Minas Gerais é um dos estados com maior número de startups

Cada vez mais jovens empreendedores apostam neste mercado para desenvolver soluções inovadoras e tecnológicas

A palavra em inglês não encontrou uma tradução ideal ao português, então é utilizada assim mesmo: startup. Tem quem pense que é uma empresa qualquer no início de carreira ou a versão pequena de uma grande companhia. Não. Startups são negócios de base inovadora em que a gestão é focada no crescimento rápido, atingindo um mercado amplo, mesmo com um alto risco de insucesso. Em Minas Gerais, o cenário é promissor: o Estado é o segundo do país em número de startups, segundo o site startupbase.net, atrás apenas de São Paulo.

Geralmente, os fundadores de startups são jovens criativos, com boas ideias, disposição e recursos insuficientes para abrir um negócio. O desafio não é pequeno, mas é inspirador. Com muito trabalho e ajuda de investidores ou de programas de incentivo, é possível alcançar o sucesso.

Uma conversa sobre negócios e inovação com Victor Jannuzi revela um jovem empolgado com o futuro promissor, confiante nas estratégias que seguiu para desenvolver seu produto e extremamente consciente dos riscos e do trabalho que vem pela frente. O projeto de conclusão de curso na Escola de Formação Gerencial (EFG), em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, acabou se transformando em um aplicativo para dispositivos móveis que mostra ao usuário o melhor trajeto e as opções de transporte (carro, ônibus, bicicleta ou mesmo a caminhada) de um ponto a outro de qualquer cidade do mundo, em tempo real, de acordo com o movimento do trânsito no momento.

O lançamento oficial do Up! GPS Online aconteceu em dezembro para dispositivos com sistema Android. Logo virá a versão full, aprimorada e traduzida para o inglês e o espanhol, que será paga. “Já estamos desenvolvendo a ideia há oito meses. A equipe conta com 15 pessoas, muito empenhadas.”, afirma. Com toda essa convicção, nem parece que Victor Jannuzi tem apenas 17 anos.

Para colocar a ideia em prática, foi necessário investimento. Três importantes parceiros contribuíram com um capital incalculável: conhecimento. Com a base obtida na EFG, o jovem empresário acrescentou o auxílio da Edutec, empresa focada em tecnologia para educação, que contribuiu na criação do plano de negócios da startup; a experiência de Samir Iázbeck, da Qrânio, startup cujo aplicativo já tem 150 mil usuários em 71 países; e a força de trabalho da Swap Informática, empresa do Rio de Janeiro que aceitou investir o equivalente a R$ 900 mil em horas de trabalho de uma equipe especializada para desenvolver o produto que, em troca, se tornou sócia de Victor no empreendimento.

Ligação quase gratuita

Assim como a UP! GPS Online, boa parte das startups é focada em tecnologias inovadoras. “Costumam ser empresas promissoras porque usam a internet para distribuir seu produto, reduzindo custos e eliminando riscos como processos logísticos ou infraestrutura física para o seu funcionamento”, analisa Yuri Gitahy, especialista em startups que apoia projetos estratégicos do Sebrae Minas para atendimento ao empreendedor digital e auxilia na gestão da carteira de startups.


“Esse tipo de negócio tem um jeito criativo e diferente de resolver problemas. Com isso, pode despertar novos mercados, como aconteceu com compras coletivas, ou baratear muito o acesso a mercados existentes, no caso dos aplicativos de taxi”, exemplifica o consultor.

Uma startup surge quando o empreendedor se vê diante de um problema e busca oferecer a solução ao mercado. Foi o que aconteceu com Lucas Silva, que encontrava constantes empecilhos para fazer contato com o escritório de sua empresa nos Estados Unidos ou com o do Brasil quando estava fora do país. O valor da conta ficava alta e a necessidade de internet rápida para utilizar aplicativos que realizam chamadas gratuitas ou a preços menores era um entrave, já que a tecnologia 3G apresenta falhas e variações de velocidade.

Engenheiro de manutenção em uma usina de níquel em Goiás, Gustavo Maierá abandonou o emprego em janeiro de 2012 para se unir ao amigo Lucas Silva no projeto. Assim surgiu a Dial4me,startup originária de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que desenvolveu um aplicativo para smartphones e tablets que promete gerar até 70% de economia em ligações internacionais para 206 países. E o mais inovador: sem utilizar internet durante a ligação, necessitando apenas de conexão de baixa velocidade e, por poucos segundos, antes da chamada. “O objetivo é reduzir os custos com roaming. Uma ligação por meio do Dial4me dos Estados Unidos para o Brasil, por exemplo, custa US$ 0,05 o minuto”, explica Gustavo Maierá.

O ideal é que, ao chegar ao exterior, o usuário compre um chip pré-pago local que tenha acesso à internet. O download do Dial4me é gratuito, e o usuário deve inserir créditos por meio de cartão de crédito para realizar as chamadas, a exemplo de aplicativos como o Skype. Em seguida, é só inserir o novo número no campo “de” e o número para o qual deseja ligar no campo “para”. “É neste momento que o app utiliza a internet, inclusive de baixa velocidade, ao contrário da maioria dos concorrentes. Depois disso, a ligação é completada sem o uso da conexão e com excelente qualidade de áudio”, detalha o empresário. O usuário também pode optar por não comprar o chip no exterior e utilizar conexões wi-fi de hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos, mas, com isso, perde em mobilidade.

A startup recebeu apoio do Sebraetec, programa do Sebrae Minas que permite acesso subsidiado a serviços em inovação e tecnologia. “Foram investidos R$ 80 mil entre 2012 e 2013, fundamentais para o desenvolvimento do projeto”, conta Gustavo Maierá. Além disso, os sócios utilizaram a forma mais simples de empréstimo: a familiar. Com R$ 60 mil alocados pelo pai e outros R$ 60 mil por um investidor, eles desenvolveram o aplicativo, que, após vários testes, foi lançado em novembro de 2013 em versões para Android e iOS. O reconhecimento veio rápido. Dias depois, o Dial4me foi citado pela revista Exame como um dos 10 apps essenciais para os negócios. A expectativa é que o mercado aprove o app em até dez meses. “Agora, estamos investindo em divulgação, para nos tornarmos conhecidos e alcançarmos mais clientes”, vislumbra o empresário.

O caminho da evolução

Ranking de startups por estado*
1°: São Paulo – 611
2°: Minas Gerais – 190
3°: Rio de Janeiro – 169
Total: 2.423
*Cadastradas no www.starupbase.net

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