Especial Startups | Nearbytes e a transferência de dados pelo som
Especial Startups | Nearbytes e a transferência de dados pelo som

Especial Startups | Nearbytes e a transferência de dados pelo som

"O futuro chegou", essa é a mensagem dada pela startup Nearbytes, que desenvolveu uma tecnologia capaz de modificar vários setores

Quem nunca assistiu a um filme futurístico e se perguntou: “será que um dia isso será possível?”. Com todo o avanço tecnológico e inúmeras pesquisas que aparecem, a pergunta é absolutamente natural. Volta e meia uma tecnologia chega para suprir uma necessidade da nossa rotina.

E a startup carioca Nearbytes é uma dessas empresas que segue esse caminho de criar novas soluções. A empresa desenvolveu uma tecnologia - que leva o mesmo nome da startup -, capaz de transferir dados de um dispositivo móvel sem conexão com internet ou uso de Bluetooth, apenas através do som.

Como parte do especial "2014: o ano da sua startup", divulgado na edição 24 da revista Administradores, conversamos com Marcelo Ramos, CTO da NearBytes e com a Vivian Rousseau, CEO da Kinetics, braço braço tecnológico de suporte da startup.

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Edição nº 24 da revista Administradores

Vocês desenvolveram uma tecnologia bastante promissora: transmitir dados através do som. Como surgiu esse projeto?

(Marcelo) Em 2011, estávamos fazendo uma série de desenvolvimento de jogos na Kinectis, até para capacitação de mercado mobile e trabalhando vários recursos com GPS entre outros. E uma das ideias que surgiu era fazer um álbum de figurinhas, nos mesmos padrões do real. As pessoas iam colecionando figurinhas e juntando. Naturalmente, como estávamos pensando nesse jogo, a grande graça do jogo seria a troca de carta, a negociação de cartas. Você passar um para o outro.

Mas a gente pensou: “como vamos trocar uma carta com o outro? Cada um com o seu celular”. Então, pensamos nas tecnologias que tinha na época: Bluetooth. Mas ele existe algumas limitações como o iPhone não “fala” com o Android. Então, a gente descartou.

Pensamos, então, no NFC que funcionaria bem, mas são poucos dispositivos que tem NFC i isso limitaria o público. “GPS com internet?” Mas nem sempre temos um plano de dados com internet disponível. Então, não tinha nenhuma solução que atendesse essa nossa necessidade, os pré-requisitos que nós mesmos colocamos: não necessidade de internet, ser um jogo que não dependesse de GPS ou pareamento, que smartphones de sistema operacionais diferentes “se falassem” e, o mais importante, uma solução que permitisse a transferência de dados de qualquer aparelhos existentes no mercado, das versões mais simples até os mais novos.

Então, veio o pensamento: “E o som? Por que não usar o som? Afinal qualquer smarphones utiliza o som”. Fizemos pesquisas sobre essa possibilidade e quando vimos que era viável, reparamos que existiam “trocentas” outras aplicações que poderíamos usar essa questão do som. Então, rapidamente criou-se o projeto do Nearbytes. Ele foi ganhando corpo até sentirmos a necessidade de ele virar algo desvinculado diretamente da Kinects e virar uma startup.

Então, a partir de uma necessidade nossa mesmo, para lançar mais um jogo no mercado, nos propomos um desafio e nos vimos diante de uma invenção. Pois o som não é apenas um método de transmissão, o som é o próprio dado. Isso pode mudar métodos e processos que já existem atualmente e que são feitos por proximidade.

Em relação a implementação dela, você já conseguem utilizar essa transmissão de informações através da frequência sonora até onde?

(Marcelo) Isso cai em uma decisão que tomamos que foi disponibilizar um pacote de dados que permite qualquer desenvolvedor use a tecnologia. Então, a gente não está sentado em cima da tecnologia. Estamos disponibilizando para que isso abra mais possibilidades e seja usado em diversos tipos de aplicação. Então: pagamentos, jogos, fazer tickets, check in, uma série de nível de segurança alto. Também lançamos um aplicativo que passa a informação do celular para o computador nesse mesmo modelo, sem fazer login ou entrar numa página web.

Tudo isso sem internet?

(Vivian) Exatamente. A pessoa não precisa estar conectada, a comunicação toda é através do som. Os dados ainda são pequenos, mais para um mundo de possibilidades de aplicações, um dado pequeno é o suficiente.

Mas e o álbum de figurinha saiu?

(Vivian) A solução ficou mais importante do que o projeto (risos). O método para visualizar aquele game foi mais interessante e instigante do que fazer o game. O álbum de figurinha a gente não fez, mas por uma questão de honra, no final de 2013, nós lançamos um jogo estilo super trunfo, o “Top cards soccer”, que também usa essa questão de troca de cartas.

Não existe um receio de disponibilizar uma tecnologia tão promissora a vontade?

(Vivian) A estratégia de lançar uma disponível para todo o público, para todo o mundo foi pensada realmente. Pois, se criamos um método de comunicação por proximidade e cria-se inovações em tantos outros setores que hoje estão esperando um método efetivo, vamos, então, disponibilizar para o mundo inteiro. Então, o alcance é internacional. Hoje, estamos presentes com desenvolvedores interessados e que se cadastraram em todos os continentes, aplicando uma solução aos seus produtos. A gente quer que essa tecnologia se torne um padrão mundial, mas ela depende de ser bem propaga, divulgada e que o público adote. Então, a melhor estratégia é abrir essa possibilidade.

Como vocês visualizam o futuro. A transmissão de informações do som pode estar em todos os dispositivos e em pleno uso, quem sabe, em 10 anos?

(Marcelo) A ideia é sim que se transforme em um padrão no mercado. O que nós vemos é que outras tecnologias de transmissão de dados não se entendem. Não conseguem chegar à totalidade dos dispositivos. E quando se possui uma tecnologia que resolve o problema, isso abre mais possibilidades. Ele consegue ter quatro requistos que consideramos muito importante: ser compatível com qualquer smartphone no mercado, ser uma solução que funciona off-line, ser uma premissa muito simples de usar (precisa apenas de microfone e alto falante) e ter uma camada de segurança para os aplicativos que necessitem.

(Vivian) Com essa inovação, então, é possível mudar a forma como uma pessoa interage na porta do metrô, acionando uma catraca, pagando um boleto de consumo numa boate ou numa banca de jornal ou no e-commerce. Você pode abrir uma porta, uma fechadura elétrica usando o celular. Para gente é apaixonante realmente. Você ter uma inovação que acaba gerando inovações em outros segmentos, que não é uma coisa fechada em si só. O Nearbytes não é um substituto para ser descartado rapidamente. Então acreditamos que ela possa se tornar um padrão internacional, que já está disponível até para uso.

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