Oportunidades para o Brasil da Copa

Consultoria americana traça um perfil da economia brasileira, em decorrência da efervescência dos grandes eventos esportivos que o país está sediando

A consultoria McKinsey publicou no mês de maio um relatório exclusivo e detalhado sobre a economia brasileira. O título da publicação é “Connecting Brazil to the world: A path to inclusive growth”, traduzido, o título seria: “Conectando o Brasil com o mundo: Um caminho para o crescimento inclusivo”. Esse título reflete a ênfase do relatório, que busca identificar problemas da economia brasileira que impedem a continuidade do desenvolvimento social observado nos últimos anos. Com isso, são relacionados dois aspectos da economia: a competitividade global e o desenvolvimento social.

Os autores apontam a redução pela metade da taxa oficial de pobreza desde 2003 como uma das maiores conquistas dos últimos anos. Apesar de ser a sétima economia do mundo, o Brasil ainda é o 95º em PIB per capita. Muitas famílias tiveram modesto aumento de renda, enquanto as ineficiências produtivas e a carga tributária forçaram o aumento dos preços ao consumidor para fora do seu alcance. Mesmo após superar a linha da pobreza, muitos brasileiros encontram dificuldades para suprir necessidades básicas.

Imagem: Montagem/ Stockphoto.com

Um indicador do McKinsey Global Institute, que relaciona o custo de vida com a renda em diversos países, aponta que no Brasil é necessária uma renda de R$ 19 a R$ 27 por dia para obter um nível aceitável de segurança econômica (ou R$ 1900 a R$ 2700 por família e por mês). A pesquisa mostra que 50 a 70% da população se mantém com renda média inferior a essa linha, ou ao menos prestes a cair abaixo desse nível.

“Brasil tornou-se rapidamente a sétima maior economia do mundo, mas riqueza individual não conseguiu seguir o exemplo.” (Reprodução gráfica - http://www.mckinsey.com/)

Os programas de transferência de renda não são suficientes para resolver esse problema. É preciso elevar o PIB per capita, criar empregos de melhor qualidade e elevar o poder de compra por meio da oferta de bens por menores preços. Os autores apontam o aumento da produtividade como o caminho para atingir esse objetivo.

Para que isso ocorra, os autores recomendam que o país aumente sua integração com as redes e mercados globais, pressionando as empresas a inovar, investir e se modernizar. Por décadas, a política econômica favoreceu as empresas brasileiras por meio do protecionismo. Porém, isso comprometeu a competitividade dessas empresas, que estão menos preparadas para competir globalmente.

Ao mesmo tempo em que comemora um quarto de século desde o fim da ditadura militar, o país pode escolher entre manter o isolamento do passado ou abraçar as oportunidades que emergem de uma economia interconectada e intensiva em conhecimento. Aproveitar essas oportunidades, segundo os autores, requer superar algumas barreiras históricas, como a estrutura tributária arcaica e complexa. Mas também envolve um olhar para o futuro, reorientando as políticas de comércio exterior na direção de mercados-chave e encontrar maneiras mais eficazes de aproveitar os recursos naturais para investimento.

O que priorizar para aproveitar as oportunidades?

Os problemas que nos impedem de superar as barreiras atuais são relativamente conhecidos, mas é necessário organizar as prioridades e mudar a agenda, o que passa por aspectos econômicos, mas também por definições que dependem do cenário político a ser desenhado pelas eleições de 2014. Assim, as prioridades recomendadas pelos pesquisadores são:

• Mudar o foco do desenvolvimento econômico para o investimento;
• Continuar a reduzir a economia informal;
• Reorientar a política comercial para integrar com os mercados globais;
• Redesenhar as políticas de crescimento para competir em uma economia global e intensiva em conhecimento;
• Construir uma infraestrutura compatível com o século 21, que integre a economia Brasileira e conecte-a com o mundo;
• Aumentar a competitividade pela redução do custo Brasil;
• Elevar a produtividade do setor público;
• Foco em educação e treinamento para desenvolver o capital humano.

Texto e análise de Marcos Piellusch, professor de finanças e coordenador de cursos do LABFIN (Laboratório de Finanças) da FIA (Fundação Instituto de Administração).

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