Como viver de renda fixa em 2019
Como viver de renda fixa em 2019

Como viver de renda fixa em 2019

Entenda o que é renda fixa e como esse tipo de investimento pode ajudar você a conquistar sua liberdade financeira

29 novembro 2018

Ter uma renda passiva é o sonho de qualquer brasileiro. Com alternativas de investimentos disponíveis para os mais variados perfis, é possível viver de renda fixa, fazendo o dinheiro trabalhar para você.

Para isso, é necessário um pouco de conhecimento e muita disciplina na hora de separar parte da renda mensal — que vem do seu trabalho ou do lucro dos negócios — para aplicar periodicamente.

Neste artigo, você vai entender o que é renda fixa, quais os principais investimentos dessa natureza e como os juros compostos podem multiplicar seu investimento ao longo do tempo.

O que é renda fixa

Quando você compra títulos de dívidas públicas ou privadas e você sabe exatamente qual vai ser sua remuneração desde o momento da assinatura do contrato, você está aplicando seu dinheiro em renda fixa.

O próprio termo já sugere: o percentual de ganhos é estipulado no momento da aplicação. É diferente, por exemplo, de investir na Bolsa de Valores, onde seus ganhos dependem da sua estratégia de compra e venda de ativos.

Por sua natureza, a renda fixa é uma excelente alternativa de investimento para pessoas que têm pouco conhecimento sobre finanças ou que simplesmente têm um perfil mais conservador — ou seja, não querem arriscar perder dinheiro nos investimentos.

Essa segurança é contrabalanceada pelo retorno: investimentos em renda fixa tendem a render menos do que outros tipos de investimentos mais arriscados, como forex e mercado de capitais. No entanto, a variação é sempre positiva.

Para viver de renda fixa, você deve seguir uma disciplina simples, mas que muitos investidores costumam ignorar. Entenda no tópico seguinte.

Gaste menos do que ganha

O endividamento e o acúmulo de dívidas em atraso constituem um sério problema para as famílias brasileiras. A CNC estima que o número de famílias endividadas tenha chegado a 60,8% ao final de 2017; 10,2% terminaram o ano com tantas contas em atraso que simplesmente não tinham como pagar.

Diante desse quadro, falar em investimentos pode parecer algo do outro mundo. Afinal, na renda fixa, você aplica uma parte dos seus ganhos mensais para obter retorno nos meses ou anos seguintes.

É importante ter uma margem financeira para investir todos os meses, de modo que o capital ganhe mais potencial de crescimento.

Se você já se encontra em uma situação de atraso nos pagamentos, procure saber qual o saldo devedor total e o que pode ser feito, junto aos credores, para pagar as contas. O mais importante é se reeducar financeiramente: quanto dura o bem que você compra hoje? O quanto o valor desse bem renderia se fosse investido?

Assim que você conseguir liberar uma parte da sua renda própria mensal e decidir usar esses recursos para viver de renda fixa, o próximo passo é saber em qual modalidade aplicar seu dinheiro.

Escolha os melhores investimentos para o seu perfil

Cada investimento tem regras próprias: índice utilizado para fixar o percentual do rendimento, isenção (ou não) de IR, formas de aplicação, dentre outras.

Neste artigo, vamos destacar quatro dos mais conhecidos investimentos em renda fixa e fazer breves simulações para que você descubra qual o melhor para o seu perfil.

1. Poupança

Seguramente, é o investimento mais conhecido dos brasileiros e um exemplo clássico de renda fixa. É um investimento bastante versátil, com alta liquidez — ou seja, você pode sacar a qualquer momento — e que não exige um alto nível de conhecimento financeiro.

Em 1998, o saldo da poupança — volume total de aplicações feitas por todos os brasileiros que investiram na modalidade — era de R$ 107 bilhões; em 2018, o valor já chega a R$ 776 bilhões, o que demonstra a preferência do brasileiros pelo investimento.

Até maio de 2012, a poupança rendia em torno de 0,5% ao mês. Desde 2012, as regras para o rendimento da poupança são as seguintes:

  • Selic (taxa básica de juros) acima de 8,5% ao ano: poupança rende 0,5% ao mês + taxa referencial (uma medida de juros variável).
  • Selic abaixo de 8,5% ao ano: poupança rende o equivalente a 70% da Selic + taxa referencial.

Na prática, o rendimento da poupança hoje se situa um pouco acima da inflação. Embora seu dinheiro permaneça protegido, é necessário um alto valor aplicado para que a renda seja equivalente a um salário, por exemplo.

Pelas regras atuais — incluindo a Selic a 6,5% ao ano — podemos fazer a seguinte projeção:

  • Aplicação: R$ 1 milhão
  • Rendimento: 0,3715 ao mês (70% da Selic + TR)
  • Total: R$ 3.715,00

Esse é o valor que você apuraria em 1 mês caso mantivesse R$ 1 milhão na conta no mês de novembro — na poupança, a rentabilidade não é diária, ou seja, você precisa esperar o mês terminar para que seu dinheiro renda.

