Crise de sentido versus futuro das organizações

O estilo de vida contemporâneo, com alta pressão por consumir cada vez mais e ganhar cada vez mais, não facilita e até desfavorece a possibilidade de termos momentos de reflexão em nossa carreira

Pensar sobre a crise de sentido e a fragmentação do conhecimento que caracterizam o mundo do trabalho atualmente nos leva a questionar se trabalhamos para viver ou vivemos para trabalhar? Há a necessidade urgente de ampliar a percepção do trabalho para uma consciência econômico, social, ambiental e ética, que seja capaz de repensar o mundo do trabalho para levar significado às ações empreendedoras.

Vivemos nos dias de hoje, principalmente no Brasil, em uma crise social, ambiental e principalmente moral. Uma crise caracterizada pela fragmentação do conhecimento, pela fragilidade das relações e pela desconfiança dos stakeholders no ambiente empresarial e político. Tal realidade é combinada com uma necessidade de se adaptar a novos contextos empresariais, com criatividade, resiliência, flexibilidade e agilidade cada vez maiores para atender às demandas dos clientes.

Esse estilo de vida contemporâneo, desarmônico, com alta pressão por consumir cada vez mais e ganhar cada vez mais, além do aumento acentuado do stress, não facilita e até desfavorece a possibilidade de termos momentos de reflexão em nossa carreira para dar sentido aos cargos que ocupamos. Viramos seres autômatos ao invés de sermos seres autônomos.

Os jovens vêm com uma perspectiva diferente para o trabalho, onde a busca pelo sentido é prioritária. O trabalho deixou de ser uma fonte de sobrevivência e passou a ser uma possibilidade de realização pessoal. Esse é o cerne da chamada Geração Y. As organizações, porém, em sua grande maioria, ainda seguem o modelo e valores das organizações da Era Industrial: Hierarquias organizadas para comando e controle, considerando as pessoas como recursos para atingir os objetivos empresariais, ou seja, o lucro.

É necessário desenvolver nas organizações um estilo de Liderança Transformador que valorize o autoconhecimento e a autorrealização individual e coletiva, estimulando o pleno desenvolvimento do potencial humano, favorecendo a criação da necessária sintonia e sinergia, orientadas por uma Ética da Diversidade e uma Ética da Sustentabilidade. A organizações devem promover ambientes onde a busca pela excelência, a criatividade e o trabalho em equipe satisfaçam a necessidade empresarial de rápidas inovações e adaptações associadas às aceleradas transformações organizacionais orientadas por uma busca não só pela sobrevivência, mas de sentido, de propósito que justifique uma participação maior de todos envolvidos no mundo empresarial.

São tempos de mudança, o que fica evidente nas grandes organizações. Na BM&FBovespa, temos o Índice de Sustentabilidade Empresarial e já há algum tempo, os indicadores Ethos de Responsabilidade social e empresarial que fazem parte de algumas culturas organizacionais.

Mas a busca de significado depende dos indivíduos e das instituições, porque todos devemos estar preocupados com porque fazemos o trabalho que fazemos. Em um passado recente, fazíamos porque precisávamos sobreviver, agora está ficando cada vez mais claro para muitas pessoas e instituições que dinheiro é algo simbólico. Nós geramos muito mais riqueza do que realmente precisamos para viver. O dinheiro não deveria ser a única medida de sucesso.

O sucesso e a felicidade não deveriam ser procurados, pois são consequências que só acontecem como parte da nossa dedicação a uma causa maior.

Susana Falchi é CEO da HSD Consultoria em Recursos Humanos.

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