Brasil precisa de redução drástica de juros, afirma presidente do Ipea

Marcio Pochmann defende queda de 4 ou 5 pontos percentuais. Copom define amanhã a taxa básica de juros, que está em 13,75%.

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, afirmou, nesta terça-feira (20), que o Brasil deve reduzir drasticamente a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. Para Pochmann, a taxa de juros atual, de 13,75%, está relacionada à conjuntura do país antes da crise, mas é inadequada a um cenário de crise.

“Quanto mais nós pudermos reduzir os juros, mais estaremos estimulando o enfrentamento da crise em novas bases positivas para a população. Nós não temos número cabalístico, mas achamos que a redução drástica dos juros implica justamente aproveitar a oportunidade para reduzir quatro, cinco pontos percentuais”, defendeu.


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou nesta terça-feira sua primeira reunião do ano, que vai definir a nova taxa básica de juros. A decisão será anunciada ao final do encontro de dois dias, no fim da tarde de quarta-feira.

Segundo o presidente do Ipea, as medidas tomadas pelo governo até agora são positivas e evitam o pior, mas não são suficientes para fazer com que o Brasil cresça, no mínimo, 4% neste ano.

“Isso não é uma impossibilidade. O Brasil, em outros momentos, como em 1929, soube utilizar a crise como uma excelente oportunidade. O Brasil foi o primeiro país a sair da crise na década de 30. O país poderá perfeitamente não ser afetado gravemente pela crise se souber utilizar da melhor maneira suas oportunidades”.

Inflação

A redução da taxa de juros, como vem acontecendo na maioria dos países, segundo Pochmann, irá contribuir para criar expectativa de maiores investimentos, de defesa do emprego e da produção nacional. Ela acredita que a inflação não será afetada, mesmo que os juros diminuam.

“Os dados de 2008 indicam que terminamos o ano com a inflação dentro da meta, e entendemos que, em 2009, temos os mesmo ingredientes que estimularam a inflação [a ficar dentro da meta], portanto o cenário é de desaceleração da inflação. A preocupação fundamental da maior parte dos países tem sido a defesa da produção”, disse.

Crise

O Ipea divulgou nesta terça-feira as suas pirmeiras análises preliminares sobre a crise internacional e seus efeitos no Brasil. De acordo com o estudo, para se avaliar os efeitos da crise, dois aspectos são fundamentais: o país continuar sua trajetória de crescimento e a inflação permanecer controlada.

De acordo com uma das simulações realizadas no estudo, somente se o país crescer 4%, uma estimativa bastante otimista, o nível de desemprego será mantido praticamente inalterado. Já na simulação de crescimento de apenas 1%, haverá cerca de 1,12 milhão a mais de desempregados.

A projeção oficial para o crescimento de 2009 já esteve em 5% na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Entretanto, foi revisada por duas vezes e, neste momento, já deixou de ser previsão e passou a ser meta: de 4%. A proposta de orçamento deste ano traz a previsão de 3,5% de elevação do PIB. O Banco Central estima em 3,2% o crescimento da economia.

Para o mercado, no entanto, a estimativa para o aumento do PIB deste ano, que esteve em 3,50% durante a maior parte do ano passado, foi mantida estável em 2% na última semana.
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