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Literatura infantil e Teoria da literatura infanto-juvenil: uma reflexão.

Em uma sociedade cada vez mais dividida entre aqueles que têm acesso à informação globalizada e aqueles que as têm limitadas restritamente a conhecimentos locais, o acesso a textos literários se transformou em veículo fundamental para a inserção destes em um universo de informações e conhecimento cada vez mais esclarecedores.

Nesse sentido, o acesso à leitura faz-se necessário a todas as classes sociais à medida que as proporciona ampliar sua visão de mundo e, conseqüentemente, possibilitar conexões entre a sua vivência e a vivência do outro.

Dentro desse universo, portanto, há uma ramificação direcionada a um público-alvo que tem sido responsável por 40 % das vendas de livros: o público infantil. (Percentual segundo o jornal MT TV segunda edição de 14/03/2009). Tal percentual é confirmado nas palavras de Maria Zaira Turchi (p 38), ao afirmar que "a literatura infantil faz parte do mapa da crítica institucional e ocupa hoje um espaço importante no mercado de livros literários".

Desta forma, considerando que a literatura infantil vem crescentemente conquistando seu lugar no mercado, o questionamento que temos a fazer é: o campo teórico da literatura infantil está à altura para discuti-la "sem reducionismos ou ingenuidades e, ao mesmo tempo, sem condicioná-la ao mesmo tipo de complexidade da literatura para adultos?" É, pois, na tentativa de responder (ou pelo menos discutir) a essa pergunta que João Luís C. T. Ceccantini escreve "Perspectivas de pesquisa em Literatura infanto-juvenil".

Para iniciar uma tentativa de abordagem do tema proposto o autor destaca algumas questões polêmicas no que concerne à literatura infantil em um âmbito geral, dentre elas: o objeto da literatura infanto-juvenil e seu estatuto, o corpus específico que vem sendo pesquisado no Brasil, as metodologias com as quais o objeto é abordado e o suporte teórico que dá base a essas metodologias. Dentre esses, portanto, segundo o autor, o problema que talvez seja maior para o pesquisador/ crítico é a "volatilidade" do objeto que é resistente ao enquadramento em definições precisas. Assim questões do tipo "o que é de fato a literatura infantil" e "em quê ela se distingue da "outra literatura"" são discutidas com o intuito de "delimitar suas fronteiras" por assim dizer e qualificá-la como pertencente a esse gênero literário.

A respeito disso, Hunt afirma que "trata-se de um tipo de literatura cujas fronteiras são muito nebulosas, e... como objeto de estudo, portanto, envolve aspectos embaraçosos. Muito mais do que em outras literaturas... E isto se dá porque o conceito de infância, que gera as condições de produção, muda de forma substancial; da mesma maneira, pode ser radicalmente o modo como os textos são lidos, tanto por públicos primários ou secundários, quanto por públicos de especialistas ou leigos" (Hunt, apud Seccantini,2004. P.21).

Imagem de pé na jaca

Para Towsend (apud Hunt,apud Seccantini,2004. P.21), a única distinção entre um livro infantil dos livros da "outra literatura" é que faz parte de um catálogo de livros infantis de uma editora. Essa indefinição do gênero resulta numa disputa entre diversas disciplinas pelo mesmo objeto. Dentre elas o campo das Letras, da Educação, da Antropologia, da Sociologia, da Semiótica, etc.

Imagem dos personagens

Para Mortatti, "... A oscilação entre a área das Letras e a da Educação vem sendo assumida como um impasse, que, constantemente reiterado e tido como suposto, dificulta o avanço e o alargamento de campo assim como a produção necessária de uma história, teoria e crítica específicas da literatura infantil (brasileira). (Ceccantini, apud Mortatti,1999, p.13)". Porém, pode-se dizer que essa perspectiva interdisciplinar associada ao gênero, tem induzido a expansão dos estudos na área em múltiplas direções, o que de um certo ponto de vista assume conotação francamente positiva.

Embora haja no país alguns estudos de relevância referente à literatura infanto-juvenil, a produção teórica e crítica sobre o gênero é escassa, vindo a ocorrer somente nas duas ou três últimas décadas. Tal ocorrência se deu em razão da expansão do mercado dos livros infanto-juvenis e do esforço nacional para o combate ao analfabetismo e defesa da leitura, pois, conforme afirma Tatiana Anflor, "com a Revolução Industrial, as crianças burguesas passam a representar papel importante na sociedade, já que precisam ser preparadas e capacitadas para o futuro, através da educação, a fim de enfrentar um mercado competitivo em rápida expansão. Esse é o contexto no qual surge a necessidade de pensar-se em livros infantis como instrumentos pedagógicos capazes de contribuir na formação dos indivíduos que comporão as classes dominantes do futuro". No entanto, devemos considerar que os meios de circulação da grande imprensa não têm dado à literatura infantil devida atenção. Quase não vemos em revistas como "Veja", "Istoé", "Época" colunas dedicadas à literatura infanto-juvenil. Quando vemos alguma coisa relacionada, trata-se apenas de propagandas destinadas à venda de livros. Talvez isso ocorra por não ser de interesse da elite ter mentes pensantes, pois, quanto mais alienada for a grande massa, mais influenciável será. Infelizmente por essa razão acabam sendo os catálogos das editoras que ditam aos professores e às escolas as obras mais indicadas aos estudantes. Desta forma, a "alienação" na escolha dos livros acaba não sendo culpa exclusivamente do professor, mas do sistema que tem pouco interesse em proporcionar meios que tornem a literatura infantil bem como suas críticas literárias acessíveis. Assim sendo, conforme afirma Leonor Riscado se levarmos em consideração "que o mercado influencia a criação de Literatura Infantil e vice-versa, verificaremos que o nível médio de qualidade do livro infantil tende a baixar em vez de se aprimorar o que, por sua vez, vai, em conseqüência, impossibilitar o aumento de exigência do público, entrando-se num círculo vicioso em que o grande perdedor é a criança"

Bibliografia

CECCANTINI, João Luís C. T. "Perspectivas de Pesquisa em Literatura Infanto-Juvenil", IN: Literatura e Leitura Infanto-Juvenil. São Paulo: Cultura acadêmica,Assis,Sp.2004.

http://www.casadaleitura.org/portalbeta/bo/documentos/ot_cri_escolhas_lriscado_a.pdf acessado em 15/03/2009

http://www.graudez.com.br/litinf/marav.htm acessado em 15/03/2009

http://pt.shvoong.com/humanities/theory-criticism/1631588-literatura-infantil-brasileira/ acessado em 15/03/2009

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    Regiane Ribeiro

    Sou professora licenciada em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso-UNEMAT, no ano de 2009. Sou especialista em Linguistica com Enfasê em Letramento pelo ICE e trabalho na Escola Ceja Professor Milton Marques Curvo.

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