Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros não controlam suas finanças

Economista alerta para os perigos do descontrole no orçamento e a falta de conhecimento das pessoas sobre os gastos mensais

06 fevereiro 2014

Controlar despesas e organizar finanças são pontos que preocupam parte da população. Pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 80% dos brasileiros não controlam suas finanças e que apenas 18% têm um bom conhecimento quando o assunto é finanças pessoais.

O economista e especialista em investimentos e métodos quantitativos, Richard Rytenband, alerta para os perigos de ignorar a própria realidade financeira.

“O resultado da pesquisa mostra claramente a mente coletiva em ação, e o estado de negação das pessoas que evitam a todo custo conhecer de fato qual sua realidade financeira e qual padrão de vida seria possível sem comprometer as finanças”, comenta.

70% das pessoas que têm pouco ou nenhum conhecimento sobre as finanças pessoais terminam o mês com a conta corrente zerada ou pior terminam o mês no vermelho.

“A atual dinâmica social, acrescida de certas características da própria mente humana condena boa parte das pessoas a serem perdedoras financeiras” diz Richard.

Outro número assustador da pesquisa mostra que 40% das pessoas não têm informações exatas sobre a própria renda e 57% não sabem quanto podem gastar a mais. O especialista define essa situação como uma comodidade das pessoas.

“A dificuldade de abrir mão de recompensas de curto prazo e o pensamento em termos relativos cria uma espécie de efeito manada pelo consumo. E justamente uma das características do efeito manada é a presença de uma mente coletiva que faz os participantes sentirem, pensarem e agirem de uma maneira muito diferente da que fariam em estado de isolamento”, complementa.

O economista conclui apresentando um dado do Banco Central que, segundo ele, explica os bons resultados registrados nas vendas do varejo.

“O dado fornecido pelo Banco Central referente ao endividamento das famílias com o sistema financeiro nacional em relação à renda acumulada dos últimos 12 meses, excluindo o crédito habitacional praticamente dobrou desde 2005, e isto demonstra como grande parte do aumento do consumo tem sido bancado através de endividamento, quando o mais saudável seria pelo crescimento da renda”, conclui o economista.

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