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A abertura do foco para além do campo de visão do especialista.

A especialização em um campo específico de conhecimento, em muitos casos, decorre da exigência cada vez maior de profissionais extremamente qualificados no mercado de trabalho, tais como na área médica e jurídica.

Para alcançar o elevado grau de qualificação exigido, muitos profissionais trabalham e estudam horas a fio como enfoque em um único objeto. Sob esta ótica técnico-mecanicista, o especialista acaba paradoxalmente sabendo muito de muito pouco. E nada de quase tudo. Além disso, o trabalhador, sem uma visão sistêmica da atividade, passa a ser uma mera peça de um grande quebra-cabeça. E ainda, o trabalho deste especialista se reduz a resolução de problemas apenas em seu microcampo de atuação.

Historicamente, a especialização para a melhor eficiência das atividades humanas decorre de longa data, quando as sociedades primitivas iniciaram a divisão do trabalho entre homens e mulheres. Aos homens cabia precipuamente a função de caçar o alimento necessário à perpetuação da espécie. Às mulheres cabiam as funções de coleta dos vegetais e a educação dos filhos.

Com o advento da revolução industrial, Ford introduziu a especialização da atividade produtiva nas fábricas de veículos automotores a fim de dinamizar tempo e custo operacional. Charles Chaplin, no filme "Tempos Modernos", critica a situação dos trabalhadores nas fábricas, pois o homem é visto como um componente da corporação, tal como um instrumento do capital e não como um indivíduo. Por isto, o discurso da especialização, ainda que sedutor, deve ser analisado sob uma abordagem sistêmica da problemática envolvida entre o capital e o trabalho. E mais, qual o papel do homem nas organizações.

Dessa forma, a qualificação dos profissionais não pode excluir a necessidade de profissionais com visão global, sob pena de se tornarem bonequinhos das organizações.

Por isto, o especialista, em uma visão mais contemporânea, não deve ser aquele conhecedor pleno, porém alienado, de um determinado segmento do saber. O especialista moderno é metaforicamente como uma águia que possui uma extrema capacidade de foco para agarrar seu alvo. Sem, no entanto, perder o vasto campo de visão que possui.

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    Débora Scottini

    Possui graduação em Turismo - Ênfase em Planejamento em Áreas Naturais pela Universidade Federal do Paraná (2005) , graduação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2010) e graduação em Administração pela Universidade Federal do Paraná (2010) . Atualmente é servidor público efetivo do Ministério Público Federal. Tem experiência na área de Direito , com ênfase em Direito Público.

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