Financiamento do déficit das contas externas é 'confortável', diz diretor do BC

Em relação a tudo o que o país produz (PIB), o saldo negativo deve ficar em 3,60%, contra 3,53% previstos anteriormente

24 março 2014

O financiamento do déficit das contas externas brasileiras está em
situação favorável e confortável, de acordo com a avaliação do chefe do
Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel.
Hoje, o BC divulgou a revisão da estimativa de déficit em transações
correntes, que são as compras e as vendas de mercadorias e serviços do
país com o mundo – de US$ 78 bilhões para US$ 80 bilhões, este ano. Em
relação a tudo o que o país produz, o Produto Interno Bruto (PIB), o
saldo negativo deve ficar em 3,60%, contra 3,53% previstos
anteriormente.

Maciel argumentou que os ingressos de investimentos estrangeiros
diretos (IED) seguem entrando no país de “forma significativa”. “É a
melhor forma de financiamento do déficit de transações correntes porque
são recursos que entram no país e se incorporam ao processo produtivo”,
disse.Entretanto, o IED não será suficiente para cobrir o saldo negativo. A
projeção do BC é que o IED fique em US$ 63 bilhões, este ano, o que
corresponde a 2,84% do PIB.

Para Maciel, a segunda melhor forma de financiar o déficit em
transações correntes são os empréstimos externos de médio e longo prazo.
Segundo Maciel, no primeiro trimestre, a taxa de rolagem dos
empréstimos deve ficar acima de 150%. Quando essa razão entre
desembolsos e amortizações está acima de 100%, as empresas não somente
rolam os vencimentos, mas também tomam mais recursos. De janeiro a
fevereiro deste ano, essa relação ficou em 139% e neste mês, até o dia
20, em 271%.

Além do IED e dos empréstimos, o déficit em transações correntes
também é financiado por investimento estrangeiro em ações e títulos. A
previsão do BC para o investimento estrangeiro em ações negociadas no
Brasil e no exterior é US$ 5 bilhões este ano, contra US$ 10 bilhões,
previstos anteriormente. Para o investimento em títulos negociados no
país, a estimativa é US$ 15 bilhões em 2014, ante projeção anterior de
US$ 10 bilhões.

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