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Conselho de franquia e outros canais de comunicação no franchising

Podemos comparar o Conselho de Franquia com as reuniões de condomínios, entenda porque

O Conselho de Franquia, embora seja visto como uma expressão bem conhecida pelos participantes do Sistema de Franquia, merece ser melhor compreendido, especialmente no que diz respeito à sua função, natureza e alcance. Sem adentrarmos no histórico de seu surgimento, sua função é propiciar a integração da rede, especialmente no que se refere à relação Franqueador - Rede de Franqueados. Trata-se de um termo que não deve ser generalizado no segmento, já que sua realização se torna mais eficaz a partir de 30 ou 40 franqueados.

Seu intuito principal é ser um canal de comunicação e uma das alternativas para este fim, já que todo franqueador, deve manter contato estreito e periódico com a sua rede. Quando realizadas com um objetivo previamente definido, essas reuniões tendem a ser muito eficazes e, via de regra, focam na busca de soluções e boas alternativas para a marca.

Mencionamos que o Conselho de Franquia é uma das formas de comunicação, pois não podemos esquecer que, além dele, há os Comitês Temáticos (de Marketing, de Sustentabilidade, de Produtos, etc.), Reuniões sobre processos, Convenções anuais e até as épocas de feiras e encontros regionais. Todas elas são boas oportunidades para que ambas as partes conversem sobre a gestão do negócio.

Quanto à escolha do formato, nota-se que não há uma regra ou modelo geral no que diz respeito à escolha da ferramenta ideal, com regulamentos ou até diretrizes para a sua criação. Uma vez tomada a decisão pela sua realização, esses encontros se formação de acordo com o perfil do negócio e do franqueador, da maturidade da rede, de seu tamanho, sua distribuição geográfica, entre outras características.

Por outro lado, é importante ressaltar que, para que tais encontros sejam produtivos, todos deverão contar com pauta, ata de reunião e alcance das decisões tomadas. É esse alcance que definirá se as determinações realizadas durante os encontros serão colocadas em prática a longo, médio ou curto prazo e se serão nacionais ou apenas regionais.

Da mesma forma, a elaboração do estatuto ou regulamento que regerá o formato de atuação do Conselho ou Comitê, por exemplo, merecerá atenção e consciência sobre quais regras práticas darão efetividade aos trabalhos práticos e como irão melhorar os resultados de todo o sistema. O velho provérbio de que "o papel aceita tudo" deve ser lembrado. Não adianta se inspirar em estatutos ou regulamentos detalhados de qualquer fonte e deixar de lado o estudo do que funciona na prática, dentro da própria rede, seja em relação às regras de representatividade e elegibilidade, periodicidade e formato das reuniões, despesas relacionadas etc.

Podemos comparar o Conselho de Franquia com as reuniões de condomínios. O primeiro é importante para a gestão eficaz das franquias e o segundo, necessárias para garantir o bom funcionamento de todo edifício. Nessa alusão, o síndico pode ser comparado ao franqueador, e seus franqueados, com os condôminos, todos primando pela melhoria do bem comum, de maneira integrada e fazendo com que todos se sentem proprietários de suas respectivas partes.

Precisa ficar claro, entretanto, que os Comitês ou Conselhos, via de regra, são meramente consultivos, não tendo o condão de definir ou decidir procedimentos para a rede, atribuição esta exclusiva da Franqueadora, titular do Know How de gestão do negócio. Seu propósito é o de compartilhar informações ou discutir/sugerir ações estratégicas, munindo a Franqueadora com as correspondentes contribuições, antes que as políticas sejam definidas. Porém, vale reforçar que o diálogo deve ser mantido com respeito e consideração por ambas as partes. Como todo bom síndico, o franqueador deve estar aberto para ouvir as opiniões dos franqueados, demonstrando respeito e preocupação com seus condôminos, tudo para que o prédio 'franchising' permaneça em pé, em bom estado e funcionamento.

*Sandra Brandão é graduada em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas em 1992 e pós-graduada em Gestão Empresarial pela Escola Trevisan para Dirigentes de Empresas e Especialista em Direito Contratual pelo Centro de Extensão Universitária (atual IICS). Foi integrante da Comissão de Ética da Associação citada de 2002 até 2004. Membro da Comissão de Franchising da OAB/SP.

*Luis Henrique Stockler é graduado em Administração de Empresas pela FGV, especializado em Marketing pela ESPM e MBA’s de Gestão pelo ITA/ESPM e pela FIA/USP, iniciou sua carreira corporativa na construção civil, comercializando materiais de construção, implementando e gerenciando projetos imobiliários. Em 1994, ingressou na indústria de varejo e franquias, trabalhando como diretor comercial em várias redes varejistas como: Hering, TNG, Victor Hugo, Wall Street Institute e Multicoisas.

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