Exportações e crescimento em Alagoas: uma análise sob a ótica da competitividade entre 1989 e 2005.

Este trabalho tem por intuito fazer uma análise quantitativa e qualitativa da competitividade do setor sucroalcooleiro alagoano, assim como testar se as exportações são o fator de maior pujança para um crescimento robusto para o estado e para o nordeste, com ênfase especial no setor sucroalcooleiro.

A relação entre produto e exportações se tornou um tema bastante estudado na literatura econômica nos últimos anos. Os tigres asiáticos (Hong Kong, Taiwan, Cingapura e Coréia do Sul), grupo de países emergentes que apresentaram taxas de crescimento mais avantajadas a partir da década 80, devem muito desse crescimento vertiginoso à política de priorização do comércio exterior, elevando os níveis tanto de importações como de exportações. Mais tarde, os tigres seriam seguidos por China, Indonésia, Malásia e Tailândia, como países emergentes adeptos do livre comércio como política de desenvolvimento.

O Brasil, no início dos anos 90, iniciou um programa de abertura comercial externa, retirando paulatinamente muitos dos empecilhos às exportações e, pelo lado das importações, extinguindo as barreiras tarifárias e reduzindo gradativamente suas tarifas ad valorem.

Na esteira destes acontecimentos, este trabalho tem o intuito de fazer uma análise quantitativa e qualitativa da competitividade do setor sucroalcooleiro alagoano comparativamente ao nordeste brasileiro no período de 1983 à 2005, assim como testar se as exportações são o fator de maior pujança para um crescimento robusto para o estado e para região, com ênfase especial no setor sucroalcooleiro.

Para analisarmos a competitividade utilizaremos como indicadores a participação do saldo da balança comercial no volume total do comércio (PSBC), a participação do setor sucroalcooleiro nas pautas de exportação (PSPE), o coeficiente de especialização relativa do setor sucroalcooleiro (CER) e a razão entre exportações totais e o PIB. Serão aplicados também os métodos econométricos tradicionais (mínimos quadrados), com o intuito de ajustar os dados de volume de exportação (totais e do setor sucroalcooleiro) e PIB, de forma a explicitar uma possível correlação direta entre as duas variáveis.

Observa-se que o PSBC de Alagoas supera o do Nordeste em todo o período analisado, demonstrando que Alagoas é um estado cujo saldo da balança comercial é proporcionalmente maior do que o do Nordeste.

Já o indicador PSPE mede a proporção do setor sucroalcooleiro em relação às exportações totais de Alagoas. Observamos que Alagoas mantém as commodities da cana como os principais itens de sua pauta exportadora no período, já que o PSPE sempre se mantém acima de 50%.

Sendo o coeficiente de especialização relativa do setor (CER) um indicador de vantagem comparativa revelada, ele demonstra a relação do peso das exportações do setor nas exportações totais de Alagoas relativo ao peso do mesmo setor nas exportações totais do Nordeste. O CER para Alagoas revelou maior especialização do estado na produção das commodities da cana-de-açúcar que o Nordeste. O que, em parte, pode ser explicado pela tradicional monocultura da cana que se perpetua há décadas.

Analisando os modelos econométricos, confirmamos a correlação positiva entre exportações e crescimento. No entanto, a hipótese da elasticidade renda das exportações é refutada, demonstrando que o grande mantenedor do crescimento do PIB para Alagoas e o Nordeste no período foi o mercado interno.

Os resultados sugerem que, apesar de a história demonstrar que economias abertas tendem a convergir mais rapidamente para um estado de crescimento que as economias fechadas (a abertura comercial e o livre movimento de fatores e tecnologia contribuem potencialmente para o crescimento, gerando escala de produção e alinhando a economia domesticamente de acordo com os preceitos de produtividade e competitividade internacionais), o período analisado sugere o mercado interno como sustentador do crescimento do PIB Alagoano e Nordestino.

O comercio internacional, no entanto, ainda se mostra um grande atrativo para as empresas brasileiras, porém, julgá-lo como "panteão" para o desenvolvimento, seria arriscado demais, principalmente para economias emergentes, cujas oscilações e crises cambiais costumam causar grandes estragos. Por conseguinte, para que o Brasil tenha maior destaque no comercio exterior, é preciso um tipo de câmbio que estimule investimentos direcionados aos mercados externos, conforme fazem os asiáticos, pois assim será difícil promover um desenvolvimento baseado na simples exportação de produtos primários. Todas as experiências históricas de desenvolvimento indicam que o êxito passa necessariamente por um processo de crescente agregação de valor aos bens e serviços exportados, tarefa quase impossível se o governo aceitar passivamente a apreciação exagerada da moeda nacional, que degenera o setor industrial.

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    Diogo Alves

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