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Capital de Risco - Uma “nova” fonte de recursos para startups

Prática relativamente nova no país utilizada para captar recursos financeiros e acelerar o desenvolvimento ou instalação de startups, o Capital de Risco é uma forma de aplicação financeira com características de injeção de recurso para quem recebe e investimento para quem está na outra ponta.

INTRODUÇÃO


Um dos pontos mais críticos quando o assunto são as Startups é de fato o capital para o desenvolvimento do negócio com solidez, sustentabilidade. Dentre as formas de obtenção de capital para fazer um novo negócio "decolar", estão a utilização de poupança dos fundadores, o processo de bootstrapping e empréstimos bancários, porém todos estes possuem suas limitações principalmente quando o investidor não possui muitas garantias.

Uma prática relativamente nova no país utilizada para captar recursos financeiros e acelerar o desenvolvimento ou instalação de startups é o Capital de Risco (Private Equity ou Venture Capital), uma forma de aplicação financeira com características de injeção de recurso para quem recebe e investimento bastante rentável para quem está na outra ponta na transação.


O início das aplicações no perfil do Capital de Risco data de cerca de 100 anos a.c. na Roma de Júlio César, quando o rico comerciante Marco Crasso tornou-se o primeiro capitalista de risco do império, possivelmente até mesmo da história.


Após a tomada de cidades pelo império romano, Crasso financiava empreendedores dispostos a construir novas bases, banhos, estradas e prédios. Mais tarde, recebia parte dos lucros desses empreendimentos como taxa de retorno, assim tornou-se o homem mais rico da Roma de Júlio César.

O capital de risco no Brasil tem entre seus pioneiros Clóvis Meurer, hoje vice-presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) instituição sem fins lucrativos, voltada ao desenvolvimento, estímulo e propagação de investimentos de longo prazo no setor real da economia brasileira, a partir de veículos de investimento e capitalização de empresas e projetos empresariais e de infra-estrutura.


Parte desta pesquisa é fundamentada no relatório "Overview do Setor de Venture Capital & Private Equity" contendo dados atualizados até dezembro de 2008 da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital, reforçado por pesquisa paralela sobre a história e funcionamento do capital de risco


1. Sobre o setor


Instrumento fundamental no desenvolvimento de mercados de capitais e economias emergentes, o Venture Capital e Private Equity tem se destacado de forma expressiva no Brasil. Trata-se de um tipo de investimento que envolve a participação em empresas com alto potencial de crescimento e rentabilidade, através da aquisição de ações ou de outros valores mobiliários (debênture conversíveis, bônus de subscrição, entre outros), com o objetivo de obter ganhos expressivos de capital a médio e longo prazo. Através do VC/PE, pequenas e médias empresas que pretendem transformar-se em grandes companhias, passam a dispor de oportunidades adequadas para financiar o seu crescimento, com apoio para a criação de estruturas adequadas de governança corporativa, foco no crescimento e lucratividade, bem como na sustentabilidade futura do negócio.


Ao contrário dos fundos de renda variável (ações) convencionais, os fundos de venture capital e private equity são normalmente estruturados através de "condomínios fechados", ou seja, seus investidores subscrevem as quotas no início do fundo e não há possibilidade de resgate intermediário, pois os quotistas só recebem o capital na ocasião do desinvestimento/venda do fundo nas empresas da carteira, tipicamente de 5 a 10 anos após o início do fundo.


Enquanto o venture capital está relacionado a empreendimentos em fase inicial, o private equity está ligado a empresas mais maduras, em fase de reestruturação, consolidação e/ou expansão de seus negócios. A essência do investimento está em compartilhar os riscos do negócio, selando uma união de esforços entre gestores e investidores para agregar valor à empresa investida. Os investimentos podem ser direcionados para qualquer setor que tenha perspectiva de grande crescimento e rentabilidade ao longo prazo, de acordo com o foco de investimentos definido pelos investidores ou fundos.


2. Quem pode investir


O investimento em venture capital pode ser realizado tanto por companhias de participações, gestores, através de fundos de investimentos estruturados para esta finalidade ou, ainda, por investidores individuais que disponham de capital para investir nesta atividade. Seus principais investidores são institucionais, em especial os fundos de pensão e seguradoras. Alguns fundos requerem a adequação à definição de "investidor qualificado", estipulado pela [1]CVM.

[1] Comissão de Valores Mobiliários: autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, que juntamente com a Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76) disciplinou o funcionamento do mercado de valores mobiliários e a atuação de seus protagonistas.


Os fundos de investimento em venture capital e private equity podem ser regulados ou não, a depender da maneira como são estabelecidos e o local onde isso ocorre. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários é responsável pela regulamentação e fiscalização da atuação de tais fundos, bem como da atuação de seus gestores/administradores. São aplicáveis as Instruções CVM nº 209/94 (Fundos Mútuos de Empresas Emergentes – normalmente voltados ao venture capital), CVM nº 391/03 (Fundos de Investimento em Participações – aplicáveis aos veículos de venture capital e private equity). Seja qual for a formatação do fundo, sua gestão fica a cargo de empresas especializadas.


De acordo com o perfil da empresa investida (porte, setor, estágio, etc.), os investidores de VC/PE terão um envolvimento menor ou maior na gestão do negócio. Este envolvimento tem como premissa a necessidade de apoio que os empresários normalmente demandam. Também está relacionada à instalação de estruturas de governança corporativa que viabilizem o crescimento da empresa e protejam os investimentos realizados.


3. História do VC/PE no Brasil


As primeiras ações realizadas pelo governo para o desenvolvimento da atividade de venture capital datam de 1974, por meio de programas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e, em 1976, pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Com as oportunidades nascidas no Plano Real, as atividades de VC/PE no Brasil se institucionalizaram, a partir da primeira regulamentação do setor (edição da ICVM nº 209/94). O cenário econômico tornou o ambiente de negócios atrativo para os investidores de private equity, que elegeram este veículo como adequado para investimentos nas privatizações. De acordo com dados do 1º Censo Brasileiro de Private Equity e Venture Cap

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    Alexandre Rocha

    Profissional de Marketing e Publicidade, Técnico em TI, Pós-graduando em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais.

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