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Não ter foco na carreira pode ser um bom caminho, defende Rafael Cortez
Não ter foco na carreira pode ser um bom caminho, defende Rafael Cortez

Não ter foco na carreira pode ser um bom caminho, defende Rafael Cortez

Humorista, ator, músico, comunicador e várias outras coisas, o ex-CQC fala sobre sua carreira e diz que quer compartilhar experiências com público corporativo

Em 2008, estreou no Brasil a versão tupiniquim do Custe o Que Custar, formato televisivo da produtora de origem holandesa Eyeworks que tem franquias em diversos países. Naquele primeiro ano, o sucesso foi estrondoso. O CQC caiu nas graças do público, arrematou todos os prêmios que pôde e alçou ao estrelato seus repórteres pouco convencionais, que - com uma mistura de humor e jornalismo – aterrorizaram políticos, polemizaram com celebridades e, claro, construíram suas marcas pessoais. Um dos integrantes dessa safra é Rafael Cortez, que deixou o programa em 2012 e, nesta semana, conversou com o Administradores.com sobre sua carreira, novos projetos e sua intenção de atuar junto ao público corporativo.

Quem viu Rafael conquistar aquele sucesso todo no CQC deve imaginar que ele se dedicou à vida inteira ao jornalismo ou ao humor para conseguir chegar ali. Mas a história não é bem essa. “Eu era assessor de imprensa de dia, produtor de teatro de tarde e ator nos intervalos da faculdade, de noite”, diz o artista, que também é músico e já foi atendente em uma videolocadora e assessor parlamentar. E ele defende: “um caminho com diversidade de atuações não necessariamente pode ser ruim”. E complementa: “É preciso perder o receio de abrir frentes novas”.

Confira abaixo a íntegra da entrevista que ele concedeu ao Administradores.com:

Você já fez de tudo um pouco nessa vida. O Brasil passou a conhecê-lo depois do CQC, mas você já foi ator infantil, atendente de videolocadora e até assessor parlamentar. Que aprendizado você tirou de todas essas experiências?

De tudo que já fiz no passado e continuo fazendo hoje, nasceu minha constatação de que um caminho com diversidade de atuações não necessariamente pode ser ruim. Quando eu tinha 19 anos e fazia Rádio e Televisão na FAAP/SP, lembro de um professor que nos apavorava com a ideia de que, sem um rumo minimamente traçado e foco em um área ou trajetória muito específica, estaríamos ferrados. E eu me sentia péssimo, pois nessa época eu era assessor de imprensa de dia, produtor de teatro de tarde e ator nos intervalos da faculdade, de noite. Enquanto isso, cada um dos meus colegas se dedicava o dia todo a uma única coisa da carreira. Eis que passados alguns anos eu me vi no CQC, onde eu podia cobrir qualquer assunto, porque me sentia minimamente familiarizado com cada um deles: fazia pauta de música, porque estudei violão por 10 anos; de teatro, porque sou ator; de política, porque fui assessor parlamentar; de celebridades, porque escrevi sobre elas na Editora Abril. E assim por diante. Hoje, o mercado não me assusta mais, porque se me faltar trabalho de humorista, exerço o jornalismo. Se o jornalista se esvair, posso tocar violão. Se nada disso der certo, eu atuo. É preciso perder o receio de abrir frentes novas, e isso eu falo dentro da realidade das empresas: em uma mesma empresa, dentro do seu mesmo cargo, é possível e importante conhecer as diversas realidades do produto que você vende.

Você está envolvido em uma série de atividades simultaneamente: TV, palestras, stand-up, teatro, música, literatura. Como você faz para dar conta de tudo isso? Ou, melhor: você conseguiria não fazer tudo isso?

Então... O preço de tantas coisas rolando simultaneamente é alto. Eu, até hoje, não sei dirigir, não casei, não tenho namorada, filhos, não sei cozinhar, essas coisas. Minha vida é uma vida de labuta. Gosto é de trabalhar. No futuro, eu me vejo pegando mais leve. Mas seguirei até que as áreas em que atuo se equilibrem. Hoje, minha parte cômica sustenta financeiramente a musical. Sou eu quem financio meus projetos de música. Eu ralo para que um dia essa minha parte também dê lucro ou, no mínimo, se sustente. Falo sobre isso na minha palestra: o conceito de estratégia no equilíbrio das ações profissionais em meio à vida cotidiana e ao tão incompreendido tempo.

Essa sua "hiperatividade profissional" já chegou a atrapalhar você em algum momento?

Por um lado sim, é claro. Veja, eu tenho 37 anos e é chato não saber ainda guiar um automóvel. Namoradas, então? É um fato que algumas que tentaram se manter na minha vida saíram daqui muito chateadas: meu espaço para relacionamentos é menor, ainda que eu esteja tentando mudar isso. No entanto, o lado bom é muito melhor. Tenho meu patrimônio, atuo em áreas que eu amo, ajudo quem eu gosto, tenho uma carreira que acho crível e consistente, e tudo isso me faz trafegar em lugares incríveis, empresas maravilhosas e conhecer gente formidável. Ainda vale muito a pena e eu recomendo.

O que levou você a resolver investir no público corporativo como palestrante?

Nos últimos 10 anos tenho feito muitos eventos no mercado corporativo. Da minha fase de CQC para cá, mais ainda. E me afeiçoei demais a esse mercado e a seu público. Gosto de empresas, de seus bastidores, de ver como dialogam crescimento e estratégia, de como comemoram metas alcançadas e como celebram seu pessoal, sua linha de frente. Sentia falta de ter um produto mais direcionado a esse mundo. Minhas atuações como mestre de cerimônias e comediante/improvisador nas empresas, sempre foram intensas, mas muito personalizadas, variando de acordo com o contratante. Me dei conta de que uma palestra seria ideal para transitar em todo tipo de empresa e em qualquer situação - seja na fase de falar de metas, seja na fase de confraternizar e comemorar ganhos.

E o humor, onde fica nessa história?

Minha palestra é um testemunho bem-humorado, na linha do stand-up, de minha trajetória profissional. Enquanto falo do que passei, traço paralelos com a realidade de quem me assiste. Ao longo da palestra, conto histórias que rolaram comigo que criam identificação com meus espectadores. E são histórias divertidas. Algumas bizarras, eu diria. E, na parte das questões do público, no final, a informalidade deixa a parte cômica ainda melhor.

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