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Meio Ambiente versus Atividades Econômicas

Atualmente a humanidade tem se preocupado cada vez mais com as questões de preservação e diminuição dos impactos ambientais. Com o início da Revolução Industrial e a massificação das atividades econômicas, no século XIX, temos assistido paulatinamente à degradação dos ecossistemas, ao esgotamento das reservas naturais; a poluição da atmosfera; a destruição da camada de ozônio; a contaminação do solo, dos oceanos e das fontes de água doce; o desmatamento das florestas; e a extinção de inúmeras espécies animais e vegetais. É indubitável que o progresso nos traz uma melhor qualidade de vida, seja nos transportes, saúde, comunicação, dentre outros setores. Porém, (...) “da forma como vem sendo feito, tem acabado com o ambiente ou, em poucas palavras, destruído o planeta Terra e a Natureza” (MENDES). A finitude do planeta e dos recursos naturais é uma óbvia e preocupante realidade; ambientalistas e economistas discutem maneiras de equilibrar desenvolvimento com proteção ambiental. “As ameaças de ordem ambiental, que estão trazendo sérios danos à natureza, prejuízos incalculáveis a economia mundial, e colocando em risco a sobrevivência da humanidade, são o resultado direto da contínua agressão que a atual civilização vem causando ao meio ambiente” (ALI, 2007). O presente estudo irá abordar os problemas ambientais encarados pela humanidade em decorrência das atividades econômicas. Medidas alternativas de preservação ambiental precisam ser efetivadas com celeridade e comprometimento, pois corremos o risco de esgotarem-se todas as fontes de recursos naturais, o que levará ao caos social, econômico e ambiental. O objetivo desse estudo é detectar os problemas ambientais enfrentados pela humanidade e provocados pelas atividades econômicas, e verificar se tal relação é de fato nociva ou se a preservação do meio ambiente pode-se equilibrar com o desenvolvimento econômico. Para tanto, irei considerar as premissas de uma economia clássica e seus equívocos, os limites ao crescimento físico e as possíveis soluções para conciliar meio ambiente e economia. Muitas organizações já começaram a perceber que os consumidores estão preocupados com a origem de seus produtos, como são produzidos, quais e como os recursos estão sendo utilizados, e, também qual a destinação dos resíduos gerados. Visando conquistar este mercado, as empresas têm investido em uma melhor gestão ambiental de seus processos de produção, (...) “seja em busca de diferenciação e vantagem competitiva junto a seu mercado de atuação; seja na conquista de novos mercados; ou ainda na intenção desesperada de não perder o mercado já conquistado” (PERICARO, 2005). Repensar as questões ambientais (...) “não é simplesmente uma atitude poética ou apologética à beleza, à paz, à harmonia ou à sabedoria da natureza” (EMILIE, 2006), é mais do que isso, é uma garantia da sobrevivência.

Premissas da economia clássica e seus equívocos
Diferentemente dos ambientalistas, os economistas clássicos não acreditam na escassez dos recursos e na finitude dos recursos naturais. Criticam a noção de um limite natural e aduzem que a disponibilidade muda com o tempo. Ademais, ainda que esse limite exista, não há como defini-lo ou prevê-lo economicamente. Ressaltam não haver limitações sequer para a terra arável, sendo esta indefinível. No entanto, tais argumentos são facilmente combatidos.

Não há como ter a noção precisa da quantidade de carvão que temos disponíveis, no entanto, as estimativas apontam serem baixas. Por outro lado, podemos ter, surpreendentemente, logo na primeira milha da superfície terrestre, uma reserva de metais bem maior que a conhecida. Tais exposições não comprovam a inesgotabilidade dos recursos, porém, deixam de lado o argumento da acessibilidade e da disponibilidade.

Uma vez que todos os recursos são em quantidades limitadas, nenhuma teoria, classificação ou nomenclatura científica, pode esgotar com essa finitude. "Tanto terra arável quanto recursos que serão necessários a um tempo ou outro vão consistir em baixa entropia e disponibilidade".

Sustentam ainda que a tecnologia não conhece limites e que é capaz de driblar a escassez de algum recurso, substituindo-o. Ledo engano! Segundo esta linha de raciocínio, não deveria o ser humano se preocupar com a morte, pois para toda doença haveria um medicamento ou tratamento, e a mortalidade inexistiria.

Por fim, advogam a tese de que não há limites para a substituição, ou seja, tudo pode ser substituído. Contudo, tal assertiva é frágil, pois, "muitos componentes da crosta terrestre incluindo terras cultiváveis são tão específicos que não admitem substitutos".

