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Incubadoras de Empresas - Do surgimento no cenário mundial à inserção no Brasil

Com aproximados 70 anos de existência e seus 30 anos de implantação com utilização ampla no país, o sistema de incubadoras de empresas mostrou-se eficaz como solução para que novos empreendimentos inovadores sejam criados com solidez...

INTRODUÇÃO

O conceito de incubadora de empresas nasceu nos Estados Unidos e Europa há aproximadamente 20 anos, levando cerca de 3 anos para alcançar solo brasileiro em meados da década de 80. Contudo, mesmo saindo com um relativo atraso de alguns anos, o país desenvolveu uma cultura própria com suas particularidades, tornando-se exemplo para o mundo.


O termo "incubadora" foi utilizado em uma clara referência ao aparato hospitalar, de mesma nomenclatura, que oferece o suporte necessário ao recém-nascido que precisa de ajuda para atravessar suas primeiras semanas de vida quando acometido por algum problema ou fragilidade extrema.


Dentre outros, o conceito se aplica no suporte a projetos que apresentam inovação tecnológica ou desenvolvimento inédito que permita o início da empresa sem o volume de capital necessário.


Esta pesquisa tem como objetivo reunir nas próximas páginas, uma visão com maior riqueza de detalhes sobre o papel da incubadoras de empresas no país bem como o volume de negócios no formato em questão, exemplos e dados da ANPROTEC (Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), permitindo uma correlação com estudos sobre o empreendedorismo.


A pesquisa está subdividida conforme abaixo:

- Introdução das incubadoras de empresas no cenário mundial

- As incubadoras no Brasil

- Representação dos interesses das incubadoras de empresas no Brasil

- Requisitos para uma empresa procurar uma incubadora

- Guia de incubadoras brasileiras

- Conclusão


1. Introdução das incubadoras de empresas no cenário mundial


De acordo com a incubadora INATEL, pesquisas apontam que quase uma década após a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque (1929), em 1938 nos Estados Unidos surgiu a primeira experiência de incubação de empresas. A partir do trabalho de dois estudantes da Universidade de Stanford, cujos sobrenomes ecoaram pelo mundo e permanecem até hoje em destaque no cenário empresarial: Hewlett e Packard. Dessa união surgiu uma empresa global denominada HP, reconhecida como referência em tecnologia até os dias atuais.


Além da iniciativa dos fundadores da HP, em 1959, no estado de Nova Iorque, a Massey Ferguson fechou uma fábrica provocando uma demissão em massa, quando então o comprador da fábrica decidiu alugar o espaço para pequenas empresas iniciantes, que atuavam em regime de compartilhamento de recursos.


No continente europeu, a Inglaterra foi a responsável pelas primeiras incubadoras. E mais uma vez a origem do movimento foi o fechamento de uma fábrica, desta vez uma subsidiária da British Steel Corporation, e o espaço disponível naquele momento assim como nos Estados Unidos foi então utilizado para a criação de diversas pequenas empresas.


Apesar dos fatos, a consolidação das incubadoras em solo estadunidense e europeu se deu somente na década de 70, em virtude do elevado nível de desemprego industrial motivado pela recessão da economia mundial causada pela crise do petróleo.


Uma vez prejudicado o setor industrial e em meio a uma crise que abalava o mundo, as incubadoras passaram a constituir uma porta de entrada para empreendedores independentes alcançarem a oportunidade de constituir seus próprios negócios. À reboque nessa sucessão de fatos veio a criação do Vale do Silício americano, com a expansão do movimento de incubação no meio acadêmico.


De acordo com o COPPE/UFRJ, Passadas décadas do surgimento das primeiras incubadoras de empresas pelo mundo, há hoje cerca de 3000 incubadoras espalhadas pelo mundo, sendo 800 delas instaladas nos Estados Unidos.


2. As incubadoras no Brasil


Enquanto em 1938 o mundo passava por uma de suas épocas mais sangrentas com Hitler ascendendo ao cargo de chanceler na Alemanha, iniciando um genocídio e grande massacre ao povo judeu, iniciava-se também a Segunda Guerra Mundial e Franklin Roosevelt assinava o "New Deal", um plano de recuperação com o objetivo de consertar os estragos causados pela quebra da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929.


Já no território brasileiro ocorria a Revolução de 30, seguida da Revolução Constitucionalista em 1932 e a convocação da Assembléia Constituinte, sendo em 1934 promulgada a nova Constituição. Em meio a uma década um tanto quanto conturbada no país, foi impossível acompanhar os acontecimentos inovadores do cenário corporativo mundial e as primeiras incubadoras do país surgiram então com um atraso de meros 40 anos em relação à primeira experiência nos Estados Unidos, alcançando um crescimento significativo por aqui apenas na década de 90.


Hoje, registradas na ANPROTEC há 272 entidades que representam cerca de 400 incubadoras de empresas e 6300 empreendimentos inovadores gerando cerca de 33 mil postos de trabalho no país. O Brasil conta também com incentivos, mesmo que não tanto quanto necessário, à inovação, pesquisa e desenvolvimento que incluem incentivos fiscais e subvenções, cuja razão é alavancar o gasto privado e dar suporte ao aumento da competitividade e produtividade da economia.


Além de poderem usufruir das boas condições para o desenvolvimento de novos produtos e serviços, as empresas residentes das incubadoras dispõem de cursos de gestão empresarial com instituições como o Sebrae, recebem consultoria especializada, aprendem a elaborar projetos para instituições de fomento além de contar com infraestrutura administrativa. O Sebrae atesta o sucesso do modelo das incubadoras, apontando a taxa de sucesso das empresas apoiadas por incubadoras e parques tecnológicos em 80%, um índice de mortalidade de 20%.


No XX Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras realizado em setembro deste ano em Campo Grande (MS), uma das questões mais urgentes entre as abordadas pelos participantes mesmo com a existência de incentivos do governo em relação ao modelo das incubadoras, foi a necessidade de linhas de financiamento específicas para Parques Tecnológicos, que abrigam empresas de vários portes. Atualmente são 25 parques em operação no país, 17 em processo de implantação e mais 32 em fase de estudo.

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    Alexandre Rocha

    Profissional de Marketing e Publicidade, Técnico em TI, Pós-graduando em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais.

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