 'objetivos de desempenho' básicos que orientam na adoção de ações por parte do gestor, contribuindo no aumento da competitividade da empresa. Significa ser melhor que os concorrentes no que é importante para o cliente. Fazer melhor é: fazer certo (vantagem de qualidade), fazer rápido (vantagem da velocidade), fazer pontualmente (vantagem da confiabilidade), mudar o que está sendo feito (vantagem da flexibilidade) e fazer ao menor preço (vantagem de custo). Em resumo, o modelo de Slack considera os aspectos internos e externos dos cinco objetivos de desempenho da manufatura: qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade e custos.

Fazendo uma análise histórica dos objetivos de desempenho, percebi que existe um padrão em torno da competitividade das empresas. Na era de desenvolvimento industrial, década de 70, as empresas focavam o custo da produção como a mão-de-obra, a matéria-prima, reduzindo o preço final ao cliente, aumentando suas vantagens sobre a concorrência. (Hashimoto, 2006)

Nos anos posteriores reduzir custos não era fator de competitividade. O cliente possuía muitas opções com pouca variação de preço, por fim houve a busca da qualidade do produto ou serviço.

Quando a Qualidade se tornou uma prática constante e comum em todas as empresas, perdeu novamente o diferencial para se tornar condição mínima para ingressar em determinados mercados competitivos. Com a tecnologia, sobretudo de comunicação, houve uma nova possibilidade de exploração de diferencial competitivo: o Tempo. Empresas que buscavam se diferenciar passaram a adquirir tecnologia para atrair clientes que, tendo o mesmo preço e níveis de qualidade aceitáveis, escolhiam aqueles que entregassem mais rápido. A redução dos ciclos produtivos, encurtou o tempo entre a elaboração e o lançamento de produtos. Este foi o movimento das empresas na década de 90. (HASHIMOTO, 2006)

O fácil acesso à tecnologia fez com que a vantagem "tempo" logo fosse neutralizada entre as empresas de ponta, mas não abandonou o papel fundamental como elemento de transformação das organizações e trouxe uma nova forma de exploração o crescimento da Internet e com ela o crescimento de empresas, com ou sem base tecnológica, focadas em serviços. Assim, os anos de 2000 vêm se caracterizando como a década dos serviços. (CHIAVENATO, 2002)

As organizações estão aprendendo as necessidades específicas de seus clientes através da prestação de serviços especializados. Esta é a década da Flexibilidade, da capacidade de adequar a organização à realidade mutável e dinâmica do mercado. Ser flexível ainda é ser competitivo em tecnologia, mas existem outros elementos. Um deles é a Organização orgânica, um dos temas tratados neste artigo.

O que se espera para a próxima década? Partindo do pressuposto que a tecnologia não mais diferenciará as organizações e que o mercado terá suas demandas satisfeitas, será competitiva a empresa que puder se antecipar às necessidades do mercado, e, criar tendências aos seus consumidores. As empresas estão se preparando para a década da Inovação, a capacidade de criar o que ninguém tem a habilidade de encontrar e explorar nichos de oportunidade. Esta será a era em que o desenvolvimento do Capital Humano nas organizações terá uma importância mais relevante do que hoje. A capacidade criativa ainda não está na tecnologia, e sim nas pessoas. A organização que aprendeu a se reinventar como um sistema orgânico desde já possuirá os subsídios fundamentais para se tornar competitiva no mundo da inovação. (Hashimoto, 2006)

sistemas orgânicos

O que é a Organização Orgânica? Morgan (1996) traça uma comparação entre o modelo tradicional de organização, a que ele denomina 'mecanicista', focada nas teorias clássicas da Administração e a nova organização, que pode ser vista como um sistema orgânico, concebida como um sistema vivo, que se auto-regula diante das características ambientais e circunstanciais. (HASHIMOTO, 2006)

Chiavenato (2000) faz um resumo destas diferenças:

Sistemas Mecânicos

Sistemas Orgânicos

A ênfase é individual e nos cargos da organização

A ênfase é nos relacionamentos entre e dentro dos grupos

Relacionamento do tipo autoridade-obediência

Confiança e crença recíprocas

Rígida adesão à delegaç&a

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    Rafael Sanson

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