Entenda como é feito o cálculo da nota do ENEM

Para entender a sua pontuação, o estudante pode fazer uma analogia com escalas de temperatura, considerando que cada área ENEM tem a sua própria escala

Os olhos, ouvidos e demais órgãos sensoriais dos postulantes a uma vaga no ensino superior estão, nesta semana, todos voltados para as notas de corte do SiSU. O Sistema de Seleção Unificada do MEC calcula e divulga, uma vez por dia, as notas de corte para cada curso das 171.756 vagas oferecidas por Universidades Federais e Estaduais, bem como por Institutos Federais.

Até 10 de janeiro, o estudante deve monitorar essas notas de corte, comparar com as notas que ele obteve no ENEM 2013, e, se lhe for conveniente, trocar suas opções de curso, aumentando as próprias chances de iniciar sua vida universitária em 2014.

Muitos jovens, no entanto, questionam como as notas do ENEM foram calculadas. Um estudante, por exemplo, acertou menos questões em Matemática do que os acertos que obteve em Linguagens e Códigos, mas a sua nota calculada pela TRI foi menor nessa última área. Será que a conta feita pelo INEP está correta? Mesmo porque, Universidades diferentes apresentam pesos diferentes para as diferentes áreas do ENEM.

Do ponto de vista técnico, essa diferença não é evidência de que há alguma falha no cálculo ou algo assim. Para entender a sua pontuação, o estudante pode fazer uma analogia com escalas de temperatura, considerando que cada área ENEM tem a sua própria escala.

Na escala Celsius, o corpo humana apresenta uma temperatura média aproximada de 36,5 graus, um valor de referência para quente e frio. Da mesma forma, no ENEM, as escalas foram criadas em 2009 de modo que a média de pontuação de todos os participantes daquele ano fosse 500. Esse é o chamado valor de referência e certamente correspondia a médias de acertos diferentes em cada uma das 4 áreas. Além disso, esse valor nos dá uma ideia se uma pontuação no ENEM é acima ou abaixo da média.

Outros dois valores importantes para a escala Celsius são 0 e 100, que representam temperaturas em que a água congela ou entra e ebulição. No entanto, existem temperaturas mais baixas e mais altas, respectivamente, do que essas. No ENEM, costuma-se pensar em 200 e 1000 como valores extremos, mas isso também não é verdade, pode haver pontuações de quaisquer valores.

Contudo, da mesma forma que objetos e ambientes com os quais interagimos no dia a dia não apresentam temperaturas extremas, as pontuações do ENEM ficam dentro de certos limites, dificilmente superando 900, dificilmente ficando abaixo de 300.

Existem outras escalas de temperatura, como a escala Fahrenheit. Nessa escala, o corpo humana fica em 97,7 graus, o que corresponde aos 36,5 graus Celsius. Não quer dizer que está mais quente ou mais frio porque o número na outra escala é diferente. Além da diferença de valores de referência (32 e 212 graus para o congelamento e a ebulição da água), há também a diferença entre o passo que se dá na escala grau a grau: cada grau Celsius corresponde a 1,8 graus Fahrenheit. Da mesma forma, nas diferentes áreas do ENEM, os mesmos valores podem significar desempenhos diferentes.

Talvez a maior dúvida ainda resida na correspondência entre o número de acertos e pontuação em cada área. É natural que, em função do desejo de que sua nota seja a maior possível, o estudante tenha uma tendência de interpretar diferenças como inconsistências. Mas, como em muitas situações da vida adulta que se inicia para esses jovens, conhecer, entender e aceitar as “regras do jogo” é o caminho mais rápido para conquistar uma vitória.

Tadeu da Ponte é diretor da Primeira Escolha, empresa brasileira de avaliações educacionais, e consultor nas áreas de gestão baseada em indicadores e métodos quantitativos aplicados.

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