A Forca da instituicao

MP# quando nasceu no Brasil 2004 Texto 100% da Agencia Estadao

A Força da Instituição.

Pela agência do Estado, publicado pela Tribuna de Santos, 14 de dezembro de 2003.

"MP3 ganha espaço em aparelhos de som em 2004".

O Cd de música, quem diria, já está em declínio. O formato MP3 – música digital pode ser copiada via Internet e armazenada no computador – deixou de ser coisa de jovens ligados à informática e começa a alcançar as massas. A partir de 2004, os grandes fabricantes de aparelhos de som prevêem que a maioria dos modelos virá com o MP3 como série de fábrica.

Até mesmo os camelôs que vendem CDs piratas adotaram o formato. Na Rua Santa Ifigênia, centro de São Paulo, é possível comprar dois CDs com a discografia completa do Pink Floyd, em MP3, por R$ 20 (USD 6,8).

A tecnologia não se restringe, é claro, aos piratas. Nos Estados Unidos, as vendas de música via Internet já se tornou um grande negócio para as gravadoras. Desde junho, quando a Nielsen Sound-Scan começou a medir este mercado, foram vendidas 14,7 milhões de músicas, baixadas legalmente via Internet. Para se comparar com o mercado de discos, desde o começo do ano foram vendidos 10,9 milhões de compactos.

"O MP3 é uma tecnologia mundial", afirma Fernando Stinchi, gerente-gerencial de Marketing e Produtos da Philips. "Já é uma realidade nos Estados Unidos e na Europa e começa a se difundir no Brasil".

O gerente de produtos de Imagem e Som da LG, Marcelo Granja, concorda com a tendência irreversível de adoção dos arquivos digitais de som. "Nossa próxima geração de produtos trará o MP3. O mercado brasileiro já está começando a exigir".

Liberdade – Érica Li é DJ, especialista em black music. Principalmente dos anos 1970. Artistas como Gil Scott Heron, Curtis Mayfield e Isaac Hayes. Ela prefere o som analógico do vinil ao digital. Para o tipo de música que ela toca, os baixos são essenciais e, nos velhos LPs, eles estão todos nos lugares certos.

Mesmo assim, Érica reconhece a importância da liberdade de acesso trazida pela Internet. "É uma fonte maravilhosa de informação", afirma a DJ, que tem cerca de 1500 discos de vinil e 600 CDs. "Uso mais para pesquisar. Quando gosto da música, vou atrás do disco".

Mercado – Em 1997, a indústria brasileira de CDs faturou USD 700 milhões. EM 2002, caiu para USD 210 milhões. Em cinco anos, o mercado local foi de dois discos de diamante duplo, com tiragem de dois milhões de cópias, para nenhum. As gravadoras apontam a pirataria, que vendeu 45% a mais que as gravadoras, como a principal causa da queda.

A indústria não considera o CD uma tecnologia em declínio. "Pelo contrário, ainda vejo a oportunidade para vários aperfeiçoamentos, agregando mais valor e conteúdo ao CD", afirma o diretor geral da Associação Brasileira dos Produtores de Disco (ABPD), Paulo Rosa. Ele vê com otimismo a Internet como novo canal de distribuição, aliado ao formato MP3, mas diz que este mercado, no Brasil, ainda depende da criação de serviços de vendas on-line e do acesso dos consumidores à rede mundial. Cerca de 14 milhões de brasileiros possuem conexão de Internet em casa.

Na semana passada, a revista Fortune elegeu a loja de música digital da Apple, denominada iTunes Music Store, o produto do ano. Desde o seu lançamento em abril de 2003, o serviço vendeu mais de 20 milhões de músicas, a USD 0,99 cada. Por enquanto, ela só atende ao mercado norte-americano.

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    Mori Itiro

    Bacharel em Economia pela Univ. Mackenzie,...

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