Salário não cobre despesas de início de ano para 91% dos brasileiros; saiba como organizar suas finanças
Salário não cobre despesas de início de ano para 91% dos brasileiros; saiba como organizar suas finanças

Salário não cobre despesas de início de ano para 91% dos brasileiros; saiba como organizar suas finanças

De acordo com a pesquisa, uma das causas do problema é a dificuldade de executar um planejamento financeiro

Você conseguiu pagar todas as despesas de início de ano apenas com o salário do mês? Se a resposta for positiva, você faz parte de um pequeno grupo de pessoas que não começaram o ano no vermelho.

Um levantamento conduzido pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que apenas 9% dos brasileiros conseguiram saldar suas despesas como impostos sazonais — IPTU e IPVA, por exemplo — e contas com material escolar apenas com o próprio salário.

Isso implica que 91% dos entrevistados precisaram recorrer ao mercado de crédito para quitar as despesas, arcando também com juros nas operações.

De acordo com a pesquisa, uma das causas do problema é a dificuldade de executar um planejamento financeiro. O estudo indica que 89% dos entrevistados afirmaram ter planejado as finanças para iniciar o ano com tranquilidade.

Período de renovação ou de aperto?

Os primeiros meses do ano compõem um período sensível para quem tem uma vida financeira pouco regrada. A partir de dezembro, mês com alto apelo de consumo e no qual os trabalhadores contam com a injeção do 13º salário, até março — tempo em que se concentram as principais despesas do ano — há uma ampla oscilação no orçamento que pode resultar em endividamento e inadimplência.

Outra sondagem realizadas pela CNDL e SPC Brasil mostra que, apesar dos alto níveis de endividamento e inadimplência dos brasileiros nos últimos anos, existe uma preocupação cada vez maior não só em sair do vermelho, mas também em economizar.

Essas são as duas metas da maioria dos brasileiros para 2019. O estudo mostrou que poupar é a maior prioridade, com a preferência de 51% dos entrevistados; já saldar todas as dívidas e ficar em dia com os credores está no topo da lista de 37% das pessoas.

Esforços não faltaram: 82% dos brasileiros, segundo a pesquisa, cortaram gastos para pagar os boletos em atraso no ano de 2018.

Educação é o caminho para organizar a vida financeira

Cortar gastos é importante, mas não é a única disciplina que deve ser adotada pelos consumidores — sobretudo aqueles que querem virar o jogo e se tornarem investidores.

O processo de educação financeira envolve algumas etapas, entre elas:

1. Diagnosticar sua situação atual

É comum que uma pessoa em situação de inadimplência não tenha controle sobre o seu saldo devedor — ou seja, quanto, exatamente, deve ao credor — e quanto está pagando de juros.

Quando as contas se acumulam — boletos, financiamentos, empréstimos consignados — fica ainda mais complicado manter o registro do que é pago e do que ficou pendente.

Em vários aspectos, as finanças pessoais e familiares se assemelham às das empresas. Há os rendimentos de todos os membros da família (Ebitda), a margem financeira usada para aumentar o padrão de vida (fluxo de caixa) e o levantamento da diferença entre ativos e passivos (balanço patrimonial).

Para manter organizadas tanto a vida financeira da sua família quanto da sua empresa, é importante ter indicadores e realizar diagnósticos periódicos. Assim, você evita pagar mais do que deve e não contrai dívidas que podem desequilibrar sua estabilidade.

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2. Entender o funcionamento das finanças

Durante muito tempo, lidar com dinheiro era um mistério para quase todos os brasileiros. Dinheiro tratava-se simplesmente de remuneração pelo trabalho e só. As crises inflacionárias nos anos 1980 e 1990 e as políticas econômicas fracassadas do período deixou a população ainda mais desacreditada.

Um dos pilares do Plano Real foi o resgate da confiança das pessoas no sistema financeiro, o que possibilitou o processo de transição e garantiu uma estabilidade duradoura.

No entanto, termos como "inflação", "juros compostos" e "taxa selic" ainda são misteriosos para boa parte das pessoas, que terminam por viver à mercê de bancos e operadores que entendem muito bem essas palavras.

Segundo o SPC, os bancos são os principais credores de todas as dívidas em atraso, respondendo por 51,5% do total.

Entender que seu dinheiro pode render em seu favor, quais são os investimentos mais inteligentes e a quais indicadores eles estão atrelados, quais os elementos que compõem sua dívida pessoal e como o spread bancário prejudica você e dá lucros recordes às instituições bancárias é fundamental para tomar decisões mais inteligentes.

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3. Definir objetivos

Finanças estão mais relacionadas ao comportamento dos consumidores do que você imagina. E a sua atitude pode fazer você gastar mais ou menos dinheiro para atingir determinado objetivo.

Por exemplo, digamos que você quer comprar um carro. Mas só serve se for um zero do ano. E tem que ser agora.

Para que todos esses requisitos sejam atendidos, é necessário adquirir um financiamento ou leasing, produtos financeiros que têm alto custo para o consumidor.

Não é incomum ouvir que o financiamento de um bem seria suficiente para comprar dois.

Se você ajustar esse objetivo, notará que o montante necessário pode ser reduzido. E, nesse ponto, o tempo é fundamental para sua estratégia.

Se, por exemplo, em vez de adquirir uma dívida, você aplicar seu dinheiro em operações que pagam juros para, no futuro, dar uma entrada mínima de 50% no valor do bem desejado, seu poder de barganha aumenta e os juros pagos à instituição financeira caem, uma vez que o risco de inadimplência também é menor.

Em resumo, os mais apressados pagam a conta dos mais previdentes.

Definir objetivos — viajar para o exterior, fazer um intercâmbio, comprar uma casa ou até mesmo se aposentar — é crucial para um planejamento financeiro eficaz.

4. Renegociar dívidas

Se suas contas estão fora de controle e sua renda é insuficiente para pagar tudo dentro do mês, a primeira ação que deve ser adotada após o diagnóstico é a renegociação das dívidas.

É comum que os credores disponham de programas e até feirões para mudar os termos das dívidas dos inadimplentes. Para eles, é a chance de obter um pagamento que, de outra maneira, jamais receberiam de uma pessoa em situação de inadimplência e com as finanças desorganizadas.

Como qualquer processo de negociação, você precisa construir alguma vantagem em seu favor e mostrar como poderá pagar a dívida. Assim, seu poder de barganha para pedir uma dilatação do prazo e o achatamento das parcelas é maior.

A renegociação das dívidas garante a solvência do devedor e permite que, futuramente, ele volte a consumir.

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5. Investir com inteligência

Por fim, com a casa em ordem e uma boa margem financeira para investimentos, é hora de pensar nas melhores aplicações de acordo com os objetivos traçados.

Como ressaltamos, o tempo é um fator-chave quando falamos de dinheiro. Há opções mais rentáveis do que a poupança para investimentos em longo prazo, e há títulos e fundos que remuneram melhor no curto prazo.

Mas também há outro item na balança chamado risco. Para ganhar mais dinheiro em menos tempo, você precisa de maiores conhecimentos sobre os tipos de aplicação e maneiras de operar e precisa também estar preparado para perder parte do valor investido.

Já os investimentos tidos como mais seguros — especialmente no campo da renda fixa — tendem a pagar menos ao investidor.

Com esses dois fatores em mente, é necessário que você ajuste seu leque de investimentos ao seu perfil de investidor. Dessa maneira, o dinheiro poupado pode ser investido em opções que trarão rendimentos otimizados para o seu perfil e objetivos.

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