É importante enfatizar que uma estratégia desse tipo requer aportes mensais constantes, e não um único aporte de alto valor. Dessa maneira, o rendimento será calculado sobre uma base cada vez maior.

Essa modalidade é bastante criticada por especialistas em finanças por ter um risco tão baixo quanto outras aplicações mais rentáveis. Mas vale lembrar que é a melhor maneira de entrar no mundo dos investimentos em renda fixa.

Assim que você entender como a lógica funciona e desenvolver a disciplina necessária para aportar recursos próprios periodicamente, você estará pronto para partir para rendimentos mais altos e tão seguros quanto a poupança.

2. CDB e LC

Bancos são conhecidos por emprestarem dinheiro a juros altos. Mas você sabia que é possível emprestar dinheiro ao banco e receber juros em cima do empréstimo? É um bom negócio ser credor, ao invés de devedor.

Uma das maneiras dos bancos captarem dinheiro no mercado é por meio da emissão de títulos conhecidos como CDBs — ou Certificados de Depósitos Bancários. O investidor pode ir ao banco ou à corretora de sua preferência, escolher o título, comprar e receber juros todos os meses a uma taxa prefixada ou pós-fixada.

A LC — ou Letra de Câmbio — é semelhante ao CDB, a diferença é que os títulos são emitidos por financeiras, não por bancos.

As taxas de juros variam de acordo com o título escolhido, assim como o valor mínimo a ser aplicado e as demais regras. Títulos pós-fixados, apesar de estarem sujeitos a oscilações, são considerados como renda fixa por sua previsibilidade. Confira abaixo a simulação.

  • Aplicação: R$ 1 milhão
  • Rendimento: 123% da CDI (explicaremos logo abaixo)
  • Total: R$ 4.747,94

A CDI — Certificados de Depósitos Interbancários — é a taxa utilizada para calcular os rendimentos do CDB e da LC. Essa taxa varia de acordo com bancos e corretoras; você deve ficar atento e esse percentual.

Grandes bancos, em geral, oferecem uma CDI baixa para os clientes — em torno de 85% a 90% —, o que torna o investimento pouco competitivo quando descontada a parcela do Imposto de Renda. Mas há corretoras que oferecem entre 110% a 125% da CDI, o que, como você pode comparar, já é bem mais vantajoso do que a poupança, inclusive no curto prazo.

3. LCI e LCA

A LCI e LCA são títulos semelhantes ao CDB e LC, a diferença é que os recursos captados são direcionados a investimentos em projetos imobiliários (LCI) e de agronegócio (LCA). Ou seja, você não apenas compra uma dívida, mas investe ativamente no setor produtivo do país.

Esses investimentos também são lastreados pelo CDI, portanto vale a mesma regra para avaliar o retorno. Verifique o percentual oferecido pela sua instituição e compare com outros investimentos.

  • Aplicação: R$ 1 milhão
  • Rendimento: 93% da CDI
  • Total: R$ 4.628,25

4. Tesouro direto

O Tesouro Direto é um programa da União para captar recursos com o objetivo de custear obras de infraestrutura e programas governamentais. Quem adquire um título do TD se torna credor do Estado, mas as regras, nesse caso, são diferentes, já que a remuneração não é definida pela CDI nem pelo mercado, mas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Existem três modalidades principais no TD: títulos prefixados, títulos lastreados pela Selic e títulos indexados ao IPCA, medida padrão da inflação do país.

Nos títulos prefixados do Tesouro, temos a seguinte simulação:

      • Aplicação: R$ 1 milhão
      • Rendimento: 8,05% ao ano
      • Total: R$ 5.400,00

Nos títulos do Tesouro lastreados pela Selic, temos:

      • Aplicação: R$ 1 milhão
      • Rendimento: 6,5% ao ano
      • Total: R$ 4.628,25

Por fim, nos títulos indexados ao IPCA, temos:

      • Aplicação: R$ 1 milhão
      • Rendimento: IPCA + 5% (com uma inflação média de 3% ao ano)
      • Total: 4.581,07

Deixe os juros compostos trabalharem para você

Todas essas simulações foram feitas para um aporte único e para demonstrar o rendimento apenas no mês de novembro de 2018. Entretanto, para uma boa estratégia de investimentos em renda fixa, você deve traçar objetivos e pensar no longo prazo considerando o volume dos aportes mensais.

Quando mais tempo o seu dinheiro permanecer aplicado, maiores os efeitos dos chamados juros compostos — que incidem não apenas sobre o valor investido, mas também sobre o rendimento obtido com os próprios juros.

Com essa possibilidade, mesmo investimentos que podem parecer menos atrativos no curto prazo ganham um potencial de rendimento que você sequer imagina.

Dessa maneira, você pode conquistar independência financeira, planejar a realização de seus sonhos e nunca mais ficar preso a empréstimos e financiamentos que corroem seu poder de compra.

Este artigo tem como principal fonte simulações feitas no site da Easynvest a partir de dados públicos do Banco Central do Brasil. O propósito é exclusivamente educativo e informativo e não deve ser visto como uma consultoria ou guia de investimentos. A melhor estratégia de investimentos só pode ser definida com base nas análises específicas de cada investidor.

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