Como a transformação digital impactará a gestão de negócios e pessoas

A migração para o mundo digital exigiu – e ainda exige - a digitalização das empresas por meio da automação dos seus processos de negócios

Nas últimas décadas, a internet e a tecnologia transformaram radicalmente a sociedade - e, consequentemente, o mundo dos negócios. Em um primeiro momento, essa mudança afetou os veículos de mídia, que precisaram criar conteúdo on-line e modernizar as plataformas. Depois, foi a vez de o comércio entrar no mundo digital com as lojas virtuais, em busca de facilitar a vida das pessoas.

Atualmente, com o alcance cada vez maior das redes sociais e de tecnologias como inteligência artificial, internet das coisas e big data analytics, as empresas de todos os setores precisam se reinventar para manter a sua competitividade no mercado. De acordo com a pesquisa Global Human Capital Trends, realizada pela Deloitte em 2017, quase 90% dos líderes empresariais e de Recursos Humanos consideram como a sua principal prioridade a construção da organização do futuro.

Esse avanço da tecnologia também afetou drasticamente os hábitos dos consumidores na sua forma de interagir, comprar e se relacionar. Isso exige das organizações uma resposta mais ágil e eficiente para essas novas necessidades, algo que as empresas do século 19 têm dificuldades para entender.

A migração para o mundo digital exigiu – e ainda exige - a digitalização das empresas por meio da automação dos seus processos de negócios. Com a chegada da chamada “indústria 4.0” e da internet das coisas, as atividades humanas precisam ser cada vez mais criativas e especializadas. Por isso, é imprescindível que as lideranças tenham clareza sobre o momento em que vivem e quais mudanças são necessárias no mundo corporativo. Elas precisam alinhar a tecnologia da informação aos seus modelos de negócios e, consequentemente, à gestão de pessoas.

Porém, as pessoas precisam ser o alvo preferencial desses novos modelos que acompanham as mudanças tecnológicas, o que garantirá a melhora dos processos corporativos. É preciso entender que a tecnologia, por si só, não trará mudanças de impacto, mas sim as estratégias utilizadas para implantá-la.

Neste cenário de transformação, surge a necessidade de um RH estratégico e digital dentro das companhias, capaz de estimular uma mudança cultural e de incentivar o uso da tecnologia de people analytics para identificar e gerir talentos. Se antes o foco do departamento de Recursos Humanos eram os processos, hoje está voltado para melhorar a proposta de valor da empresa e os níveis de performance, engajamento, espirito de colaboração e trabalho em equipe.

Na empresa do futuro, o aprendizado contínuo é fundamental para o sucesso dos negócios, e os gestores conseguem inspirar os colaboradores a inovar e a se reinventar. Por isso, as áreas de treinamento, desenvolvimento e gestão de pessoas devem atuar como parceiras de negócios. Utilizar ferramentas de gestão de talentos, performance, feedback e análise cruzada de dados se torna essencial para entender a relação entre as pessoas e o mercado, por meio de sistemas cognitivos e preditivos.

A maioria das empresas não estão prontas para esse novo cenário, mas entendem que precisam se modernizar para sobreviver. Em alguns anos, aqueles que não compreenderem o impacto da tecnologia no mercado ficarão para trás. Saber competir digitalmente será fundamental para as organizações que quiserem manter a competitividade e o crescimento no mercado.

Claudia Regina Araujo dos SantosEspecialista em gestão estratégica de pessoas, palestrante, coach executiva e diretora da Emovere You (www.emovereyou.com.br).

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