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Grupos rivais tentam salvar Parmalat

Dois consórcios, em lados opostos, trabalham para elaborar planos de reestruturação da Parmalat no Brasil Os grupos refletem o racha na administração da companhia: um foi designado pela administração judicial e outro representa a matriz italiana.

SÃO PAULO - Dois consórcios, em lados opostos, trabalham para elaborar planos de reestruturação da Parmalat no Brasil Os grupos refletem o racha na administração da companhia: um foi designado pela administração judicial e outro representa a matriz italiana.

De um lado, estão a WKI, de Joel Korn (ex-presidente do Bank of America no Brasil), a GGR Finance, o ex-banqueiro Luís César Fernandes (fundador do Pactual )e os advogados Paulo Campos Salles de Toledo e Jorge Lobo. O consórcio foi nomeado pelo juiz Carlos Henrique Abrão, da 42ª Vara Cível de São Paulo, que decretou intervenção na empresa.


Do outro, está a Íntegra, consultoria que tem entre os sócios Oscar Bernardes, que já trabalhou na Booz Allen. Esse grupo foi contratado pelo Felsberg, escritório de advocacia que representa os interesses da Parmalat italiana no país. Executivos da consultoria não foram localizados para comentar o assunto.

O grupo ligado aos interventores está trabalhando desde o início de fevereiro e, segundo Korn, os consultores estão recomendando medidas de ação imediatas que permitam a retomada das atividades produtivas da empresa em nível mais intenso que hoje. " Estamos avaliando o diagnóstico para encaminhar ações de curto prazo que sejam consistentes e realistas para a recuperação da empresa " , diz.

O economista Paulo Rabello de Castro, que diz contribuir " indiretamente " com o consórcio, afirma que ainda não há uma solução pronta. " Estamos tomando pé da situação, porque a homologação do juiz (para começar a trabalhar) só saiu na semana passada " , afirma.

Segundo Rabello de Castro, há algumas opções na mesa e todas visam segregar riscos e " descontaminar " a operação dos passivos.

Jorge Lobo minimiza a disputa entre os dois lados e diz que, apesar de existirem duas consultorias atuando para partes distintas, o trabalho de uma não atrapalha o da outra. " Apenas chegamos antes, mas nós todos estamos tentando salvar a empresa " , afirma.

Antes da intervenção, os credores contrataram a KPMG para avaliar os ativos da empresa.

Desde a última sexta-feira, a administração judicial, presidida por Keyler Carvalho Rocha, e a Parmalat italiana tentam chegar a um consenso sobre quem manda na empresa. A idéia dos advogados da Parmalat era de que Abrão aceitasse retirar a administração judicial para substituí-la pelos gestores indicados por Enrico Bondi, o administrador nomeado pela Justiça italiana.

Lobo chegou a ser chamado pelo juiz para ser um dos três interventores da Parmalat, mas não aceitou o cargo. Em carta enviada a Abrão, Lobo disse que não queria colocar sua carreira a perigo. " Convenci-me que não posso, sob pena de trair sua confiança e pôr em risco a reputação que conquistei em 35 anos de trabalho profícuo, vindo a me tornar, na hipótese de falência da Parmalat, que se mostra iminente, administrador de uma empresa quebrada. "

Para o lugar de Lobo, Abrão nomeou o advogado Aroldo Joaquim Camillo Filho, que foi indicado para a diretoria de relações com investidores da empresa.

Hoje, tudo na Parmalat é em dobro, a começar pela presidência. Pelas mãos do juiz, Rocha chegou ao comando da empresa quando Ricardo Gonçalves foi destituído do cargo. Em recurso judicial, Gonçalves voltou mas não conseguiu reassumir o dia-a-dia, porque a administração judicial não terminou.

Nas questões judiciais, a duplicidade persiste. Os juízes Abrão e Núncio Theóphilo Neto, da 29ª Vara, disputam o julgamento do caso. Uma instância superior da Justiça dirá quem deverá julgá-lo. Na defesa da Parmalat também existem dois grupos de advogados: um nomeado pela Itália e outro pelos interventores.

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