Como fica o Varejo
Como fica o Varejo

Como fica o Varejo

O aumento do poder de fogo da AmBev e o desembarque de marcas estrangeiras podem ser uma combinação letal para a concorrência. A primeira briga é no segmento premium que, há dez anos, praticamente não existia no País. Hoje, responde por 5% de um mercado de 8 bilhões de litros e cerca de R$ 12,5 bilhões ao ano.

As atenções de todo o mercado brasileiro de cerveja estão concentradas na calva figura de John Brock, presidente-executivo da Interbrew e novo homem forte do setor no País. Desde a semana passada no comando da maior cervejaria do mundo, Brock tem munição de sobra à sua disposição. Nos próximos meses, além de reforçar o poder de fogo da AmBev, o chefão da Interbrew deve ordenar o desembarque de poderosas marcas internacionais, como a alemã Beck’s, a belga Stella Artois e a mexicana Sol, em território brasileiro. A combinação desses dois movimentos prenuncia-se letal para a concorrência.

O grupo canadense Molson, que detém o controle da Kaiser, parece o mais ameaçado pela nova configuração do setor. No momento em que lança uma ofensiva para tentar recuperar o terreno que perdeu desde que pôs os pés no Brasil, há dois anos, a Molson se vê atacada em casa pelo inimigo. O acordo com a Interbrew prevê a aquisição pela AmBev da Labatt, cervejaria que detém 44% do mercado canadense. Curiosamente, porém, a Kaiser, empresa que mais ruidosamente se opôs à fusão da Antarctica com a Brahma, entre 1999 e 2000, opta agora pelo silêncio sobre a nova associação.As atenções de todo o mercado brasileiro de cerveja estão concentradas na calva figura de John Brock, presidente-executivo da Interbrew e novo homem forte do setor no País.

Desde a semana passada no comando da maior cervejaria do mundo, Brock tem munição de sobra à sua disposição. Nos próximos meses, além de reforçar o poder de fogo da AmBev, o chefão da Interbrew deve ordenar o desembarque de poderosas marcas internacionais, como a alemã Beck’s, a belga Stella Artois e a mexicana Sol, em território brasileiro. A combinação desses dois movimentos prenuncia-se letal para a concorrência. O grupo canadense Molson, que detém o controle da Kaiser, parece o mais ameaçado pela nova configuração do setor. No momento em que lança uma ofensiva para tentar recuperar o terreno que perdeu desde que pôs os pés no Brasil, há dois anos, a Molson se vê atacada em casa pelo inimigo. O acordo com a Interbrew prevê a aquisição pela AmBev da Labatt, cervejaria que detém 44% do mercado canadense. Curiosamente, porém, a Kaiser, empresa que mais ruidosamente se opôs à fusão da Antarctica com a Brahma, entre 1999 e 2000, opta agora pelo silêncio sobre a nova associação.

A campanha contra a união da AmBev com os belgas fica, então, exclusivamente por conta da Schincariol. “Eles vão otimizar a compra de matéria-prima, aumentar muito sua lucratividade e deixar a concorrência numa situação delicada”, protesta Luís Cláudio Araújo, diretor de Marketing da empresa. O impacto da vinda de marcas importadas para o Brasil, segundo ele, também não pode ser desprezado. “O consumo não vai aumentar de uma hora para outra, então elas (as novas marcas) vão ter que roubar mercado de alguém”, prevê. Para proteger seu território, a Schincariol promete reagir com o lançamento de novos produtos no segmento premium. E com o aguerrido auxílio de Eduardo Fischer, o publicitário que inventou a Nova Schin. “No plano internacional, é possível que mude alguma coisa para a AmBev, mas no Brasil o consumidor vai ganhar nada ou quase nada. O máximo que eles vão fazer é trazer para cá a Stella Artois, para um nicho minúsculo de mercado”, ataca Fischer. O criador do “Experimenta!” lembra que, quando esteve no Brasil, em parceria com a Antarctica, a toda poderosa Budweiser não conquistou mais de 1% do mercado. Do mesmo modo, a Heineken, acionista da Kaiser desde a criação da cervejaria, nunca passou de 2%.

Em se tratando de um produto de baixo valor agregado como cerveja, a importação eleva demais o preço ao consumidor. “Mesmo instalada no Brasil, a empresa paga integralmente o imposto de importação para trazer suas marcas para cá”, esclarece o tributarista Plínio Marafon, descartando qualquer vantagem fiscal por conta da fusão. A carga tributária somada ao frete praticamente obriga as empresas a limitar as cervejas importadas ao segmento de luxo do mercado, o que leva Fischer a analisar: “Em termos de participações de mercado, esta fusão não muda nada.” Será?

Para começar, importação não é a única opção. “Pela minha experiência com a AmBev, eu diria que, se quiserem trabalhar novas marcas aqui, eles optarão por produzir localmente, como fazem com Miller e Carlsberg”, sugere o publicitário Fábio Fernandes, presidente da F-Nazca, agência que há sete anos atende a Skol e até recentemente criava também para a Brahma. Também não faz muito sentido menosprezar o mercado premium. Ele pode ser pequeno, mas, com preços entre 20% e 60% superiores aos das marcas principais, proporciona as únicas margens de lucro realmente apetitosas desta indústria. E, de quebra, está crescendo enquanto o mercado cervejeiro como um todo vem de quatro anos de estagnação.

Há dez anos, a categoria premium praticamente não existia no País. Hoje, responde por 5% de um mercado de 8 bilhões de litros e cerca de R$ 12,5 bilhões ao ano. Mercado este que, apesar da pasmaceira em que se encontra, segue sendo um dos mais promissores do mundo. O Brasil oscila entre a quarta e a quinta posição no ranking dos países consumidores de cerveja. E é somente o 29º na lista de consumo per capita. Cada cidadão brasileiro bebe em média 50 litros de cerveja por ano, contra 180 litros dos campeões de copo da República Checa e 120 litros dos dedicados bebedores alemães. Moral da história: se e quando a economia reencontrar o caminho do crescimento, o consumo de cerveja tem tudo para explodir. E premiar quem estiver melhor posicionado no País.

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