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Educação da Praxis

A educação da práxis ultrapassa os conceitos meramente funcionais ou estruturais da educação

Falo, então, em educação da práxis. Trata-se da apropriação da educação como relação de mútuo ensino e aprendizagem e como caminho de construção de sujeitos históricos. A educação da práxis ultrapassa os conceitos meramente funcionais ou estruturais da educação. Reconhece a transmissão de informações e de habilidades como elementos indispensáveis do processo educativo. Porém critica a redução da educação a estes aspectos e a toda concepção e prática educativa que fragmenta o ser humano ou o conhecimento, em vez de os integrar, tanto no plano teórico como no prático. E promove a práxis educativa, essencialmente, como um trabalho de construção de sujeitos – individuais e coletivos – do seu próprio desenvolvimento e educação, buscando o grau maior possível de autonomia em relação aos seus mestres e a toda figura hierarquicamente superior. Vê o ser humano como uma totalidade em si e, ao mesmo tempo, um componente holisticamente integrado noutras totalidades mais abrangentes, físicas, sociais, culturais e cósmicas. Portanto propõe uma práxis educativa de caráter permanente, omnilateral – ou que compreenda todos os aspectos da vida do educando, desde os relacionados a sua pessoa até os que o situam nos contextos sociais e históricos mais abrangentes – e omnidimensional – isto é, que abranja todas as dimensões e todos os potenciais do seu ser, desde o corpo e seus sentidos até a mente e a psique com seus múltiplos atributos.

Tais concepções informam programas e currículos muito mais amplos e complexos do que aqueles que estamos acostumados a conceber e aplicar. E obrigam educadores e instituições educativas a colocarem a pesquisa do universo social e cultural dos educandos como um componente básico e indispensável da elaboração de currículos e programas. Visam ainda a edificar cada educando como um pesquisador permanente da sua própria realidade.

Esta proposição tem duas implicações que devem ser sublinhadas. Uma no plano ético, que aponta para a exigência de que cada agente educativo – seja o educador, sejam os educandos -, reconhecendo-se e assumindo-se enquanto sujeito e centro de criação de conhecimento e de transformação do mundo, reconheça igualmente cada outro sujeito e centro, estabelecendo com ele uma relação dialógica e colaborativa, numa busca de articulação e integração sinergética de conhecimentos, em vez de um fechamento de caráter dogmático, egocêntrico e estreitamente auto-suficiente. A outra, no plano político, que aponta para a exigência de partilha do poder e do saber, numa relação crescentemente cooperativa e participativa, que se irradia da sala de aula ou do espaço familiar e laboral, até as relações macroculturais e macrossocioeconômicas.

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    Francisco Moura

    Consultor, notória especialização em ação comunitária, desenvolvimento de comunidades, organização social, planejamento participativo e gestão compartilhada; gestão e administração pública; responsabilidade social.

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