Limites ao crescimento físico
Conforme mencionado, os problemas ambientais remontam aos tempos do início da industrialização e vem se intensificando gradativamente. É comum, infelizmente, assistir na televisão notícias sobre aumento do buraco na camada de ozônio, poluição e escassez da água doce, desmatamento, espécies em extinção, etc. Em seu texto "Desenvolvimento Sustentável", Marina Ceccato Mendes, reportando-se a um estudioso do assunto ensina "que é mais difícil o mundo acabar devido a uma guerra nuclear ou a uma invasão extraterrestre (ou uma outra catástrofe qualquer) do que acabar pela destruição que nós, humanos, estamos provocando em nosso planeta".

A finitude do planeta e dos recursos naturais é um tema que causa debates e discussões há quase quarenta anos. Em 1968 nascia o Clube de Roma, hoje uma Ong, formado na época por trinta pessoas sendo cientistas, educadores, economistas, humanistas, industriais e funcionários públicos de nível nacional e internacional. Em 1972, um estudo desse Clube apontou, pela primeira vez, "Os limites do crescimento". Quase quatro décadas depois, a destruição das florestas, a degradação ambiental e a poluição aumentaram de forma assustadora, ocasionando o aquecimento do planeta pelas emissões de gases causadores do efeito estufa.

O Conselho do Clube de Roma dizia o seguinte em seus comentários finais: "quanto mais próximo chegarmos dos limites materiais do planeta,mais difícil de resolver ficará o problema" (ABRANCHES, 2007)

O mundo arrisca-se a forçar seus limites físicos. Consoante leitura do texto "Meio ambiente e desenvolvimento sustentável: o mundo na encruzilhada da História", escrito por Henrique Rattner, pode-se apontar os seguintes limites:

a) A crescente escassez de água potável com uma demanda crescente em conseqüência do aumento da população, o desenvolvimento industrial e a expansão da agricultura irrigada verifica-se uma oferta limitada de água potável distribuída de forma muito desigual. Estima-se que 40% da população mundial sofre de escassez de água;

b) A degradação dos solos por erosão, salinização e o avanço contínuo da agricultura irrigada em grande escala e os desmatamentos, remoção da vegetação natural, uso de máquinas pesadas, monoculturas e sistemas de irrigação inadequados, além de regimes de propriedade arcaicos, contribuem para a escassez de terras e ameaçam a segurança alimentar da população mundial;

c) A poluição dos rios, lagos, zonas costeiras e baías tem causado degradação ambiental contínua por despejo de volumes crescentes de depósitos de resíduos e dejetos industriais e orgânicos. O lançamento de esgotos não tratados aumentou dramaticamente nas últimas décadas, com impactos eutróficos severos sobre a fauna, flora e os próprios seres humanos;

d) Desmatamentos contínuos, destruição da biodiversidade, mudanças climáticas, extração predatória de recursos naturais e minerais, transformações no uso de solos estão dizimando a fauna e a flora em diversas regiões do mundo.

O alerta dado pelo Clube de Roma em 1972, parece mais atual e realista do que nunca. Sustentou-se naquela época que "as tendências atuais de crescimento não são sustentáveis.A população global e as atividades econômicas crescem de um modo exponencial, que levará a ultrapassar os limites físicos dos recursos, que são finitos" (extraído do texto "A beira dos limites", agosto, 2006).

No cenário contemporâneo, lamentavelmente, está constatado que o meio ambiente não suporta as agressões feitas a qualquer preço em nome do desenvolvimento econômico e da melhoria do bem estar material da população mundial. Quem poderia imaginar, por exemplo, a seca na Amazônia? A resposta à intervenção desmedida do homem na natureza são os problemas noticiados com freqüência e o comprometimento (escassez/limitação) dos recursos naturais.

Possíveis soluções para os problemas identificados
O momento presente é marcado profundamente pela necessidade de mudanças estruturais e pela busca de novos caminhos que levem à manutenção do crescimento econômico para satisfazer a população mundial com uma disponibilidade de bens compatíveis com a dignidade humana, sem, entretanto, esgotar os recursos naturais.

Entendo que é possível conciliar preservação ambiental e crescimento econômico, através de um desenvolvimento sustentável, definido como: "equilíbrio entre tecnologia e ambiente, relevando-se os diversos grupos sociais de um

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    Douglas Possetti

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